Saúde da mulher: sinais de que o corpo não vai bem podem começar na boca

Outubro acende o alerta para a saúde da mulher. Mas as tão faladas alterações hormonais afetam o sistema imunológico e o corpo das mulheres como um todo. Por isso, além das consultas periódicas ao ginecologista, também é preciso prever uma rotina de cuidados com outras especialidades, algumas não tão relacionadas aos hormônios, como dentistas. Pode ser na boca que apareçam os primeiros sinais de que algo não vai bem na saúde da mulher. 

A periodontite, que é uma infecção grave na gengiva e ossos que sustentam os dentes, por exemplo, pode ser um potencial fator de risco para o desenvolvimento de câncer de mama. Como diversos tumores podem ser formados a partir de processos inflamatórios, uma pesquisa revelou que a doença bucal pode ser um fator de risco para o surgimento do câncer mais comum entre mulheres. O alerta veio de uma meta-análise realizada por um grupo de especialistas com base em 11 estudos epidemiológicos e publicada na revista Frontiers in Oncology.

De acordo com a pesquisa, há uma prevalência de casos de doenças periodontais entre as mulheres em diversas etapas da vida, como puberdade, período menstrual, gravidez e menopausa. Isso acontece porque a constante variação de hormônios propicia o surgimento de inflamações. O estudo aponta uma relação entre a doença periodontal e o desenvolvimento de várias doenças, como distúrbios de infertilidade, complicações na gravidez, partos prematuros e, em alta incidência, o câncer de mama. 

Cuidados em todas as fases

Sendo assim, o cuidado com a saúde bucal e o tratamento rápido de qualquer inflamação e outros problemas na boca são medidas efetivas para prevenir e detectar precocemente diversas doenças. “Mau hálito e inflamação na gengiva, que pode ser percebida através do sangramento durante a escovação dos dentes, dor e coloração mais escura, são alguns dos sinais e devem ser tratados com urgência”, ressalta o especialista em Saúde Coletiva e dentista da Neodent, João Piscinini. E isso deve ser feito em todas as fases da vida da mulher.

Contrariando algumas crenças, grávidas devem sim manter a rotina de saúde bucal e consultar dentistas com frequência, seguindo o pré-natal odontológico. Durante a gestação, cerca de 30% das mulheres têm gengivite, como indica um estudo realizado pelo Departamento de Odontologia Preventiva do Hospital da Universidade Estadual de Lagos, na Nigéria. 

Além das consequências para a mãe, a doença também pode causar complicações na criança. “Parto prematuro e baixo peso ao nascer são consequências da gengivite apontadas por diversos estudos, já que é um processo inflamatório que, assim como muitos outros e em qualquer parte do corpo, pode trazer riscos à criança”, explica Piscinini.

Atenção ao rosto e, também, à boca

Aftas, pequenos cortes e bolhas na região bucal são sinais que devem ser tratados com seriedade e atenção. Essas patologias podem ter relação direta com a imunidade baixa, alteração hormonal e, também, com o câncer de boca. As características iniciais da doença são parecidas com essas feridas comuns. “É ideal acompanhar qualquer tipo de lesão por aproximadamente 15 dias e, caso não haja melhora, um profissional deve ser procurado”, alerta o especialista em Saúde Coletiva e dentista da Neodent.

Além disso, as idas a dermatologistas ou cirurgiões plásticos também devem ser acompanhadas por profissionais da odontologia. Com o aumento da procura por procedimentos estéticos, como o preenchimento labial, a observação periódica da região bucal é ainda mais necessária. “Nem todos podem realizar essas intervenções estéticas. Pessoas com doenças crônicas, inflamações e alergias devem passar por uma avaliação criteriosa do dentista, já que o risco de complicações aumenta”, comenta Piscinini.

Sobre a Neodent®

Fundada há mais de 25 anos, a Neodent® é a empresa líder em implantes no Brasil, onde vende mais de um milhão e meio de implantes anualmente. A Neodent® está entre os três principais fornecedores de implantes do mundo e está disponível em mais de 80 países. O sucesso da marca se deve a suas soluções odontológicas diretas, progressivas e acessíveis, que trazem novos sorrisos para milhões de pessoas. Sediada em Curitiba, Brasil, a Neodent®️ é uma empresa do Grupo Straumann (SIX: STMN), líder global em substituição de dentes e soluções odontológicas que restauram sorrisos e confiança.

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Hepatites virais podem levar a óbito; informação é caminho para controle

Hepatites virais são doenças caracterizadas pela inflamação do fígado e provocadas por cinco principais tipos diferentes de vírus (nomeados das letras A a E). Os agentes virais causadores das hepatites podem agir de maneira silenciosa durante anos, sem que a pessoa manifeste qualquer sintoma. Sendo assim, o diagnóstico e o tratamento precoces junto ao médico hepatologista são fundamentais para salvar vidas. 

Durante a avaliação médica para o diagnóstico e o cuidado de hepatites, alguns testes podem ser solicitados, como o exame de elastografia hepática. Trata-se de um método de imagem indolor e não invasivo que permite avaliar o grau de fibrose (processo de cicatrização causado por lesões contínuas) no fígado. Esses danos podem ser decorrentes de condições como cirrose, gordura ou câncer no fígado e hepatite.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil foram notificados 718.651 casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2021. Desse total, 168.175 (23,4%) são relacionados aos casos de hepatite A; 264.640 (36,8%) aos de hepatite B; 279.872 (38,9%) aos de hepatite C e 4.259 (0,6%) aos de hepatite D.

As mortes por hepatite C são a maior causa de óbito entre as do tipo viral, conforme o Ministério. De 2000 a 2020, foram identificados 62.611 mortes decorrentes da hepatite C (76,2% do total por hepatites virais). 

As hepatites B e C são as principais causas de cirrose hepática, doença hepática crônica e carcinoma hepatocelular (câncer), o que pode representar uma sobrecarga no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em todos os casos, no entanto, as notificações apresentaram queda nos últimos anos. A hepatite A, por exemplo, teve uma redução de 95,6% entre os anos de 2011 e 2021.

Doenças silenciosas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das infecções agudas por hepatite apresenta quadro assintomático e sem diagnóstico correto. Dessa maneira, os sinais podem surgir apenas quando a doença estiver em estágio mais avançado. 

Em entrevista à imprensa, Lia Lewis, chefe do Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro, esclarece que o indivíduo pode desenvolver quadros graves de cirrose ou câncer no fígado se a detecção da doença for feita tardiamente. Quando indicado, o objetivo do trabalho em saúde é começar o tratamento quanto antes para evitar a progressão do problema.

Vale lembrar que o SUS disponibiliza testes rápidos para hepatite B e C. Por meio de uma gota de sangue, é possível identificar a presença da infecção. No caso da hepatite B, Ainda não existem remédios capazes de curar a doença, mas os fármacos disponíveis atualmente contribuem para o controle da carga viral e, consequentemente, da evolução da doença. A recomendação da OMS é que todos façam os testes disponíveis anualmente. 

Já em relação à hepatite C, os medicamentos disponíveis são altamente eficazes, com poucos efeitos colaterais e uma taxa de cura da doença maior que 95%.

Formas de prevenção

De acordo com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), do Ministério da Saúde, as formas de prevenir hepatite B ou C incluem não compartilhar objetos perfurocortantes — como seringas, agulhas e alicate de unha — e não passar por procedimentos invasivos (tratamentos dentais, confecção de tatuagem, hemodiálise e cirurgias) sem os devidos cuidados de biossegurança. 

Além disso, é essencial não compartilhar escovas de dentes ou lâminas de barbear e depilar, pois são materiais de uso individual, e colocar camisinha nas relações sexuais. 

É preciso ainda certificar-se de que os materiais sejam descartáveis e esterilizados adequadamente ao colocar piercing, realizar tatuagem ou utilizar serviços como manicures, pedicures, barbearias e podólogos. 

Em relação à prevenção das hepatites A e B, a melhor estratégia é a vacina. As doses são disponibilizadas nas salas de vacinação de todo o país. Segundo o Ministério, elas são altamente eficazes e devem ser aplicadas com esquema completo para ter a máxima eficiência. 

A melhoria da rede de saneamento básico e a adoção de hábitos de higiene — como a limpeza de pratos, copos e talheres, e a lavagem regular dos alimentos consumidos crus e das mãos — são formas importantes de prevenir a contaminação pelas hepatites A e E. 

Isso porque esse contágio acontece pela via fecal-oral, ou seja, por meio do contato entre pessoas ou por água e alimentos contaminados. Esses são agravos que costumam se propagar em locais e regiões com condições precárias ou inexistentes de tratamento de água e esgoto.

Já a hepatite D, também conhecida como Delta, é mais comum na região amazônica. Para infectar uma pessoa, o vírus responsável pela transmissão da doença depende da presença do vírus do tipo B. Assim, as características gerais entre as duas hepatites são parecidas. 

Fatores de risco para a hepatite C 

A SAPS afirma que a hepatite C tem maior taxa de detecção em pessoas acima dos 40 anos ou que apresentem fatores de risco. 

São eles: ter sido submetido a procedimento de hemodiálise; ter diabetes ou hipertensão; ter realizado procedimentos invasivos (estéticos ou cirúrgicos) sem os devidos cuidados de biossegurança; compartilhar objetos para o uso de drogas e estar privado de liberdade. 

Do diagnóstico ao tratamento da epilepsia: cirurgia em hospital SUS devolve esperança para jovem que sofria convulsões

O dia 5 de agosto de 2022 mudou a vida de Brenno Marty, de 20 anos, para sempre. O jovem enfrentava crises de epilepsia há mais de quatro anos, causadas por um tumor no cérebro. Remédios pesados faziam parte da rotina, mas sem resultados. Foi após ler uma notícia na internet, em uma das madrugadas em claro para cuidar do filho que havia tido mais uma convulsão, que a mãe Alessandra Radulski descobriu: a solução para o problema dele poderia ser cirúrgica e realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Meses depois, Brenno saía da sala de cirurgia do Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba (PR), pronto para um novo começo.

“Quando me deparei com a notícia de que uma paciente havia retirado um tumor cerebral num hospital curitibano, foi  uma luz para mim”, conta a mãe do jovem. O texto citava uma cirurgia realizada no Hospital Marcelino Champagnat e trazia o nome do neurocirurgião Carlos Alberto Mattozo, que, de imediato, foi procurado pela mãe de Brenno. “A ressonância magnética apontou a existência de um tumor numa região profunda do cérebro e, apesar de ser pequeno, decidimos pela retirada dele para cessar as crises de convulsões”, explica o médico que atua nos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru.

Mapeamento do cérebro

Uma descarga elétrica entre os neurônios mais duradoura que as habituais provoca o ataque epiléptico, que pode ser identificado por meio de um eletroencefalograma com mapeamento cerebral. No caso de Brenno, o procedimento foi o melhor caminho para o diagnóstico preciso antes da cirurgia. “Acessamos o cérebro do Brenno por meio de sensores, que logo acusaram uma atividade epiléptica e permitiram identificar o local exato desse disparo elétrico: o tumor”, detalha Mattozo.

A capacitação das equipes médicas e a estrutura hospitalar da instituição que tem atendimento 100% SUS tornaram realidade a cirurgia complexa de Brenno. “Para que o procedimento alcançasse um resultado satisfatório, diferentes especialistas estiveram envolvidos. Além da nossa equipe permanente do Hospital Universitário Cajuru, tivemos a participação de uma neurologista e de uma técnica de eletroencefalograma”, conta o neurocirurgião. O uso da tecnologia computadorizada permitiu a quantificação dos resultados na forma de imagens. Além disso, o procedimento não é invasivo para o paciente, e sim, realizado em até 30 minutos, com imagens topográficas dos focos epilépticos.  

Do diagnóstico ao novo começo

Receber o diagnóstico de epilepsia não é fácil, mas conviver com os sintomas é ainda mais difícil. A doença acomete 2% da população brasileira e afeta em torno de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Brenno fazia parte dessa estatística ao sofrer de uma das doenças neurológicas mais comuns. Durante as convulsões, as células nervosas se comportam de forma anormal e exagerada, o que leva à perda da consciência, a movimentos involuntários dos músculos, náuseas e vômitos. 

As frequentes convulsões provocadas pela epilepsia impediam que o jovem tivesse uma rotina normal desde os 16 anos. “A insegurança me limitava e fazia parte da minha vida”, confidencia. Agora, após a cirurgia, o momento é de voltar a sonhar. Para Brenno e sua mãe, a operação foi o ponto de partida para uma nova esperança de cura. Começar uma faculdade, procurar um emprego e sair com os amigos são alguns dos planos que ele começou a fazer ainda no hospital. “Saber que posso ter minha vida de volta me deixa muito feliz e pronto para traçar novos objetivos”, conta, emocionado.