A Advocacia-Geral da União (AGU) deve submeter hoje, 14 de agosto, sua manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o decreto presidencial que aumenta as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O ato é parte de uma disputa jurídica entre o Poder Executivo e o Legislativo que gerou polêmica e mobilização nas últimas semanas.
Posição do Governo
Na última quinta-feira, 10 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua intenção de manter o aumento do imposto, afirmando que a competência para tais decretos é exclusiva da Presidência da República. “Eu vou manter o IOF. Se tiver um item no IOF que esteja errado, revemos aquele item. Mas o IOF vai continuar”, declarou Lula.
Desenvolvimentos no STF
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, suspendeu em julho os efeitos do decreto e do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que o anulou, exigindo justificativas do Executivo e do Legislativo em um prazo de cinco dias. O Congresso, em sua resposta ao STF, defendeu sua atuação, alegando que derrubou o aumento dentro da legalidade e considerando que o governo utilizou o IOF de forma arrecadatória, o que, segundo os parlamentares, configura desvio de finalidade.
Audiência de Conciliação
Na próxima terça-feira, 15 de agosto, ocorrerá uma audiência de conciliação no STF, mediada por Moraes, com a presença de representantes do Executivo e do Legislativo. Durante a audiência, o governo está preparado para defender a constitucionalidade do decreto, enquanto os parlamentares articulam propostas para garantir que a discussão sobre o aumento do IOF seja reavaliada.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou sua participação na reunião e reiterou que o governo acredita firmemente na validade do ato. Essa reunião ocorrerá em um momento crítico, após semanas de intensos debates e descontentamento tanto no Congresso quanto no setor financeiro.
Contexto do Conflito
O embate começou em maio, quando o governo editou o decreto que aumentou as alíquotas do IOF para melhorar a arrecadação e cumprir a meta fiscal. A medida provocou reações adversas no Congresso e no mercado financeiro. Em meio a isso, o governo buscou diálogo e ajustes, mas os parlamentares, insatisfeitos, continuaram a exigir contenção de gastos ao invés de aumentos de impostos. Duas semanas após ajustes, o PDL foi aprovado, resultando no atual impasse legal que será discutido no STF.
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