“Não, Não Olhe” amplia leque de Jordan Peele ao trazer aliens e críticas ao entretenimento

‘Não, Não Olhe’, o novo filme de Jordan Peele estreou no final de agosto no cinemas brasileiros. A história manteve-se bem misteriosa durante toda a produção, com uma sinopse simples divulgada: dois irmãos avistam algo estranho e horripilante no céu. É o terceiro trabalho de Peele, que alcançou grande sucesso com “Corra”, ganhando um Oscar de melhor roteiro original, e “Nós”.

Jordan Peele tem se consolidado, acima de tudo, como uma figura extremamente criativa. E, por ter baseado suas raízes no horror, pode causar certo estranhamento em seu novo trabalho. ‘Não, Não Olhe’ não descarta sequências genuinamente assustadoras ou incômodas, podendo ser até perturbador dependendo do grau de envolvimento do espectador, mas seus objetivos vão além deste fator.

Um fator marcante de Peele é que seus filmes apresentam críticas bem explícitas (em “Corra!”, principalmente, com o comentário racial). Em seu novo filme, a ideia é um pouco diferente. Olhando de forma mais generalista, fica evidente sua análise à cultura do entretenimento quando somos apresentados a Jupe (Steven Yeun). Nos irmãos OJ (Daniel Kaluuya) e Emerald (Keke Palmer), porém, há bem mais substância.

Não deixa de ser, em primeiro plano, um filme sobre registrar algo que não se pode descrever. Mas é também um longa sobre resistência ancorada na fé cinematográfica. Os dois protagonistas são perfeitamente distintos e complementares. OJ representa o trabalho braçal, o homem que não questiona, com uma ausência de sentimentos aparentes. A voz pra dentro, quase inaudível, o humor inexistente. Emerald, do outro lado, é extrovertida, tem uma expressão política e quer “brilhar”. Sendo assim, estão juntos para aliar sobrevivência e grandeza.

Pela temática alienígena de invasão juntamente da história familiar, é difícil não associar a ‘Sinais’, de Shyamalan. Entretanto, se Mel Gibson e sua família estavam juntos um do outro, em casa, perante a ameaça, os irmãos de ‘Não, Não Olhe’ precisam percorrer longos cenários, ir em busca de razões e de ajuda para realizar o registro histórico. É quase como um desejo de reparação dos negros que tem sua voz calada e, além de sobreviver, também querem mostrar que eles podem vencer a ameaça. Não exatamente como vaidade, retratada no personagem de Yeun, mas como humanização de um povo.

‘Não, Não Olhe’ ainda nos brinda com referências populares que valem a pena entender e se aprofundar ao fim da sessão, como a perturbadora história do chimpanzé Travis e Charla Nash, retratada através de Goddy por conta de um sonho que Peele teve anos atrás. Acaba fazendo todo sentido, no filme, a referência a Oprah. Há diversas formas de ficar famoso. Seja como Emerald, como Jupe ou como Charla. ‘Não, Não Olhe’ está entre nós para realizar um comentário honesto sobre a indústria, mas é também um presente para cinéfilos que apreciam algo mais clássico, voltado para ação, horror e até mesmo o western.

Texto de Gabriel Belo.

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Mostra apresenta o cinema poético e polêmico de Pasolini 

Um século após o nascimento do cineasta, poeta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) o Mia Cara 2022 exibe sete obras fundamentais de sua filmografia entre os dias 09 e 14 de setembro no Cine Passeio, em Curitiba. 


A mostra Pasolini + 100 traça um panorama dos filmes icônicos da carreira do artista que segue incomodando e encantando quase 50 após sua morte. 


Escolhidos pelo curador Marden Machado, os títulos da mostra vão de seu filme de estreia Accattone – Desajuste social, de 1961, ao último trabalho, Salò ou Os 120 Dias de Sodoma, de 1975, um dos mais controversos filmes da história que retrata as extremas violências física, mental e sexual de adolescentes por autoridades fascistas. Finalizado poucos dias antes do assassinato do cineasta, Salò foi proibido durante décadas em muitos países, inclusive no Brasil.


Completam a mostra os filmes Mamma Roma, Teorema, Medeia e os premiados O Evangelho Segundo São Mateus e Decameron. 

Todos as sessões têm entrada franca e serão exibidas no Estúdio Valêncio Xavier, no Cine Passeio, com capacidade para 30 pessoas. 


Os ingressos podem ser retirados na bilheteria 60 minutos antes da exibição presencial. As sessões também estarão disponíveis de forma virtual no site: https://www.cinepasseio.org/ 

Biografia

Pier Paolo Pasolini nasceu em Bologna, em 1922. Formou-se em literatura em 1945. Mudou-se para Roma e dez anos depois publicou seu primeiro romance, ‘Meninos da Vida’, que lhe valeu um processo do governo italiano por obscenidade.


Em 1961, a estreia de seu primeiro filme, Accattone foi alvo de protestos violentos de grupos conservadores, um tipo de agressão que o acompanharia ao longo da vida. Dirigiu outros 11 longas de ficção. Foi assassinado na Praia de Ostia (Roma), em 1975, em circunstâncias nunca bem esclarecidas. 


Cinema-Poesia

Pasolini foi um artista completo e complexo. Um exemplo intelectual politicamente militante. Seu cinema é conhecido pela narrativa poética, também chamada de “cinema-poesia”. Pasolini preferia trabalhar com atores amadores e pessoas do povo e demonstrou uma versatilidade cultural incomum que serviu para transformá-lo numa figura controversa. Cristão, marxista e homossexual, é autor de obra cinematográfica e literária que ainda atraem muito engajamento artístico e acadêmico.

Dez anos de Mia Cara

Com o tema “Salute a Tutti” (saúde para todos), a décima edição do Mia Cara 2022 retorna com eventos presenciais, de 02 a 11 de setembro, nas cidades de Curitiba e Colombo (PR). Durante dez dias, o festival oferece uma rica programação cultural com festivais de cinema, teatro, danças folclóricas, apresentações musicais, exposições, ações de gastronomia, esportes e a iluminação de pontos turísticos. A programação completa está no site https://miacara.com.br/

Realização, apoios e patrocínios

Com patrocínio da Havan, Santa Maria, Helisul Aviação, Celepar e Sanepar. A realização do evento é feita pelo Consulado Geral da Itália em Curitiba, pela ONG Unicultura e pela Trento Edições, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura com apoio da ENIT, ITALOCAM – Câmara Ítalo Brasileira de Comércio e Indústria do Paraná, Sociedade Garibaldi, Sistema SESC Fecomércio Paço da Liberdade, Museu Oscar Niemeyer, Solar do Rosário, Comites Paraná e Santa Catarina, UFPR, Shopping Itália, Centro Cultural Dante Alighieri Curitiba, BRDE, Editora LT, Hospital Angelina Caron, Festval, Prefeitura Municipal de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, Instituto Curitiba de Arte e Cultura – Icac e Cine Passeio.

Filme “Sistema Bruto” estreia nos cinemas em 29 de setembro

Bota, chapéu e pipoca nas mãos: os fãs de sertanejo podem se preparar para sair dos shows direto para os cinemas. O filme “Sistema Bruto” estreia em todo o Brasil no dia 29 de setembro, com uma temática sertaneja que vai levar o público a cantar muito, sorrir, se surpreender e se divertir com toda a família. Dirigido por Gui Pereira, da Dodô Filmes, o longa é protagonizado por Bruna Viola ao lado da atriz Bruna Altieri.

“Sistema Bruto” é uma comédia de ação que acompanha Bruna, interpretada por Bruna Viola, e Rosa, por Bruna Altieri, duas amigas que, além de frequentarem os mais badalados bares e festas sertanejas do interior, também são apaixonadas por velocidade e adrenalina. Em uma determinada noite, as amigas fazem uma aposta com seus amigos e decidem participar de uma competição de corridas de caminhonetes.

Produzido e gravado durante a pandemia, o filme que teve roteiro escrito especialmente para que pudesse ser protagonizado por Bruna Viola, artista com mais de 18 anos de carreira na música sertaneja raiz, não possui incentivos governamentais. Toda a produção foi possível a partir de patrocinadores, apoiadores e parceiros privados. “Quando conheci a Bruna gostei muito do estilo dela falar, se vestir, se apresentar e vi nela um grande potencial para o cinema. Tivemos parceiros importantes, de diversos segmentos, que investiram nesta ideia e tornaram possível levar uma produção independente aos cinemas de todo o país”, afirma Gui Pereira, diretor e roteirista.

Além de Bruna Viola, a obra reúne um elenco renomado, com Bruna Altieri, Jackson Antunes, Thaís Pacholek, Oscar Magrini, Marisa Orth, Nelson Freitas, Marcus Cirillo, Enrico Lima, Giulia Nassa, Guile Branco, e um time de cantores e duplas sertanejas de tirar o fôlego, entre eles César Menotti e Fabiano, Chitãozinho, Guilherme e Santiago, Lauana Prado, Gian e Giovani, Rionegro e Solimões e Yasmin Santos. A produção ainda trará Felipe Massa, vice-campeão mundial da Fórmula 1 e, o piloto da Copa Truck, Djalma Pivetta e a piloto Thaline Chicoski .

Sinopse

Sistema Bruto é uma comédia de ação que acompanha Bruna e Rosa, duas amigas que, além de frequentarem os mais badalados bares e festas sertanejas do interior, também são apaixonadas por velocidade e adrenalina. Em uma determinada noite, as amigas fazem uma aposta com seus amigos e decidem participar de uma competição de corridas de caminhonetes.

Ficha Técnica

Elenco: Bruna Viola, Bruna Altieri, Giulia Nassa, Marcus Cirillo, Jackson Antunes, César Menotti & Fabiano, Oscar Magrini, Thaís Pacholek, Enrico Lima e Guile Branco.

Participações Especiais: Rionegro & Solimões, Chitãozinho, Felipe Massa, Nelson Freitas, Marisa Orth, Maurício Meirelles, Marcelo Zangrandi, Lauana Prado, Yasmin Santos, Gian & Giovani, Guilherme & Santiago, Djalma Piveta, Carol Valentim e Thaline Chicoski.

Também estrelando: Aline Lima, Natasha Audrey, Lara Longuine, Everton Neguinho, Lucas Mitzakoff, Carlos Miola, Denis Mateo, Artur Rodriguez e Mariara Freitas.

Patrocinadores: Banco Original, PBR (Pabst Blue Ribbon), John Deere, Iveco, Wrangler, Don Alcides, Cimo Cutelaria, FPT Motores, Usual Brinquedos, Biogás, Águas Ourofino, Meritor, Axalta, Autozone, Inducol, Casa Perini, Mari Maria Makeup, Miura Investimentos, Polipox, BF Goodrich.

Apoio: X Rally Team, Pro Tork, Loja Western, Amafil, Nutriex, Sparco, Beta Ferramentas, Chapéus Pralana, Sacudidos, Occitano Hotel, Goyazes, Granero Transportes, Fivelas Pelegrini, Vom Eisen, T7 Motors.

Direção: Gui Pereira

Supervisor de Trilha Sonora: Lucas Lima

Trilha Sonora: Felipe Alexandre

Produção: Vinicius Zanobia, Daniele Longuine, Allison Lima, Luma Borges, Jeancarlo Martins, Stephanie Chaya e Patrícia Kisser

Produção Executiva: Gisa Pereira

Roteiro: Gui Pereira, Allison Lima e Luis Sconza

Direção De Fotografia: Bruno Campos

Assistente De Direção: Luma Borges

Figurino: Daniele Longuine

Direção De Arte: Luis Sconza

Maquiagem: Giulia Kisser

Som Direto e Montagem De Som: Rogério Villanova

Montagem: Wesley Costa

Making Of: Julio Marques

Still: Rafaela Sá