Lewandowski autoriza estados a vacinar adolescentes contra covid-19

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski decidiu ontem (21) que estados e municípios têm competência para decidir sobre a vacinação de adolescentes maiores de 12 anos contra a covid-19. O ministro atendeu ao pedido de liminar de diversos partidos para retomada da imunização após a decisão do Ministério da Saúde de recomendar a suspensão da aplicação para essa faixa etária. 

Lewandowski entendeu que a decisão da pasta não tem amparo em evidências acadêmicas e critérios estabelecidos por organizações e entidades internacionais e nacionais. O único imunizante autorizado para aplicação em adolescentes é o da Pfizer. 

“A aprovação do uso da vacina Comirnaty do fabricante Pfizer/Wyeth em adolescentes entre 12 e 18 anos, tenham eles comorbidades ou não, pela Anvisa e por agências congêneres da União Europeia, dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, aliada às manifestações de importantes organizações da área médica, levam a crer que o Ministério da Saúde tomou uma decisão intempestiva e, aparentemente, equivocada, a qual, acaso mantida, pode promover indesejáveis retrocessos no combate à covid -19”, decidiu o ministro. 

Na semana passada, o Ministério da Saúde revisou a recomendação de vacinação de adolescentes. Em nota técnica, publicada pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, o ministério passou a recomendar a vacinação apenas para os adolescentes entre 12 e 17 anos que tenham deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

A pasta citou, entre outros argumentos para revisar a recomendação, o fato de que os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos. O ministério alegou ainda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades.

A OMS, entretanto, não afirmou que a imunização de adolescentes não deveria ser realizada. Em vídeo publicado em junho, a organização disse apenas que, neste momento, a vacinação de adolescentes não é prioritária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Saúde reativa quase 500 leitos para pacientes com Covid-19 e H3N2 no Paraná

A Secretaria estadual da Saúde iniciou na sexta-feira (21) o processo de reabertura de novos leitos de enfermaria para atender a demanda de pacientes infectados pelo coronavírus e que precisam de internamento hospitalar.

A decisão foi tomada por conta do aparecimento da nova variante Ômicron e o aumento no número de casos de Covid-19 e também de influenza (H3N2) desde o início do ano. A capacidade de internamentos praticamente será dobrada, passando dos atuais 515 para 1.000 leitos enfermaria, um aumento de mais de 94%. De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, nas últimas semanas, a Central de Regulação de Leitos apresentou uma alta na taxa de ocupação.

“Ao longo desses meses, com a redução da demanda e para atender outros casos, desativamos vários leitos, já que os internamentos haviam chegado a um número baixo. Mas nesses últimos 15 dias vimos os casos da Covid-19 dispararem e não queremos ninguém desassistido”, afirmou.

A reabertura de leitos para Covid-19 será, nesse primeiro momento, direcionada para o Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná, em Londrina, com 15 leitos para receber novos pacientes. Nos próximos dias será a vez do Hospital Santa Casa de Irati (12 leitos), Hospital Universitário de Ponta Grossa (9 leitos) e Hospital Universitário de Maringá (10 leitos). Até ao final do mês está prevista a abertura de pelo menos 485 vagas.

“Aproximadamente mil leitos estarão disponíveis para atender a demanda. No momento, não haverá abertura de leitos UTI, mas estamos monitorando tanto a situação no avanço dos casos de Covid-19 como a epidemia de gripe. Conforme a necessidade, faremos as mudanças necessárias para atender a população”, disse o diretor de Gestão em Saúde, Vinícius Augusto Filipak.

NOVOS CASOS  Desde o início de 2022 foram registrados 167.278 novos casos pela Covid-19. No final do ano passado, o número não ultrapassou 9,4 mil.

A última vez que o Paraná teve registro de mais de 100 mil pessoas infectadas pelo vírus SARS-CoV-2 foi em junho do ano passado, contabilizando 162.523 casos. O número de pessoas com a infecção da H3N2 (um tipo do vírus Influenza A) já chegou a 1.516. Foram registrados 48 óbitos.

298 cidades do Paraná não registram óbitos por Covid-19 há dois meses

Apesar do aumento no número de infecções pela Covid-19 no Paraná, puxadas pela circulação da variante Ômicron, 298 cidades (74,6% do Estado) não registram óbitos pela doença há dois meses (20 de novembro a 20 de janeiro). É como se 3 em cada 4 municípios estivessem sem óbitos nesse período.

Em alguns, como Pinhal de São Bento e Jardim Olinda, as últimas mortes em decorrência do vírus foram registradas em abril de 2021. São 39 cidades há mais de 200 dias sem óbitos e, se a análise baixar para 150 dias, são 113 municípios nessa condição, quase 30% do Estado. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

A queda no número de mortes em todo o Estado é resultado da vacinação em massa. Até o momento, o Paraná tem mais de 70% da população completamente imunizada com segunda dose e dose única. O impacto disso no número de mortes pode ser exemplificado em um comparativo dos períodos. Entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, o número de mortes registradas foi de 5.211. No mesmo período um ano depois, entre 2021 e 2022, foram 566. Nos primeiros 20 dias de janeiro, 71 paranaenses morreram, menor resultado desde abril de 2020.

“Sem a vacina, teríamos perdido a vida de ainda mais paranaenses. Com o avanço da campanha de imunização, conseguimos frear a evolução da doença no Paraná. A queda na mortalidade sem dúvida é reflexo da efetividade e segurança das vacinas”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Até o momento, foram 19.202.935 vacinas aplicadas na população geral, sendo que, destas, 9.106.027 foram destinadas à primeira dose, e 8.434.414 à segunda dose ou dose única. As doses de reforço em idosos e imunossuprimidos já contabilizam 1.177.109 aplicações.

Em relação à dose adicional, para imunossuprimidos que receberam mais uma dose além das duas normais ou dose única, foram 150.236 aplicações. Os dados constam no sistema do Ministério da Saúde, atualizado em tempo real pelos estados, portanto, podem conter algumas divergências.

SALTO – Mesmo com a queda no número de mortes, os casos tiveram um salto no início do ano. Somente nos primeiros dias de janeiro, foram 167.278 infectados, número maior do que o registrado durante o mês todo em 2021, de 119.048 contaminados.

“Com a chegada da variante Ômicron ao Paraná, percebemos a mudança no padrão de contaminação. Estamos diante de algo que é muito difícil de controlar e só estamos conseguindo evitar mais óbitos do que já vínhamos contando, porque temos uma população vacinada”, afirmou o secretário.

ÔMICRON – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Paraná confirmou na quarta-feira (19) à Secretaria de Estado da Saúde, que o índice de predominância da variante Ômicron gira em torno de 85,3%. Dentro de 190 novas amostragens analisadas, 162 positivaram para a cepa, e 28 para a Delta, que era predominante no Estado em 2021.

O relatório de circulação de linhagens do vírus Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19, do Instituto Carlos Chagas, já havia confirmado a predominância da variante no sequenciamento genômico do último sábado (15). A análise considera testes coletados entre 3 e 9 de janeiro deste ano nas quatro macrorregiões do Estado em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).

O primeiro caso da variante Ômicron foi confirmado no Paraná no último dia 12, um paciente de 24 anos residente em Curitiba, com caso confirmado para a Covid-19 em dezembro.

Confira o levantamento completo AQUI .