Lula Silva Propõe Mediação em Conflitos Internacionais em Encontro com Trump
Kuala Lumpur – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua intenção de atuar como mediador no conflito entre Ucrânia e Rússia durante uma coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (27/10), na Malásia. A declaração ocorre após um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Retomada da Mediação na Guerra da Ucrânia
Lula comentou sobre a mediação, dizendo: “Qualquer dia vou dizer para ele que a gente pode resolver essa guerra da Rússia e Ucrânia.” O entusiasmo do presidente brasileiro foi evidente após a receptividade de Trump em relação ao tema. A iniciativa não é nova para o governo Lula, que desde o início do terceiro mandato busca uma solução para o conflito que se estende desde 2022.
O desejo por uma mediação também está ligado ao interesse do Brasil em ser membro do Conselho de Segurança da ONU. Apesar das tentativas de Lula, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou em maio que “perdeu a confiança” no governo brasileiro devido a posições interpretadas como favoráveis à Rússia.
Relações e Desafios na Mediação
O Brasil mantém uma relação mais próxima com Moscou, sendo parte do bloco BRICS e mantendo negócios na área de combustíveis. A presença de Lula em Moscou, durante a celebração dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista, foi um fator decisivo para a exclusão do Brasil como potencial mediador aos olhos da Ucrânia.
No entanto, a aproximação com Trump pode abrir novas oportunidades. Os Estados Unidos são um dos principais apoiadores da Ucrânia na guerra contra a Rússia, com significativo aporte de armamentos e recursos financeiros. A Casa Branca tem manifestado interesse em encontrar uma solução para encerrar o conflito, diante da redução da disposição para continuar enviando ajuda financeira.
Mediação no Conflito com a Venezuela
Além do conflito ucraniano, Lula também se mostrou disponível para mediar a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela. O governo americano planeja uma intervenção no país sul-americano, com a alegação de combater cartéis de tráfico de drogas que operam na região.
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que “o presidente Lula levantou o tema, disse que a América Latina e a América do Sul, especificamente, é uma região de paz, e ele se prontificou a ser um contato, um interlocutor — como já foi no passado — com a Venezuela para se buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis.”
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