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Eleições São Cruciais em País Minado pelo Crime Organizado

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Neste domingo (30/11), Honduras realiza eleições cruciais que devem escolher novos representantes para os cargos presidenciais, legislativos e municipais. Com uma população de mais de seis milhões de habitantes, o país enfrenta desafios significativos, como o narcotráfico e a corrupção. Os eleitores decidirão, entre outros, um novo presidente, 128 deputados e cerca de 300 prefeitos.

Eleições em um Contexto Tenso

A atual eleição se desenrola em um ambiente conturbado. A esquerda hondurenha, que conquistou o poder pela primeira vez há quatro anos com a eleição de Xiomara Castro, busca conquistar um segundo mandato com Rixi Moncada como candidata do partido Liberdade e Refundação (Libre). No entanto, enfrenta a forte concorrência de Salvador Nasralla, do Partido Liberal (PL), e Nasry Asfura, do Partido Nacional (PN), que têm se alternado na presidência há mais de um século. Recentes pesquisas indicam um empate técnico entre os três candidatos.

Desafios de um “Narco-Estado”

As eleições ocorrem sob a sombra de um estado de emergência permanente, imposto em 2022 para combater o avanço das gangues e do tráfico de drogas. Apesar das promessas do governo de Xiomara Castro de combater o “narco-Estado”, o escândalo envolvendo seu cunhado, Carlos Zelaya, que foi filmado com narcotraficantes, lançou dúvidas sobre a integridade da administração atual.

Preocupações com a Integridade Eleitoral

As fragilidades institucionais também pesam a favor da desconfiança no processo eleitoral. As primárias de março passado foram marcadas por atrasos na entrega das urnas e suspeitas de fraudes. Experts e organizações internacionais, como a Human Rights Watch, manifestaram preocupação com a manipulação eleitoral e a falta de imparcialidade das instituições responsáveis. Daniel Vásquez, doutorando e especialista em política hondurenha, afirma que o Conselho Nacional Eleitoral é controlado pelos partidos principais e falha em ser um ente imparcial.

Dificuldades Socioeconômicas

Além das questões políticas, Honduras enfrenta uma crise econômica severa, com dois terços da população vivendo abaixo da linha da pobreza. As prioridades para os eleitores incluem emprego, saúde e educação, mas muitas vezes essas preocupações não são abordadas nos discursos dos candidatos, que estão mais focados em acusações mútuas. As figuras principais da disputa são amplamente conhecidas e têm uma longa trajetória política, mas a falta de propostas concretas levanta questões sobre a efetividade da campanha.

Migração em Busca de Melhorias

A instabilidade política e econômica impulsiona um êxodo contínuo de hondurenhos em direção aos Estados Unidos, com as remessas de migrantes correspondendo a quase um quarto do PIB do país. A relação bilateral entre Honduras e os EUA é um ponto importante na campanha, especialmente após a expulsão de hondurenhos durante a presidência de Donald Trump e a oposição de Xiomara Castro a bases militares norte-americanas no país. O apoio do atual presidente dos Estados Unidos ao candidato de direita Nasry Asfura pode influenciar o resultado eleitoral.

Expectativas para o Resultado

Um aspecto crítico das eleições é a aceitação dos resultados. Em 2017, a divulgação do vencedor levou a violentos protestos. Segundo Gaspard Estrada, a margem de vitória será decisiva: “Se a eleição for apertada, as alegações de fraude voltarão à tona. Um resultado claro pode minimizar essas reclamações.” A reação das forças armadas e dos grupos empresariais influentes será vital em casos de crises pós-eleitorais.

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