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Servidor municipal acompanha evolução tecnológica após 46 anos de trabalho na Prefeitura de Curitiba

Leocir Alves Lopes entrou pela primeira vez no prédio central da Prefeitura de Curitiba em fevereiro de 1980, aos 15 anos. Vestia a melhor roupa, feita pela mãe, e estava com o braço engessado. Na época, seu objetivo era se sair bem na vaga de estágio para a qual havia sido selecionado. Ele acabou sendo efetivado ao atingir a maioridade e, posteriormente, passou de celetista a estatutário.

Após 46 anos e oito meses, a Prefeitura continua sendo o primeiro e único emprego do servidor. Leocir começou na então Divisão de Tombamento, transportando entre os setores processos relacionados a documentos que registram o desenvolvimento da ocupação da cidade, como plantas de loteamento.

“É graças à dona Sara, que presidia a Fama (Fundação de Assistência ao Menor Aprendiz), que estou aqui. Ela me deu a carta de apresentação para a Prefeitura de Curitiba”, lembra.

Curitibano por adoção, Leocir chegou à cidade no ano anterior ao ingresso na Prefeitura, vindo de Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro. Ele se mudou com o pai, que trabalhava na agricultura, a mãe, costureira, e dois irmãos. A família se instalou no bairro Santa Cândida.

Em Curitiba, Leocir conheceu Rosana, com quem se casou. O casal teve dois filhos e, mais recentemente, um neto.

Ao longo da carreira, o servidor também buscou formação. Fez o curso pós-médio em Gestão Pública oferecido pelo Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) e formou-se tecnólogo na mesma área pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR).

“Realizei o sonho de ver os filhos cursarem universidade e de também eu ter formação superior”, conta.

Depois de contratado, o ex-estagiário passou a atender o público e permaneceu na mesma área. Atualmente, o setor integra o Departamento do Cadastro Técnico da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU), órgão responsável, até o começo deste ano, por receber e guardar o acervo conhecido por Leocir, formado por plantas e croquis de diferentes épocas que registram a expansão urbana de Curitiba nos últimos dois séculos.

Durante a carreira, ele trabalhou com milhares de pranchas, que agora estão no Arquivo Público. No passado, fazia cópias dos documentos manualmente, usando papel vegetal e caneta nanquim.

“Antigamente, as copiadoras reproduziam apenas as plantas inteiras. Quando os contribuintes pediam a cópia referente apenas a determinados lotes, era preciso fazer à mão”, relata.

Leocir acompanhou as transformações da Secretaria Municipal do Urbanismo. Atualmente, todos os serviços do órgão estão disponíveis online, mas também existe a possibilidade de audiências presenciais entre o público e a equipe. O servidor continua valorizando o contato direto com os cidadãos.

“Leocir é um arquivo vivo. Conhece a história da ocupação da cidade, tem tudo isso na memória e, por isso, é a maior autoridade quando o assunto são as plantas de loteamento e o acervo foreiro de Curitiba, sem abrir mão de se manter interessado no que está acontecendo e disponível, solícito com os colegas”, afirma a arquiteta Aline Placha Tambosi, diretora do setor onde ele trabalha.

As cópias solicitadas atualmente podem ser obtidas pela internet e sem custo. Em um passado recente, porém, a quantidade de pedidos que servidores como Leocir atendiam artesanalmente fazia com que a entrega levasse até 10 dias. Também cabia a ele registrar à caneta, nas plantas e nos croquis, alterações de titularidade e de divisão ou unificação dos lotes.

“A forma de fazer o trabalho mudou radicalmente, mas continuo amando muito o que faço”, afirma o servidor, que deu entrada no pedido de aposentadoria. A concessão do benefício deve ocorrer em aproximadamente 30 dias, praticamente na mesma época do ano em que Leocir foi efetivado como servidor público municipal, em dezembro de 1983.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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