“Vacina contra a Covid-19 protege”, afirma primeira paranaense imunizada

A parnanguara Lucimar Josiane de Oliveira, de 44 anos, recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19 exatamente às 21h48 do dia 18 de janeiro de 2021. A enfermeira, que atua no Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT), foi a primeira paranaense a ser vacinada contra o novo coronavírus. Nesta sexta-feira (16), quase seis meses depois, são 5.364.524vacinados com a primeira dose ou com a dose única da vacina e quase 7 milhões de um mesmo gesto: vacina no braço.

“Assim que eu fui informada de que tinha sido escolhida como a primeira mulher, negra e enfermeira, a ser vacinada, me senti honrada. Fiquei muito feliz, muito grata e um pouco ansiosa, principalmente por estar na linha de frente. Naquele momento a gente ainda aprendia a lidar com doença, o que era correto ou não, o que era preciso ser feito, era um momento muito triste”, conta a enfermeira.

A vacina de Lucimar e de colegas da área da saúde marcou o início da campanha de imunização do Governo do Estado. Neste dia, pousou em solo paranaense, pela primeira vez, um avião carregado com 265.600 doses do imunizante CoronaVac, produzido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Seis meses depois algumas dezenas de aviões pousaram em solo paranaense trazendocerca de 8 milhões de imunizantes.

Além do início da campanha de imunização, naquele momento a data marcou o 74º aniversário do Complexo Hospitalar do Trabalhador. A noite de 18 de janeiro foi realmente especial para os profissionais de saúde do complexo, que se tornou referência no atendimento de pacientes de Covid-19 na Capital e no Paraná.

Atualmente o Complexo Médico do Trabalhador conta com 91 leitos exclusivos para Covid-19 e 94 leitos de isolamento também separados para pacientes infectados com o novo coronavírus.

DESAFIO

Lucimar se formou em enfermagem em 2020 e nem desconfiava do desafio que enfrentaria naquele mesmo ano, em meio à maior crise sanitária do planeta. Contratada como bolsista em meados de março do ano passado, durante os reforços preparados pelo Governo do Estado na luta contra a pandemia, em alguns meses foi efetivada como enfermeira. Era preciso aumentar o quadro de profissionais da saúde que atuariam na linha de frente.

Seis meses depois de imunizada e um ano e meio do início do combate à doença, Lucimar reforça um alerta para que a população continue a manter os cuidados e lembra que a luta contra a doença que ainda não acabou.

“Estando na linha de frente, eu tenho que ter a consciência de que eu estou imunizada, mas os pacientes não, na maioria dos casos. Sempre oriento que mantenham o uso das máscaras, uso da lavagem das mãos e o uso do álcool gel. A vacina protege, mas a gente tem que ter o hábito de se proteger por conta própria. Ainda não podemos baixar a guarda. Ainda estamos numa guerra, né? Mas vamos chegar lá”, afirma a enfermeira.

No pronto-socorro de Covid-19 desde o início da pandemia, Lucimar conta que, apesar da vacina, a rotina no trabalho continua intensa. A enfermeira avalia que sem a proteção a situação estaria muito pior e lamenta que a divulgação de notícias falsas com relação à vacina tenha afastado muitas pessoas da fila imunização.

“Precisamos evitar as fake news, há muitas pessoas dizendo por aí que a vacina mata. Não, a vacina não mata, ela te protege. E não é porque eu fui imunizada que eu posso não adquirir a Covid-19, mas ter sido vacinada não deixa o vírus tão agressivo como ele pode ser em quem ainda não se vacinou”, explica.

Sobre a escolha das vacinas, outra novidade ruim da campanha de imunização e que estava completamente fora da imaginação coletiva nacional naquele 18 de janeiro, a enfermeira diz que os profissionais de saúde do setor público e privado estão orientando diariamente sobre a importância da imunização com a vacina que estiver à disposição nos pontos de atendimento.

“De fato as pessoas abrem mão de tomar a vacina que está disponível, esperando a vacina escolhida, como se isso fosse possível. A gente vem orientando muito que não é hora de escolher a vacina, a gente tem que ser imunizado”, enfatiza.

ESTRATÉGIA

Para o diretor-geral do Hospital do Trabalhador, Geci Labres de Souza, a estratégia de vacinação do grupo de saúde foi fundamental para a segurança no combate da doença. Seis meses depois dos primeiros vacinados, todos os trabalhadores do complexo estão completamente imunizados e o grupo não perdeu nenhum colaborador desde o início da vacinação.

“É importante destacar que durante todo o ano passado fomos um centro de referência de atendimento à Covid-19 na forma grave e ainda não havia vacina. Então vivemos o momento do medo das pessoas em levar a doença para casa, contaminar os familiares, alguns não queriam nem atender essa patologia”, recorda Geci.

“O complexo foi escolhido para a estreia da vacinação como reconhecimento a essa coragem e a essa disposição de atender as doenças infecciosas, algo que se espraia até os dias de hoje”, conta.

O diretor explica, ainda, em relação à imunização, que naquele momento foram vacinados os profissionais das UTIs, depois do pronto-socorro Covid-19, e em seguida os demais. A decisão trouxe segurança para todo o grupo, o que refletiu também na garantia de atendimento aos pacientes.

“Isso trouxe segurança e reconhecimento à importância desses profissionais. Além do risco de ter uma evolução desfavorável, poderíamos perder esse profissional para atender os leitos diariamente. Portanto, a estratégia de vacinar os profissionais de saúde, em especial os hospitais de referência para Covid-19, foi muito acertada e ficamos felizes porque recebemos no ano passado os primeiros pacientes do Estado do Paraná”, afirma o médico.

“Salvamos muitas pessoas com os nossos leitos estando abertos o todo tempo. Alguns hospitais tiveram quase metade dos seus funcionários contaminados no ano passado. Nós tivemos um número muito pequeno de contaminados e graças a Deus não perdemos nenhum funcionário durante toda pandemia por óbito em contaminação nesse hospital”, comemora.

Geci Labres de Souza diretor Hospital Trabalhador Foto Gilson Abreu/AEN

MARCO

A vacinação foi um marco no combate da doença. Porém, ainda é cedo para que a população relaxe na rotina de cuidados. Os casos estão diminuindo após a vacina, mas ainda não se trata de uma redução definitiva, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

“Me perguntam se está diminuindo e eu digo: está reduzindo sim o número de consultas em Unidades de Pronto Atendimento e o número de novos contaminados diariamente. Mas ainda estamos longe do ideal. Os leitos dos hospitais mais complexos estão ocupados e é preciso ter cuidado”, explica Geci.

“É indispensável entender que a única solução para um problema tão grave é a vacinação, que é coletiva. Todas as vacinas são eficientes e, portanto, todas são benéficas para a sociedade”, enfatiza.

VACINAÇÃO 

Quase seis meses após o início da vacinação, o Paraná é o sexto em números absolutos que mais aplicou doses e o terceiro na contagem da população em geral (18 a 59 anos). Mais de 60% da população vacinável está imunizada com ao menos uma dose e 20% com a dose única ou segunda dose

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Brasil registra menor média móvel de mortes desde o início da pandemia

Em 19 de abril de 2021 o Brasil registrou a maior média móvel de morte em decorrência da covid-19: cerca de 3 mil óbitos diários. Hoje (19), exatos seis meses após o ápice, o Ministério da Saúde informa que a vacinação em massa contra a doença surtiu efeito. Segundo a pasta, a queda no número de óbitos foi de quase 90% – tendência que se acumula desde junho.

O boletim divulgado na noite de ontem (18) mostra que a média móvel de mortes está em 379,5, acompanhada pela queda expressiva também no número de novos casos da doença, que está em 12,3 mil ao dia.

“Nós temos um Sistema Único de Saúde (SUS) forte, com mais de 38 mil salas de vacinação, capaz de vacinar mais de 2 milhões de brasileiros e um governo extremamente preocupado com a vida. Por isso, adquiriu mais de 550 milhões de doses de vacinas [contra a] covid-19, investiu bilhões com habilitação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) e vacinou mais de 90% da população brasileira com a primeira dose. Vacina é a saída para acabar com o caráter pandêmico da doença. Só assim vamos retornar para o nosso normal”, afirmou em nota o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Segundo Queiroga, o sucesso da ampla campanha de vacinação deve se estender para 2022 com a compra antecipada de 354 milhões de doses de vacinas aprovadas no país. O plano de vacinação para 2022 foi apresentado no início do mês de outubro.

“Nós já temos asseguradas mais de 300 milhões de doses para vacinar a nossa população. É uma vacinação um pouco diferente do que aconteceu em 2021, porque não é uma vacinação primária. Mas, o mais importante é: teremos doses de vacinas para todos”, declarou Queiroga.

O painel de vacinação do Ministério da Saúde mostra que mais de 108 milhões de brasileiros já cumpriram integralmente o esquema vacinal. Essa população corresponde a 68% do público-alvo da campanha do Programa Nacional de Imunização (PNI). A ferramenta informa, ainda, que 3,6 milhões de pessoas já tomaram a dose de reforço, recomendada para pessoas acima de 60 anos, imunossuprimidos (aqueles cujos mecanismos normais de defesa contra infecção estão comprometidos) e profissionais de saúde.

Após 484 dias, Curitiba registra menos de cem novos casos de covid-19

Neste domingo (17/10), Curitiba voltou a registrar menos de cem novos casos de covid-19 por dia: foram 98 novos casos contabilizados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A última vez que a cidade teve menos de uma centena de novos casos da doença foi há 484 dias, em 28 de junho de 2020 (com 86 novos casos naquela data).

Neste domingo, foram registrados cinco óbitos de moradores da cidade infectados pelo novo coronavírus, todos nas últimas 48 horas. As vítimas são quatro homens e uma mulher, com idades entre 39 e 82 anos. Três pessoas tinham menos de 60 anos.

Até o momento foram contabilizadas 7.680 mortes na cidade provocadas pela doença neste período de pandemia.

Novos casos

Com os novos casos confirmados, 295.276 moradores de Curitiba testaram positivo para a covid-19 desde o início da pandemia, dos quais 285.221 estão liberados do isolamento e sem sintomas da doença.

São 2.375 casos ativos na cidade, correspondentes ao número de pessoas com potencial de transmissão do vírus.

Leitos do SUS

Neste domingo (17/10), a taxa de ocupação dos 235 leitos de UTI SUS exclusivos para covid-19 esteve em 38%. Restavam 145 leitos livres.

A taxa de ocupação dos 209 leitos de enfermarias SUS covid-19 esteve em 48%. Haviam 109 leitos vagos.

Neste domingo foram desativados cinco leitos de UTI Covid do Hospital Municipal do Idoso. Estes leitos serão direcionados para outras linhas de cuidado.

A SMS esclarece que os dados da ocupação de leitos em Curitiba são dinâmicos, com alterações ao longo do dia.

Números da covid-19 em 17 de outubro

98 novos casos confirmados
5 novos óbitos (5 nas últimas 48h)

Números totais

Confirmados – 295.276 
Casos ativos – 2.375
Recuperados – 285.221
Óbitos – 7.680