Ministro da Saúde diz que há excesso de vacinas no Brasil

Com a antecipação da aplicação da segunda dose travada em ao menos seis estados do país, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, comemorou a logística de distribuição do governo federal e disse que há “excesso de vacinas” no país.

Além dos estados que não tem imunizante para antecipar a segunda dose, há ainda aqueles que tiveram de atrasar o intervalo entre aplicações por falta de vacina. Ainda assim, Queiroga negou nesta quarta (15) que haja problemas de distribuição.

“Há excesso de vacina na realidade, o Brasil já distribuiu 260 milhões de doses, 210 milhões já aplicadas”, disse o ministro, sem explicar porque há unidades com federação sem doses disponíveis para seguir o calendário vacinal.

Queiroga esteve em São Paulo na manhã desta quarta para receber um novo lote de vacinas da Pfizer que serão enviadas aos estados. Em entrevista, ele negou que haja problema de entrega da AstraZeneca.

“Precisa acabar com essas narrativas de falta de vacina. Isso não é procedente, o Brasil vai muito bem. O Brasil já é dos países que mais vacina no mundo”, disse Queiroga.

Com o lote que chegou nesta quarta, o ministro comemorou ter concluído a entrega de 260 milhões de doses aos estados brasileiros, o que garante, segundo a pasta, a vacinação de todos os brasileiros acima de 18 anos. A entrega ocorre quase nove meses após o início da vacinação no país.

Ainda assim, o ministro afirmou que a velocidade de entrega do país é um “sucesso”. Ele também elogiou o trabalho de seu antecessor, Eduardo Pazzuelo, por ter firmado a maior parte dos contratos de compra de vacina.

Apesar de ter dito que há “excesso de vacina” no Brasil, Queiroga diz que estados que não seguirem o Plano Nacional de Imunização, ou seja anteciparem a aplicação em alguns grupos, poderão ter dificuldade de seguir o cronograma vacinal.

Ainda que tenha negado o problema de entrega, Queiroga disse que, se houver “eventual carência” de AstraZeneca para a segunda aplicação, os estados podem recorrer à utilização da Pfizer.

Secretarios de saude já tomaram essa decisão e pediram para que o Ministério da Saúde apoiasse tecnicamente a combinação de vacinas, o que não foi feito até agora.

“Se não houver Astrazeneca, a intercambialidade [de vacinas] pode ocorrer, ainda que não haja recomendação do PNI, que acontecerá no momento adequado”, disse o ministro.

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Gravidez após os 40 é sempre de risco?

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020 mostram que houve um aumento no número de mulheres que deram à luz após os 40 anos de idade no Brasil. De acordo com a pesquisa, a alta de partos foi de 57% para gestantes entre os 40 e 44 anos, de 27,2% dos 45 aos 49 e de 55% para aquelas com mais de 50 anos.

Embora esse cenário esteja sendo cada vez mais comum no Brasil, especialistas da área da ginecologia e obstetrícia alertam que uma gestação tardia pode oferecer algumas atribulações para o desenvolvimento do embrião. Segundo o guia “Gestação de alto risco” desenvolvido pelo Ministério da Saúde, uma das causas que podem fazer com que uma mulher tenha uma gravidez de risco é a idade maior que os 35 anos. 

Por esse motivo, um acompanhamento médico especializado torna-se indispensável para direcionar a mãe aos cuidados necessários para minimizar as chances de problemas para o bebê.

O que torna a gravidez aos 40 anos de risco 

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, um dos motivos que fazem com que mulheres com mais de 40 anos estejam na classificação de risco é a diminuição dos óvulos, o que por sua vez pode aumentar a chance de abortos espontâneos ou problemas no nascimento. 

Além disso, a fundação também pontua que conforme a mulher vai envelhecendo, crescem as chances para condições como obesidade, pressão alta, tireoide e diabete, por exemplo, todas potenciais complicadoras de gestação. 

Quais são os riscos de uma gravidez tardia

As enfermidades que acometem as mulheres a partir dos 40 anos de idade podem causar impactos à saúde da mãe e ao desenvolvimento do bebê. 

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, há chances de ocorrer um parto prematuro, anomalias placentárias, Síndrome de Down, crescimento intra-uterino restrito, gestações múltiplas, aborto espontâneo e natimortalidade. 

Já em relação à saúde da mãe, é possível haver diabete gestacional, hipertensão e ainda complicações no trabalho de parto devido à falta de contrações e dilatações. 

Cuidados evitam complicações

As recomendações do Ministério da Saúde, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Fundação Oswaldo Cruz acerca das gestações após os 40 anos são as mesmas e trazem o alerta da importância do acompanhamento médico durante todo o processo. 

O planejamento da gravidez é essencial, pois, segundo as entidades, antes mesmo de iniciar as tentativas, deve-se buscar por orientações profissionais para verificar a existência de possíveis fatores de risco. A partir da análise, é possível ter uma noção da necessidade de medicamentos e da realização de testes durante toda a gestação. 

O pré-natal é indispensável para as mães aos 40 anos ou mais. Conforme salienta o guia elaborado pelo Ministério da Saúde, o acompanhamento regular ajuda a prevenir e diminuir os riscos para as gestantes e para os bebês. Durante o processo, a mulher recebe atualizações sobre o andamento da gestação e as atitudes que deve tomar para obter mais qualidade de vida para si própria e para o feto.  Segundo a Febrasgo, manter uma rotina saudável, livre de doenças sexualmente transmissíveis, sem oscilação de peso e uso abusivo de álcool é essencial para minimizar a presença de mais riscos durante a gestação.

Adultos também precisam de diversas vacinas

Vacina não é um cuidado para se ter apenas com crianças e idosos. É fundamental que adultos também mantenham o calendário vacinal em dia para o controle de doenças endêmicas (que podem voltar de tempos em tempos), como os casos recentes de sarampo e febre-amarela. 

A recomendação do Ministério da Saúde é que adultos não deixem de atualizar sua carteira de vacinação, compareçam ao posto de saúde mais próximo e se certifiquem de que estão com as imunizações em dia. Em caso de dúvida, o indicado é conversar com um médico sobre o assunto.

Um indivíduo está suscetível a infecções por bactérias ou vírus em todas as fases da vida. Esses agentes infecciosos, quando não combatidos e prevenidos por meio de campanhas de vacinação, podem causar inúmeros problemas. 

Conforme dito à imprensa pelo infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as vacinas contra bactérias são desenvolvidas para controlar surtos epidemiológicos. Já as contra vírus costumam ser aplicadas durante a vida toda, com algumas doses de reforço para garantir que a doença não retorne. 

Postos de saúde contam com imunizantes direcionados a cada grupo. Para adultos, o Ministério da Saúde orienta doses contra hepatite B, difteria e tétano, tríplice viral e febre-amarela. Já para idosos, a recomendação inclui hepatite B, difteria e tétano, pneumocócica 23-valente e influenza. Existem, ainda, os disponíveis em clínicas particulares fora da faixa etária oferecida pelo serviço público, como a vacina contra o HPV. 

Hepatite B

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a hepatite B é ministrada em três doses para pessoas que não foram imunizadas ao longo da infância ou que nunca tiveram a doença. É preciso tomar a segunda dose um mês depois  da primeira, e a terceira seis meses após a segunda.

Tríplice bacteriana: difteria, tétano e coqueluche

A vacina tríplice bacteriana, que atua contra difteria, tétano e coqueluche, é administrada durante a infância. Na adolescência e na vida adulta, é necessário receber o reforço com a vacina dupla (atuante contra difteria e tétano) a cada 10 anos.

Tríplice bacteriana na gestação

A vacina também é indicada para gestantes no último semestre da gravidez. A imunização deve ser feita em cada gestação, já que o intuito é proteger tanto a mãe quanto o bebê — que apenas completa sua imunização individual contra as doenças da tríplice depois dos seis meses de vida, quando toma a terceira dose da vacina DPT.

Tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola

A vacina tríplice viral, que age contra sarampo, caxumba e rubéola, também integra o caderno de vacinação infantil. Todavia, para aqueles que não a tomaram quando criança, é indicado receber a dose quando adulto.

O esquema vacinal funciona da seguinte forma: para pessoas de 20 a 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de 30 dias entre elas. Já para adultos de 30 a 59 anos, a recomendação é uma dose.

Gripe

A vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, é disponibilizada para a população anualmente. É recomendado que todos sejam imunizados, exceto bebês com menos de 180 dias e indivíduos que tiveram alergia grave em relação às doses dos anos anteriores.

Covid-19

Atualmente, é indicado tomar três doses da vacina contra o coronavírus para completar o esquema vacinal. A aplicação da quarta dose tem acontecido gradualmente conforme a faixa etária. 

HPV

A imunização contra o HPV ou papilomavírus humano é disponibilizada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para pessoas de 9 até 26 anos, incluindo pessoas imunossuprimidas.

Em clínicas particulares, a vacina quadrivalente está disponível para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e para meninos e homens de 9 a 26 anos. 

O esquema vacinal é composto por três doses. A segunda delas deve ser aplicada dois meses depois da primeira, e a terceira, seis meses após a primeira aplicação.

Herpes-zóster

A vacina contra herpes-zóster (popularmente conhecida como cobreiro) é licenciada em uma dose para indivíduos a partir dos 50 anos. O imunizante está disponível somente em serviços privados de vacinação.

Febre-amarela

A vacina contra a febre-amarela pode ser tomada em qualquer fase da vida adulta. Quem vai viajar para áreas onde existam muitos casos da doença deve se imunizar dez dias antes do embarque. 

A princípio, a vacina é aplicada em dose única. Pelo risco de falha vacinal, contudo, uma segunda dose pode ser recomendada dez anos depois da primeira.

Esse imunizante é contraindicado para gestantes e para quem estiver amamentando.