Ex-secretário do governo Bolsonaro admite idealização de plano violento
O general Mario Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), confessou nesta quinta-feira (24) ter idealizado o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa a execução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes durante seu interrogatório no STF (Supremo Tribunal Federal).
Durante sua declaração, Fernandes afirmou que o documento não era um projeto concreto, mas sim um “pensamento” e um “estudo de situação” que foram digitalizados e não apresentados a ninguém. Ele justificou a impressão do plano, dizendo que o fez para facilitar a leitura e que o rasgou logo em seguida.
Contexto sobre Mario Fernandes
General da reserva, Mario Fernandes começou sua trajetória militar em 1983 na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e foi promovido a general de brigada em 2016. Entre 2018 e 2020, comandou o Comando de Operações Especiais, conhecido como “kids pretos”. Após se tornar reservista, ocupou a função de secretário-executivo do então ministro Luiz Eduardo Ramos e chegou a comandar a pasta interinamente, onde discutiu estratégias para manter Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.
Relatórios da Polícia Federal indicam que ele foi um dos principais nomes envolvidos em tentativas de golpe de Estado no país. Fernandes foi preso em novembro de 2024, acusado de elaborar um plano que visava eliminar autoridades.
Detalhes sobre o plano “Punhal Verde e Amarelo”
Em novembro de 2024, a Polícia Federal desencadeou uma operação que revelou o planejamento de assassinatos de autoridades. O grupo, formado em sua maioria por militares das Forças Especiais do Exército, tinha como alvos os mencionados Lula, Alckmin e Moraes. Os assassinatos estavam programados para ocorrer em 15 de dezembro de 2022, três dias após a diplomação de Lula.
A intenção era envenenar os alvos, além de criar um “Gabinete Institucional de Gestão da Crise” que deveria ser ativado em 16 de dezembro. O plano também contemplava o uso de armamento pesado e a vigilância constante do ministro Moraes.
Investigações apontaram que o general imprimiu três cópias do documento no Palácio do Planalto e, em um momento posterior, entrou no Palácio da Alvorada, onde estavam Bolsonaro e o tenente-coronel Mauro Cid. Fernandes alegou que as impressões em diferentes datas foram resultado de uma “configuração da impressora” e que a reimpressão ocorreu devido a uma nova ideia que ele desenvolveu.
Delações sugerem que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do plano, e que Fernandes era considerado um dos generais que incentivavam ações das Forças Armadas para tentar impedir a posse de Lula em 2022.
(*Publicado por Mayara da Paz, com informações de Davi Vittorazzi)
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