Novas Tarifas dos EUA Impactam Exportações Brasileiras
As novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros entraram em vigor nesta quarta-feira (6/8). A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, eleva para 50% a alíquota de importação sobre algumas exportações do Brasil. A decisão foi formalizada através de uma ordem executiva assinada no dia 30 de julho, na qual o governo norte-americano classifica o Brasil como um risco à segurança nacional.
Justificativas para a Tarifa Elevada
Esta mudança representa um aumento de 40% sobre os 10% já existentes, abrangendo o que o governo dos EUA chamou de “ajuste recíproco” das tarifas com seus principais parceiros comerciais. O Brasil foi identificado como o país mais afetado por esse novo pacote tarifário.
No texto da ordem executiva, Trump menciona que o governo brasileiro estaria promovendo perseguições políticas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, o que, segundo a Casa Branca, comprometeria os direitos humanos e o Estado de Direito.
A medida é respaldada pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 e inclui uma nova declaração de emergência nacional focada no Brasil.
Produtos Isentos das Novas Tarifas
Apesar da implementação da tarifa de 50%, a Casa Branca divulgou uma lista de produtos que ficarão isentos. A lista inclui suco e polpa de laranja, minérios de ferro, e partes de aeronaves civis, entre outros, totalizando cerca de 700 itens. Contudo, produtos como café, carne e frutas, amplamente consumidos no mercado norte-americano, não foram isentados.
Resumo das Exceções:
“Hoje, 45% dos produtos já foram excluídos da taxação. Outros 20% estão enquadrados na Seção 232, o que se aplica igualmente a todos os países. Isso nos dá um total de 65% que já estão protegidos ou têm tratamento igual. Os 35% restantes representam um desafio. Precisamos trabalhar para reduzir a alíquota ou conseguir a exclusão desses itens”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin após reunião com o setor produtivo.
Plano de Contingência do Governo Brasileiro
Em resposta a essa nova política norte-americana, o governo brasileiro está elaborando um plano de contingência para atenuar os impactos econômicos decorrentes. As medidas considerarão as particularidades de cada setor afetado.
Ações Planejadas:
- Linhas de crédito: o governo estudará a concessão de linhas de crédito para pequenos produtores, inspirado em experiências anteriores.
- Compras governamentais: a proposta do governador do Ceará, que visa adquirir pescado para o mercado dos EUA, pode ser uma das medidas adotadas.
- Reativação do Programa Seguro-Emprego: permitirá a redução da jornada e salários de trabalhadores em empresas com dificuldades financeiras.
- Ampliação do Reintegra: voltado para pequenas empresas exportadoras, para que possam recuperar parte dos tributos pagos.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, ressaltou que o governo também está considerando prazos, concessões de carência, juros diferenciados e subsídios. As propostas ainda estão em avaliação, dependendo da decisão sobre a manutenção de algumas exceções.
Possível Ação do Itamaraty na OMC
O Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Itamaraty a acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) devido às novas tarifas norte-americanas. A decisão, publicada no Diário Oficial da União da última terça-feira (5/8), foi assinada pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.
Alckmin informou que a ação requer o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que decidirá sobre como e quando proceder. A consulta à OMC é o primeiro passo em um conflito comercial, onde o Brasil solicitará esclarecimentos dos EUA sobre a decisão. Se não houver um entendimento inicial, o Brasil poderá pedir a formação de um painel na OMC para analisar o caso.
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