Na última quinta-feira (9), Dina Boluarte foi destituída da Presidência do Peru, encerrando seu breve mandato iniciado em dezembro de 2022. Primeira mulher a ocupar o cargo, Boluarte prometeu combater a corrupção e restaurar a estabilidade em um país marcado por crises políticas e sociais. No entanto, a desconfiança pública e investigações judiciais a cercaram ao longo de sua gestão.
Instabilidade Política
Com 93% de desaprovação popular, segundo pesquisa da Datum Internacional, Dina Boluarte deixou o cargo sob acusações de “incapacidade moral permanente” e falhas no combate ao crime organizado. Sua saída é mais um capítulo de instabilidade no Peru, que teve seis presidentes nos últimos sete anos.
Trajetória Profissional
Natural de Chalhuanca, uma área predominantemente indígena do Peru, Boluarte construiu sua carreira na advocacia e na função pública. Formada pela Universidad de San Martín de Porres, foi líder do Registro Nacional de Identificação e Estado Civil, órgão responsável pela identificação dos peruanos. Sua incursão na política começou tímida, com tentativas frustradas em 2018 e 2020, até conseguir uma vitória como vice na chapa de Pedro Castillo em 2021, onde atuou como ministra do Desenvolvimento e Inclusão Social.
Desafios no Governo
Assim que assumiu a presidência, Boluarte se viu diante do desafio de reconciliar um Parlamento hostil e acalmar os cidadãos insatisfeitos com a queda de Castillo. Anunciou eleições gerais para abril de 2026, prometendo um governo neutro e imparcial. Porém, sua gestão foi marcada por protestos generalizados e a percepção de inação diante da violência no país. Um evento trágico foi a morte de 17 civis durante um protesto em Juliaca, o que gerou críticas de organizações de direitos humanos sobre o uso de força excessiva.
Investigações e Acusações
O Ministério Público abriu investigações contra Boluarte e outros membros de seu governo por supostos crimes de “genocídio, homicídio qualificado e lesões graves”, relacionados à repressão dos protestos. Mesmo diante dessas acusações, a presidente se recusou a renunciar, afirmando estar comprometida com o país e classificando os manifestantes como “terroristas”.
Movimentos Sociais e Polêmica
Os protestos em várias regiões do Peru incluem a participação de diversos setores da sociedade, como comerciantes e artistas, e são impulsionados pela violência do crime organizado. A insatisfação popular também se intensificou devido a investigações de enriquecimento ilícito e denúncias de uso indevido de bens públicos. Analisando a situação, especialistas ressaltam que Boluarte se afastou de sua base rural de apoio após sua ascensão ao cargo.
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