O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu uma visita ao Panamá destacando o potencial de crescimento econômico do país em 2023, impulsionado por reformas e medidas fiscais implementadas pelo governo. O órgão acredita que essas ações podem tornar alcançável a meta fiscal estabelecida para o ano.
Reformas e Crescimento
Durante a visita, o FMI elogiou a reforma da previdência promovida pelo Panamá, resultado das discussões da consulta do Artigo 4, que avaliou riscos fiscais e monetários. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou em 2022, atingindo 2,9%, em contraste com 7,3% no ano anterior, em grande parte devido ao fechamento da mina de cobre Cobre Panamá, responsável por cerca de 5% do PIB e 2% dos empregos do país.
Desemprego e Inflação
Em 2023, a taxa de desemprego aumentou de 7,4% em agosto para 9,5% em outubro. No entanto, as pressões inflacionárias do pós-pandemia diminuíram, resultando em uma inflação negativa de -0,2% em relação ao ano anterior até o final de 2024, que caiu para -0,7% em maio de 2025. Apesar do cenário desafiador, o crescimento do PIB, excluindo o setor de mineração, acelerou em 2024, impulsionado pelo setor de serviços em crescimento.
Desafios Climáticos
O Panamá enfrenta desafios relacionados à seca, que impactaram significativamente o Canal do Panamá entre 2023 e 2024. O fenômeno El Niño levou a severas restrições de tráfego no canal, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e é responsável por 6% do comércio marítimo global.
Projetos de Sustentabilidade
Para aumentar a resiliência do Canal, o país lançou o Projeto do Reservatório do Rio Índio, de US$ 1,6 bilhão, que criará um terceiro reservatório com capacidade de 1,25 bilhão de metros cúbicos. Este reservatório pretende garantir um abastecimento de água doce, essencial para a operação contínua do canal, especialmente em períodos de seca, mantendo entre 36 e 38 transbordos diários.
O Canal do Panamá conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e facilita 6% do comércio marítimo global.
Retorno à Normalidade
O Canal não opera a nível do mar como o Canal de Suez; sua operação depende de um sistema de eclusas que ajusta as embarcações a diferentes elevações, usando água de grandes reservatórios artificiais, como o Lago Gatún. Entre 2000 e 2024, o Panamá investiu cerca de US$ 5 bilhões no desenvolvimento e operação do Canal. As restrições de navegação começaram a ser suspensas em abril de 2024, com o início da estação chuvosa, garantindo a plena operação do canal em setembro do mesmo ano, quando completou 110 anos.
Reconhecimento Internacional
Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU discutiu a importância da navegação marítima, ouvindo o CEO da Autoridade do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez Morales. Ele reforçou o papel do canal na estabilidade do comércio global, regido por um tratado internacional que assegura acesso igual a todas as nações, independentemente do contexto. Além disso, destacou as tecnologias implementadas para aumentar a resiliência climática do canal.
