Lula confirma que será candidato em 2022 em entrevista à revista francesa

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou pela primeira vez que é pré-candidato à eleição de 2022 após ter recuperado os direitos políticos por decisão do Supremo Tribunal Federal. “Serei candidato contra Bolsonaro”, disse Lula à revista francesa Paris Match.

“Se estiver na melhor posição para ganhar as eleições e estiver com boa saúde, sim, não hesitarei”, disse o ex-presidente, questionado se será candidato no ano que vem. “Penso que fui um bom presidente. Criei laços fortes com a Europa, América do Sul, África, Estados Unidos, China, Rússia. Sob meu mandato, o Brasil tornou-se um importante ator no cenário mundial, notadamente criando pontes entre a América do Sul, África e os países árabes, com o objetivo de estabelecer e fortalecer uma relação entre países do Hemisfério Sul e demonstrar que o predomínio geopolítico do Norte não era imutável.”

Na terça-feira, Lula usou o Twitter para fazer afagos ao Centrão e até fazer comentários elogiosos sobre adversários políticos, como Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Ciro Gomes (PDT).

Também falou de bandeiras que defende para o Brasil, mas ainda sem citar uma eventual candidatura.

“Semana passada em Brasília falei com mais de 60 políticos, de vários partidos. Semana que vem vou conversar com os movimentos sociais, intelectuais e com o movimento sindical. Quero conversar muito. Quem faz política conversa. Dono da verdade, carrancudo, não serve para política”, escreveu o ex-presidente.

Em abril, o STF decidiu derrubar as condenações impostas pela Operação Lava Jato ao ex-presidente. O plenário manteve a decisão do relator da Lava Jato, Edson Fachin, que considerou no mês passado que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para investigar Lula, já que as acusações levantadas contra o ex-presidente não diziam respeito diretamente ao esquema bilionário de corrupção na Petrobras investigado pela operação.

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Mercado de Carbono no Paraná: conheça as oportunidades e iniciativas

O mercado de créditos de carbono é assunto de relevância mundial desde o estabelecimento do Protocolo de Kyoto, em 1997, pois determina diversas questões ambientais e de mudanças climáticas. No Brasil, esse mercado foi oficializado no último dia 19 de maio, através do Decreto Federal nº 11.075, que inclui procedimentos para a elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas e institui o Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Segundo estudo da WayCarbon e IPCC, realizado em 2021, o Brasil pode gerar até 100 bilhões de dólares em crédito de carbono até 2030, o equivalente a 1 bilhão de toneladas de CO2. “São mais de 14.500 projetos de crédito de carbono ao redor do globo e o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37,5% da demanda global do mercado voluntário, além de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado no âmbito da Organização das Nações Unidas”, aponta Carlos Alberto Cioce Sampaio, professor do Mestrado em Governança e Sustentabilidade o ISAE Escola de Negócios.

Entre as oportunidades para alavancar a cadeia produtiva sustentável brasileira, o especialista destaca os setores agropecuário, de florestas, de energia, de transporte e da indústria. “Agricultura regenerativa, florestas em pé e recuperadas, bioprodutos, biocombustíveis, tecnologias de hibridização e eletrificação de veículos, além da transição para a Indústria 4.0, são algumas perspectivas decorrentes da aplicação de estratégias de baixo carbono”, explica.

Contudo, para que o Brasil possa acessar as oportunidades do mercado de carbono global, é necessário destravar recursos financeiros para planos de recuperação econômica e aceleração do crescimento sustentável da economia nacional, incluindo ações em todos os estados da federação.

No Paraná, por exemplo, Sampaio sugere três oportunidades de iniciativas. “Restauração das áreas de preservação permanente (APP) de produtores familiares localizados na Mata Atlântica; utilização de biocombustíveis e o biogás, a partir de grandes quantidades de resíduo orgânico, como as dos setores alimentícios e de saneamento ambiental; e tecnologias de hibridização associadas ao ganho de eficiência disruptiva são algumas das ações que o Estado já pode implementar em benefício do mercado de carbono nacional”, complementa.

Bolsonaro é eleito personalidade do ano por voto popular na revista Time

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi escolhido em votação popular a personalidade do ano de 2021 “para melhor ou para pior” da revista americana Time.

Esta não é a tradicional eleição de personalidade do ano feita pela revista, mas uma etapa anterior, onde os leitores escolhem o nome mais influente. O homenageado eleito pelos editores da revista será divulgado no próximo dia 13, de acordo com a publicação. No ano passado, os democratas recém-eleitos para a Presidência e Vice-presidência dos EUA, Joe Biden e Kamala Harris, foram escolhidos como personalidades do ano pelos editores da revista.

“Dos mais de 9 milhões de votos dados pelos leitores a quem eles acreditam que é a pessoa ou o grupo que teve mais influência neste ano –para melhor ou para pior–, Bolsonaro recebeu 24% do total”, divulgou a revista Time nesta terça-feira (7).

A Time destacou que Bolsonaro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal pelos comentários feitos em 24 de outubro sem base na realidade de que a vacina contra a Covid-19 pode aumentar a chance de contrair o vírus da Aids.

A revista também ressaltou que o presidente foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado que o acusou de uma série de crimes no combate à pandemia, que já matou mais de 600 mil pessoas no Brasil.

Bolsonaro foi eleito na votação popular da revista após forte mobilização de apoiadores em redes sociais e aplicativos de mensagens como o WhatsApp e o Telegram, que pediam votos ao mandatário e destacavam a facilidade em registrar a escolha, já que o sistema da Time não exigia cadastro para a votação.

Em grupos de WhatsApp de bolsonaristas acompanhados pela reportagem, muitos admitiam terem votado várias vezes. “Eu votei umas dez vezes”, disse um, de nome Claudio.

O próprio presidente chegou a pedir votos aos eleitores em suas transmissões em vídeo exibidas em redes sociais. “Agora, em 2021, estamos liderando. Agradeço quem votou em mim. Quem não votou peço que entre lá no site da Time e vote”, disse.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump ficou em segundo lugar na votação, com 9% dos votos –a revista também destacou que o republicano incentivou a invasão do Capitólio dos Estados Unidos e que tentará se candidatar novamente à presidência em 2024.

Na sequência dos nomes mais lembrados pelos leitores da Time, estão trabalhadores da linha de frente da saúde (com 6,3% dos votos), o opositor russo Alexei Navalni (6%) e os cientistas que ajudaram a desenvolver as vacinas contra a Covid-19 (5,3%).

No ano passado, a mesma votação popular escolheu os trabalhadores essenciais, incluindo médicos, entregadores e trabalhadores de mercados, como as personalidades do ano por terem “arriscado suas vidas para servir o público durante o pico da pandemia”, segundo a revista.