Os residentes de Cirurgia Geral do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), associado à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), passaram a integrar um novo componente essencial em sua formação: um treinamento em cirurgia robótica por meio de telemedicina. A iniciativa permite que os estudantes em Cascavel se conectem, em tempo real, a um centro de treinamento em Campo Largo, onde procedimentos são realizados em modelos animais, proporcionando aos futuros médicos a oportunidade de aprimorar suas habilidades com tecnologia avançada.
Ampliação do Currículo com Tecnologia Avançada
A introdução da cirurgia robótica no currículo da residência em Cirurgia Geral visa expandir o conhecimento dos alunos sobre práticas já implementadas em centros médicos de destaque no Brasil e no exterior. O coordenador do curso de Medicina da Unioeste e da residência em Neurocirurgia do HUOP, Marcius Benigno dos Santos, enfatiza que a cirurgia robótica está sendo amplamente aplicada em humanos, especialmente em tratamentos de tumores de próstata, apresentando resultados superiores aos métodos convencionais.
Treinamento em Ambiente Controlado
De acordo com o coordenador, a formação dos residentes requer um ambiente controlado e estrutura adequada para garantir aprendizado eficaz e segurança tanto para os estudantes quanto para os pacientes. “Não é possível treinar diretamente em seres humanos. O sistema inclui um simulador e a realização de procedimentos em suínos à distância. O cirurgião está em Cascavel e o ‘paciente’ em Campo Largo, permitindo um treinamento em telemedicina focado na prática”, detalha Santos.
Experiência Prática e Inovação
Ricardo Ferreira, residente em Cirurgia Geral, ressalta que essa experiência aproxima a formação acadêmica das práticas utilizadas em centros de referência. “Os melhores hospitais estão se atualizando com a cirurgia robótica. No nosso hospital, realizamos cirurgias abertas e videolaparoscopias, e esse treinamento é fundamental para começarmos a interagir com essa tecnologia”, comenta.
Ele também destaca que a tecnologia não substitui a atuação do cirurgião, mas proporciona suporte em suas atividades: “O robô oferece uma visão mais precisa e movimentos mais controlados do que a videolaparoscopia, tornando o procedimento mais confortável para o médico e seguro para o paciente”, conclui.
Parceria Inovadora e Investimento Significativo
Jadson Siqueira, diretor da startup RoboDoc e parceiro do projeto, enfatiza a inovação da iniciativa, que conecta, em tempo real, Cascavel e Campo Largo, a quase 500 quilômetros de distância, para a realização das cirurgias. Ele acredita que a incorporação dessas tecnologias representa um avanço curricular significativo no curso de Medicina e nas residências. “Este programa inédito integra inteligência artificial, empreendedorismo e cirurgia robótica no currículo da Unioeste, permitindo que os alunos experimentem inovações desde o primeiro ano até a conclusão do curso”, explica.
O projeto resulta de uma colaboração entre a Unioeste, HUOP, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (Seti), o Hospital Ceonc e a startup RoboDoc, combinando esforços de Universidade pública, iniciativa privada e Governo do Estado.
Para o reitor da universidade, Alexandre Webber, um investimento de R$ 1 milhão foi destinado à implementação dessa nova prática educacional. “É importante ressaltar o investimento realizado para modernizar o curso. A telemedicina robótica é uma realidade global, e agora está disponível em Cascavel, na Unioeste”, conclui.
