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Curitiba em 1825: 12 mil Habitantes e Vida Provinciana

Texto: Guilherme Voitch
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

Curitiba: 200 Anos de História Contada em Censos

Recentemente, foi comemorado o bicentenário de um importante censo realizado em 1825 na Vila de Curitiba. Este levantamento, conduzido por ouvidores e párocos, buscou informações sobre a população local, incluindo dados demográficos e socioeconômicos. O censo revelou que a cidade contava com 12.514 habitantes, números que refletem a evolução demográfica e social da região ao longo dos anos.

Detalhes do Levantamento

O censo de 1825 foi fundamental para mapear a população curitibana, incluindo as freguesias de São José, Palmeira, Campo Largo, Iguaçu (Tindiquera) e Votuverava. A partir dos dados coletados, as autoridades elaboraram o “Mapa dos Habitantes do Corpo de Ordenanças da Vila de Curitiba e seu Distrito”, que delineou um cenário demográfico significativo para a época.

Escravidão e Demografia

Na época, Curitiba inseria-se no sistema escravagista vigente no Brasil, com 1.578 escravizados, correspondendo a 12,6% da população total. Este percentual era inferior ao de outras cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, onde a população escravizada chegava a 40%.

Entre os habitantes livres, as mulheres (5.806) eram mais numerosas que os homens (5.129). A faixa etária predominante era a jovem, com cerca de 60% da população tendo entre 0 e 19 anos, uma diferença marcante em relação aos dados atuais, onde essa faixa representa apenas 22,5%.

Os nomes mais comuns entre os homens incluíam Manuel, José, João e Francisco; entre as mulheres, Maria era o mais frequente, seguido por Ana.

Crescimento e Condições de Vida

Uma comparação com o censo anterior, realizado em 1815, evidencia um crescimento na população livre, que saltou de 7.550 para 10.936. Embora a população escravizada tenha aumentado levemente, seu percentual dentro do total reduziu-se ao longo do século 19, devido à atração por fazendas de café em outros locais.

Apesar do crescimento demográfico, a Vila de Curitiba ainda se caracterizava como uma cidade humilde. Condições de vida precárias eram comuns, conforme narrado pelo historiador Renato Mocellin em sua obra “História Concisa de Curitiba”. Eventos como epidemias de diarreia e varíola na época revelam o desafio enfrentado pela população local.

O naturalista francês Saint-Hilaire, que visitou Curitiba em 1820, descreveu a cidade como carente de pessoas abastadas e ressaltou as dificuldades econômicas enfrentadas pelos moradores.

Esperança na Expansão do Comércio

Apesar das dificuldades, o explorador tinha esperanças para a cidade, destacando sua posição estratégica que possibilitava o comércio entre o interior e o litoral. Saint-Hilaire também previu que o cultivo de erva-mate se tornaria um motor de desenvolvimento econômico para a região.

Instrumentos de Contagem Histórica

Segundo a historiadora Elvira Mari Kubo, os recenseamentos do Brasil Colônia, como as Listas Normativas de Habitantes, foram essenciais para entender a demografia da Capitania de São Paulo, da qual Curitiba fazia parte. Essas listas eram levantadas anualmente com finalidades militares e fiscais e se tornaram um importante legado para os censos posteriores.

O primeiro censo oficial do Brasil só foi realizado em 1872, mostrando uma evolução populacional significativa, com a então Comarca de Curitiba apresentando 42.175 habitantes, dos quais 2.597 eram escravizados.

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