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Metas do Brasil no Brics

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Brasil Sedia Cúpula do BRICS em Julho

Nos dias 6 e 7 de julho, o Brasil receberá pela quarta vez a Cúpula Anual de Líderes do BRICS, um bloco que reúne economias emergentes. O encontro ocorrerá no Rio de Janeiro e contará com a participação de países como Arábia Saudita, África do Sul, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia.

Prioridades da Presidência Brasileira

Durante a cúpula, o Brasil buscará desenvolver parcerias voltadas para o desenvolvimento e fortalecer a cooperação entre as nações do “Sul Global”. Para isso, o país focará em seis áreas principais:

  1. Cooperação em saúde global;
  2. Comércio, investimentos e finanças;
  3. Mudança do clima;
  4. Governança de IA (inteligência artificial);
  5. Reforma da arquitetura multilateral de paz e segurança;
  6. Desenvolvimento institucional.

Conforme o pesquisador sênior do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais, Gustavo Carvalho, a presidência rotativa permite ao Brasil coordenar até 100 reuniões ministeriais entre fevereiro e julho, colocando suas prioridades em evidência. Carvalho descreve a gestão brasileira como “enxuta” e aponta que o modelo rotativo do BRICS enfrenta desafios, incluindo a dificuldade de implementar decisões de longo prazo.

Iniciativas em Saúde e IA

A agenda brasileira visa não apenas fortalecer a cooperação entre os membros, mas também erradicar doenças tropicais e outras patologias influenciadas por desigualdades sociais. O Brasil planeja liderar uma aliança internacional para eliminar essas doenças e já desenvolve projetos dentro do bloco, como a ampliação da Rede de Pesquisa BRICS sobre Tuberculose.

Outro tópico relevante é a governança da inteligência artificial, com o Brasil defendendo a necessidade de um marco global que assegure a participação de todas as nações. O foco é criar regulamentos que protejam dados pessoais e combatam discriminação algorítmica.

Compromissos Climáticos e Econômicos

A cúpula também abordará questões climáticas, com o Brasil propondo um compromisso para não ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento da temperatura. O plano inclui discutir financiamento climático como uma estratégia para mobilizar recursos para o combate às mudanças climáticas.

Na esfera econômica, o Brasil promoverá a criação de uma “Rede de Segurança Financeira Global” e discutir a reestruturação do FMI. No entanto, não há consenso sobre a adoção de uma nova moeda pelo BRICS; especialistas indicam que, até o momento, as conversas se concentram em um sistema de compensação entre bancos centrais.

Recentemente, um acordo foi firmado entre os bancos centrais do Brasil e da China para um swap cambial temporário, que visa facilitar a negociação entre as economias.

Conflitos Internacionais e Desenvolvimento Institucional

Por fim, o Brasil pretende abordar a segurança internacional e estabelecer uma “força-tarefa” dedicada ao desenvolvimento institucional. As discussões incluirão a criação de uma “Ação sobre Governança Global”, com foco em conflitos como o da Palestina, visando uma reforma ampla nas Nações Unidas.

A presidência brasileira reitera seu papel como promotor da paz, buscando um espaço onde o BRICS possa contribuir para soluções pacíficas e promover a confiança mútua entre as nações membros.

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