Curitiba tem a primeira delegacia do Brasil especializada para investigar crimes sem solução

O tempo! Cada segundo, cada minuto, cada hora é crucial em uma investigação de homicídio. É ele que faz a diferença. A cena do crime, o corpo, as testemunhas, as provas, a perícia – quanto mais tempo se passa depois do crime, mais complexa se torna a investigação.

Investimentos da Secretaria de Estado da Segurança Pública e a integração das forças policiais têm resultado em alto índice de elucidação de homicídios no Paraná – em Curitiba, o índice de resolução superou 100% no primeiro trimestre de 2021. Apesar da celeridade, há crimes que representam um desafio ainda maior. Nesses casos, é fundamental que o período para determinar o autor não ultrapasse 20 anos, porque depois de duas décadas o crime prescreve, conforme determina o Código Penal.

A Secretaria da Segurança Pública, no anseio em dar uma resposta aos crimes até então não esclarecidos, criou, por meio da Polícia Civil do Paraná (PCPR), a primeira delegacia do Brasil especializada em crimes sem solução.

Fruto de um esforço conjunto para solucionar crimes antigos e desafogar as delegacias de homicídios da cidade, que atendem às diversas regiões da Capital, foi criada em 2014 a Delegacia de Homicídios de Maior Complexidade, integrante da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Paraná. O objetivo é impedir a impunidade nos homicídios, por meio de investigações que evitem a prescrição, esclareçam o crime e apontem o culpado.

A especializada foi regionalizada e cada cartório dessa delegacia atende determinados bairros de Curitiba, da mesma forma como é hoje a regionalização das delegacias de homicídios, da primeira à quarta DHPP.

“Essa regionalização fez com que aqueles homicídios ocorridos há muitos anos sejam solucionados, porque dados começaram a ser cruzados entre homicídios que ocorrem hoje. Como a maioria deles está ligada ao tráfico de drogas, as pessoas que continuam matando hoje são as mesmas pessoas que cometeram homicídios anos atrás. O cruzamento dos crimes antigos com os de hoje aumentou as possibilidades de resolução de casos”, explica o delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach.

A Delegacia de Homicídios de Maior Complexidade conta com a ajuda multidisciplinar das forças policiais do Paraná, como a Polícia Científica, para fechar todas as pontas da investigação. Além disso, trabalham de modo integrado a Polícia Científica e o Ministério Público.

Policiais se debruçam diariamente em centenas de inquéritos envolvendo crimes de homicídio e tentativas de homicídios, em Curitiba, em que a autoria não é conhecida. Casos que estavam em investigação nas delegacias especializadas da Capital, depois de três anos sem conclusão, passaram para alçada dos crimes de alta complexidade.

O delegado titular Marcos Fernando da Silva Fontes reforça que o tempo é crucial em uma investigação de homicídio. “O corpo conta o que aconteceu, mas nos casos que investigamos já perdemos esse tempo do acontecido. Por isso é muito importante termos uma equipe altamente especializada, que seja de bons entrevistadores que entendam de mobilidade social, que saibam pesquisar o passado e que estejam dispostos a reconstruir a cena do crime muitos anos depois. É um verdadeiro desafio, nenhum caso é abandonado”, explica o delegado.

Ele acrescenta que para atingir o objetivo de solucionar os crimes, além de serem bons entrevistadores, os policiais precisam, ainda, entender de cartografia, urbanismo, mobilidade social e ter noções das ciências forenses, para que possam reconstruir no inquérito um fato histórico.

RESPOSTA 

Camila Cecconello, delegada-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explica que a participação da população e a confiança no trabalho da polícia têm sido base para o trabalho de investigação.

“Nossas equipes não medem esforços para solucionar crimes de forma ágil, coletando todas as provas possíveis já nas primeiras horas do crime. Quanto mais o tempo passar, mais difícil se torna a resolução de um homicídio. O bom resultado do nosso trabalho tem muito da participação da população e da confiança que a comunidade tem demonstrado na Polícia civil, prestando informações e fazendo denúncias que nos auxiliam a identificar os autores”, afirma.

É o caso do duplo homicídio ocorrido em maio de 2011, no bairro Novo Mundo, em Curitiba. As mortes de Adilson Cândido Ramos e Gilmar Cândido Ramos foram solucionadas nove anos depois e seus autores entregues à Justiça.

Embora 80% dos casos de homicídios estejam ligados ao tráfico de drogas e ao crime organizado, a Polícia Civil investiga também crimes de outra natureza. Aparecida de Fátima Alves Garcia, de 34 anos, foi estuprada e morta na Cidade Industrial de Curitiba, em 2010, e seu caso parecia sem solução. O crime só foi desvendado quase 10 anos depois, quando o DNA do suspeito foi incluído na rede Nacional de Perfis Genéticos. O crime foi o primeiro caso de DNA na elucidação de homicídio no Paraná.

Um homem foi apontado como suspeito após suas amostras de DNA apresentaram verossimilhança com as colhidas pela perícia em 2010. Ele estava preso em Santa Catarina condenado por outro crime de estupro e tentativa de homicídio de uma jovem de 13 anos.

Outro caso emblemático e de repercussão nacional foi o da menina Raquel Genofre, que tinha apenas nove anos quando foi morta. Seu corpo foi encontrado dentro de uma mala na Rodoferroviária de Curitiba, em 2008. O autor do crime foi identificado 11 anos depois e condenado a 50 anos de prisão.

O caso foi solucionado graças à integração do banco de dados do Paraná com os bancos nacionais, bem como a todo o trabalho feito pela perícia à época do crime.

“A gente trabalha para que nenhum crime fique sem solução. Às vezes demora muito, como foi o caso da Raquel Genofre, mas posso garantir que nós não abandonamos nenhuma investigação. Vamos perseguir a solução de qualquer tipo de crime”, reforça o delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach.

SÉRIE 

Esta matéria faz parte de uma série de reportagens que abordam como o trabalho integrado das forças de segurança tem resultado na resolução de homicídios, prestando eficiente e rápida resposta à sociedade.

Da coleta de material na cena do crime, passando pelas investigações, entrevistas, troca de informações, banco de dados, testemunhas e o uso de tecnologia de ponta, até o desfecho de um homicídio, a série pretende mostrar os bastidores desse trabalho, os agentes envolvidos e o comprometimento de profissionais dedicados a encerrar casos considerados complexos e sem solução.

As matérias são publicadas às terças e sextas-feiras. A primeira, detalhando o índice de resolução de crimes, que ultrapassou 100% em Curitiba, foi publicada na terça-feira (24).

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Polícia Civil prende três pessoas por abuso e exploração sexual de crianças na internet

A Polícia Civil do Paraná prendeu três pessoas em flagrante durante a Operação Luz na Infância 8, nesta quarta-feira (9), no Estado. A força-tarefa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, teve a participação de policiais civis cumprindo 176 mandados de busca e apreensão no Brasil e em mais cinco países: Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Panamá e Equador. 

No Paraná, as ordens judiciais foram cumpridas em Curitiba, Londrina, Maringá, Apucarana, Pato Branco, Andirá e Matelândia. Além dos flagrantes, três homens foram indiciados. Ao todo, seis pessoas irão responder por armazenamento do material de pornografia infantojuvenil. 

No Brasil, 27 pessoas foram presas em flagrante, outras 10 na Argentina e 4 no Paraguai.  

A ação faz parte de uma mobilização nacional para combater crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet. A operação também contou com a colaboração da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, por meio da Homeland Security Investigations (HSI), que ofereceu cursos, compartilhamento de boas práticas e capacitações.

Foto: Polícia Civil do Paraná

Nas sete edições anteriores, realizadas entre 2017 e 2020, a Luz na Infância cumpriu mais de 1,4 mil mandados de busca e apreensão e prendeu cerca de 700 suspeitos de praticarem crimes cibernéticos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes em todo o Brasil e nos países participantes da ação. 

Veja os resultados das operações anteriores: 

Luz na Infância 1 – 20 de outubro de 2017. Foram cumpridos 157 mandados de busca e apreensão de computadores e arquivos digitais. Foram presas 108 pessoas. 

Luz na Infância 2 – 17 de maio de 2018. As polícias civis dos estados cumpriram 579 mandados de busca, resultando na prisão de 251 pessoas.

Luz na Infância 3 – 22 de novembro de 2018. Operação deflagrada no Brasil e na Argentina com o cumprimento de 110 mandados de busca, resultando na prisão de 46 pessoas. 

Luz na Infância 4 – 28 de março de 2019. Operação deflagrada em 26 estados e no Distrito Federal resultou no cumprimento de 266 mandados e 141 pessoas presas. 

Luz na Infância 5 – 4 de setembro de 2019. Operação deflagrada em 14 estados e no Distrito Federal, além dos Estados Unidos, Paraguai, Chile, Panamá, Equador e El Salvador. A ação resultou no cumprimento de 105 mandados e 51 pessoas presas.  

Luz na Infância 6 – 18 de fevereiro de 2020. Operação envolveu policiais civis de 12 estados, além dos Estados Unidos, Colômbia, Paraguai e Panamá. Foram cumpridos no Brasil e nos quatro países 112 mandados de busca e apreensão. 

Luz na Infância 7 – 6 de novembro de 2020. Operação envolveu policiais civis de 12 estados, além dos Estados Unidos, Argentina, Paraguai e Panamá. Foram cumpridos no Brasil e nos quatro países 136 mandados de busca e apreensão.

Polícia Civil prende suspeitos de golpes imobiliários que somam prejuízos de R$ 2,5 milhões

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu quatro integrantes de uma organização criminosa que aplicava golpes utilizando uma incorporadora de fachada, em Curitiba. A ação aconteceu na manhã desta segunda-feira (7). Um homem também foi autuado em flagrante por posse de arma de fogo.

Durante as investigações foram identificadas e ouvidas oito vítimas. O prejuízo verificado até o momento é de R$ 2,5 milhões. A PCPR estima que há, ao menos, 30 vítimas e que o prejuízo total causado pela organização criminosa passa de R$ 6 milhões. Algumas das vítimas já identificadas haviam contratado serviços com obras que deveriam ter sido entregues há um ano, pagando valores expressivos.  

Os suspeitos usavam uma empresa de fachada para venda de imóveis na planta, construções ou reformas de casas. A maioria dos empreendimentos nunca foi iniciada. Os que tiveram início não foram finalizados. Além de retirar o máximo de dinheiro das vítimas, o grupo criminoso não dava retorno nenhum sobre os empreendimentos.

Além dos mandados de prisão, os policiais civis também cumpriram quatro ordens de busca e apreensão. A operação ocorreu nos bairros Centro Cívico, Seminário e Uberaba, além do município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. 

Nas buscas foram apreendidos documentos, computadores, celulares, dois veículos e uma arma de fogo. Os indivíduos devem responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato.