Esta semana, Ruanda relembra um dos capítulos mais sombrios de sua história: o genocídio de 1994, que resultou na morte de entre 800 mil e 1 milhão de pessoas em apenas 100 dias. A tragédia teve início após o ataque ao avião do presidente Juvénal Habyarimana, iniciando uma série de massacres entre grupos étnicos hutu e tútsi.
Contexto Histórico
- Tensões Étnicas: As hostilidades étnicas em Ruanda remontam a décadas, principalmente entre os grupos hutu (85% da população) e tútsi.
- Colonização: Durante a colonização alemã e belga, os tútsi mantiveram o poder, o que gerou ressentimento entre os hutus.
- Revolução de 1959: Os hutus derrubaram o governo tútsi, levando à fuga de muitos tútsi para países vizinhos, como Uganda, onde foi formada a Frente Patriótica de Ruanda (FPR) para retomar os direitos do grupo.
- Atentado e Genocídio: O ataque ao avião de Habyarimana em abril de 1994 desencadeou o genocídio, com milícias hutus iniciando a caça aos tútsi.
A partir de 7 de abril de 1994, as milícias formadas por civis e forças armadas atacaram tútsi e hutus moderados. Entre as vítimas, muitos foram mortos em suas casas. Em resposta, a FPR iniciou uma ofensiva que resultou na queda do governo hutu e na ascensão de Paul Kagame à presidência em 2000.
Apesar da presença de forças da ONU e da Bélgica, não houve intervenção durante o genocídio. O embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, expressou a necessidade de aprender com o passado. “A história de Ruanda demonstra que mesmo as situações mais terríveis podem ser revertidas”, afirmou.
Todos os anos, Ruanda realiza a Kwibuka, uma cerimônia de lembrança das vítimas do genocídio. No Brasil, eventos serão promovidos no dia 7 de abril, incluindo uma sessão solene na Câmara Legislativa do DF e uma iluminação especial na Catedral Metropolitana de Brasília.
Impactos Continuados
As consequências do genocídio ainda são sentidas em Ruanda e na República Democrática do Congo (RDC). Após a FPR assumir o controle, muitos hutus fugiram para a RDC, originando conflitos relacionados ao genocídio e disputas territoriais.
Ruanda invadiu a RDC em 1996 e 1998, acusando o país de proteger milícias hutus. Apesar de Kigali negar envolvimento com o grupo rebelde M23, denúncias de apoio a eles continuam. Os dois países assinaram um acordo de paz mediado pelos EUA e Catar em junho de 2025, buscando estabilizar a região.
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