EUA vão partilhar até 60 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca

A Casa Branca anunciou que os Estados Unidos (EUA) vão partilhar com outros países vacinas contra a covid-19 da AstraZeneca nos próximos meses. O presidente Joe Biden prometeu ao primeiro-ministro indiano, Norendra Modi, apoio no combate à pandemia.

Até 60 milhões de doses da vacina poderão ser disponibilizadas a outros países logo que as autoridades sanitárias norte-americanas derem luz verde ao produto. É uma espécie de expansão do plano inicial de partilha de cerca de 4 milhões de doses com o México e o Canadá.

A vacina da AstraZeneca ainda não foi aprovada pela autoridade que regula os medicamentos nos Estados Unidos, a FDA. No entanto, o governo tem milhões de doses armazenadas e outras em fase final de produção. 

Os Estados Unidos terão reservas e encomendas para vacinar toda a população norte-americana elegível até o início do verão com doses da Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson, as vacinas que já têm aprovação de uso no país.

“Considerando o forte portfólio de vacinas que os EUA já possuem, e que foram autorizadas pela FDA, e dado que a vacina da AstraZeneca não está autorizada para uso nos EUA, não precisamos de usar esse produto aqui durante os próximos meses”, disse Jeff Zients, coordenador do Plano de Combate à Covid-19 da Casa Branca. Andy Slavitt, um dos conselheiros do plano, anunciou a decisão nas redes sociais.

De acordo com os mais recentes dados oficiais, mais de 53% dos adultos nos EUA já receberam pelo menos uma dose da vacina.

“Assim, os Estados Unidos estão a procurar opções para compartilhar as doses da AstraZeneca com outros países à medida que elas ficarem disponíveis”. Isso equivale a um primeiro lote de 10 milhões de vacinas e depois mais 50 milhões de doses, que ainda estão em produção.

A Casa Branca tem sido alvo de acusações de monopolização de vacinas, enquanto outros países estão em necessidade urgente. Os críticos citam ainda o caminho perdido na “diplomacia das vacinas”, enquanto Rússia e China apostam numa política internacional “agressiva” de doação de vacinas.

De acordo com dados oficiais recentes, mais de 53% dos adultos nos EUA já receberam pelo menos uma dose da vacina.

Joe Biden falou ao telefone com o primeiro-ministro indiano Norendra Modi. Ele manifestou preocupação com as dificuldades do governo indiano no combate à pandemia e prometeu apoio. “O presidente prometeu apoio inabalável da América ao povo indiano”, disse a Casa Branca, em comunicado que relata a conversa telefônica entre os dois líderes.

* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

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Covid: Perguntas e respostas sobre a vacinação de gestantes e pessoas com comorbidades

Seguindo o Plano Estadual de Vacinação Contra a Covid-19, gestantes, puérperas, pessoas com comorbidades e deficiência permanente grave são parte do grupo prioritário de imunização. Estes públicos estão elencados logo após os idosos com mais de 60 anos, idosos institucionalizados, trabalhadores de saúde e indígenas e quilombolas.

O Paraná possui 1.328.677 pessoas com comorbidades, gestantes e puérperas, todos de 18 a 59 anos, segundo o levantamento nacional. O Estado também conta com 400.682 pessoas com deficiência permanente grave. De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, foram incluídas nesta etapa as pessoas renais crônicas em terapia de substituição renal (diálise) e pessoas portadoras da síndrome de down.

A vacinação para esses grupos começará nesta semana, com a 16ª Pauta de Distribuição de vacinas do governo federal. Os primeiros imunizados receberão doses da Covishield, fabricada pela parceria entre Fiocruz/Oxford/AstraZeneca. A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Maria Goretti David Lopes, esclarece algumas questões sobre esta nova etapa de vacinação.

Quando começa efetivamente a vacinação contra a Covid-19 nestes grupos?

O Estado já recebeu a primeira remessa para estes grupos e está em processo de divisão para todas as Regionais de Saúde, que farão a distribuição para seus municípios de abrangência. Encerrada esta etapa de logística e transporte, a vacinação será imediata.

Quais são os critérios para vacinação contra a Covid-19 nestes grupos?

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), definiu o processo de vacinação de pessoas com comorbidades em duas fases. Dependendo da chegada de doses de vacinas, os estados vão avançando etapas.

Na fase I serão vacinados, proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponível, pessoas com síndrome de down de 18 a 59 anos; pessoas com doença renal crônica em diálise, de 18 a 59 anos; gestantes e puérperas com comorbidades, com idade igual ou maior que de 18 anos; e pessoas com deficiência permanente grave, com BPC (Benefício de Prestação Continuada), de 18 a 59 anos.

Na fase II, proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponível, as faixas de idade de 50 a 54 anos, 45 a 49 anos, 40 a 44 anos, 30 a 39 anos e 18 a 29 anos de pessoas com deficiência permanente grave; gestantes e puérperas independentemente de condições pré-existentes; e pessoas com comorbidades.

Quais doenças são consideradas “comorbidades” para a vacinação?

Diabetes, hipertensão, cardiopatias, pneumopatias, obesidade, anemia falciforme, portadores de HIV/Aids, asma, entre outras doenças crônicas.

A vacinação contra a Covid-19 será realizada por faixa etária nestes grupos?

Sim. A vacinação contra a Covid-19 está sendo realizada em pessoas acima de 18 anos porque as vacinas disponíveis até então (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer) foram testadas no público adulto. Ainda não é recomendada a vacinação em menores de idade.

Quais documentos o público destes grupos deve apresentar para ter direito?

Os crônicos renais deverão ser vacinados diretamente nas clínicas em que essas pessoas realizam o tratamento de diálise. Portadores de síndrome de down também têm um cadastro no Paraná e as gestantes e puérperas, na sua maioria, são atendidas nas Unidades Básicas de Saúde e tem seu cadastro no pré-natal. Aqueles que por algum motivo não tiverem sido pré-cadastrados em programas relacionados à sua doença ou condição deverão apresentar documentação comprobatória, como, por exemplo, exames, receitas, recomendação e relatório médico etc. Paralelamente poderão ser utilizados os cadastros já existentes nas Unidades de Saúde em todo o Estado, para facilitar este processo na hora da pessoa receber a vacina.

A pessoa precisa obrigatoriamente levar comprovação de recomendação para vacinação contra a Covid-19?

Aqueles que não têm exame comprobatório em sistema público devem apresentar documentação médica.

Quem está no grupo de comorbidades e já teve Covid-19 tem de se vacinar?

Sim. Vale a regra geral. Quem já teve a doença dever ser vacinado 30 dias após o início dos sintomas.

Gestante corre risco tomando a vacina contra a Covid-19?

Todas podem tomar a vacina. A Secretaria de Saúde recomenda uma discussão sobre a questão com o médico para verificar se não há contraindicação de acordo com a condição específica. De modo geral o Programa Nacional de Imunizações (PNI) já enviou por escrito, por meio de Informe Técnico, garantia de que não há evidência de problema relacionado à imunização durante a gestação.

Existe um período indicado de gestação para vacinação contra a Covid-19?

Não há indicação de período gestacional. As grávidas estão autorizadas a receber a vacina independente do tempo de gravidez. Prioritariamente serão vacinadas grávidas com comorbidades e depois as demais.

Mulheres vacinadas contra a Covid-19 que amamentam imunizam automaticamente os bebês?

Não há evidência científica para afirmar isso.

Há contraindicações de vacinação contra a Covid-19 em gestações de risco?

É necessário avaliar qual é o risco da gestação. A Secretaria da Saúde ressalta que vale a pena a gestante discutir com o médico responsável pelo acompanhamento da sua gestação para saber se deve ou não tomar a vacina.

Puérperas podem continuar amamentando após a vacinação contra a Covid-19?

Sim. Não há contraindicação em relação à amamentação.

Esses grupos podem tomar qualquer vacina?

Não há contraindicação relacionada a qualquer imunizante disponibilizado no Brasil. 

Morre Paulo Gustavo aos 42 anos, vítima da covid-19

Ator, humorista, diretor e roteirista, Paulo Gustavo morreu nesta terça-feira, 4, aos 42 anos em decorrência de complicações da covid-19. Paulo Gustavo estava internado desde o dia 13 de março, em um hospital no Rio de Janeiro – ele foi intubado menos de 10 dias depois da internação.

O ator, que passou a maior parte do tratamento em estado muito grave, havia apresentado alguma melhora no fim de semana. Na segunda-feira, 3, porém, ele teve uma embolia, insuficiência cardíaca e lesões cerebrais devido a uma fístula broncovenosa, uma espécie de abertura entre os pulmões e as veias.

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1978. Ele pertence a uma geração de comediantes que se formaram na Casa de Artes de Laranjeira, a CAL, no Rio, como Fábio Porchat e Marcus Majela, entre outros. Seu primeiro sucesso aconteceu em 2004 quando, na peça Surto, apresentou a personagem que marcaria sua carreira, Dona Hermínia. No ano seguinte, após se formar na CAL, passou a integrar o elenco de Infraturas, mas o grande reconhecimento de público veio em 2006 com o espetáculo Minha Mãe é uma Peça, que rendeu três adaptações para o cinema (2013, 2016 e 2019), que conquistaram enorme bilheteria.

Dona Hermínia surgiu como uma brincadeira, quando ele imitava a própria mãe e os colegas morriam de rir. Trata-se de uma típica dona de casa que, sempre à beira de um ataque de nervos, toma as atitudes mais engraçadas. Além de inspirar a peça, tornou-se um dos personagens fixos do programa de TV 220 Volts, no canal Multishow.

Foto: Globo/Victor Pollak

Não foi fácil transpor de uma mídia para outra e ainda preservar o sucesso. A mãe da peça era diferente em relação à que aparece na tela. “Mudamos tudo, a maquiagem, o gestual, até essa coisa de o ex-marido e os filhos aparecerem, o que não se dá nem na peça nem na TV. É outra coisa, realmente”, contou Paulo Gustavo ao Estadão, em 2013.

Paulo Gustavo dizia que devia tudo à mãe, às tias. “Meu avô dizia que, por baixo daqueles vestidos, elas eram todas homens”, comentou, com uma risada escandalosa.

A transformação do teatro para o cinema, aliás, foi uma decisão pessoal. “No filme Divã, eu era ator contratado. Fiquei de bico calado. Fazia o cabeleireiro da personagem de Lília Cabral. Aqui, a personagem é minha, o filme é meu. Palpitei em tudo. O roteiro é do Fil Braz e meu. Mas o André (Pellenz, diretor) sabe tudo de cinema. Essa coisa do ritmo, da edição, tudo o que se refere ao visual, ao cenário, André é fera.”

Voltando à sua trajetória, Paulo Gustavo protagonizou outra peça em 2010, Hiperativo, dirigido por Fernando Caruso – o título descrevia bem sua personalidade.[8] No ano seguinte, assumiu a apresentação do programa 220 Volts e, em [9]junho de 2013, ainda no Multishow, estreou o sitcom Vai que Cola, que também ganhou uma adaptação para o cinema, em 2015.

Mas o estrondoso sucesso de Minha Mãe é uma Peça nas telonas o convenceu a voltar para uma terceira parte – e o público comprovou que não estava cansado da personagem. Na época do lançamento, Paulo Gustavo disse ao Estadão que gostaria de atingir um público maior com Minha Mãe 3. “Não me importo de fazer mais, nem temo a concorrência. Já enfrentamos Star Wars no passado e Frozen. Qual era o Star Wars? Ah, sei lá. Nossos números são grandes, mas deveria haver reserva de mercado para a produção nacional. Os filmes grandes atraem público e as pessoas sabem que vão se divertir com D. Hermínia. Mas há filmes menores que também têm de ter espaço. O público precisa se conscientizar disso, o mercado também.”

Criado em uma família de classe média no Rio, Paulo Gustavo nunca teve problema com sua sexualidade, desde jovem. Em dezembro de 2015, casou-se com o dermatologista Thales Bretas e, quatro anos depois, nasceram os filhos Romeu e Gael, nascidos de diferentes barrigas de aluguel.