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5ª edição do Parlamento Universitário termina com jovens engajados para entrar na vida pública – De olho nos deputados


28/07/2023 18h04 | por Jaime S. Martins

Foram quase dez dias de imersão na Assembleia Legislativa do Paraná, onde 76 estudantes universitários puderam conhecer mais sobre o processo legislativo, as funções do dia a dia de uma deputada e de um deputado estadual e, acima de tudo, conhecer mais sobre política.

A 5ª edição do Parlamento Universitário, promovida pela Escola do Legislativo da Assembleia, chegou ao fim nesta sexta-feira (28) com o dever de missão cumprida e com jovens despontando para a vida pública. É assim com o presidente do Parlamento Universitário, o estudante Matheus Oliva (Unicuritiba), que já tem o sangue político correndo nas veias.

Nesta sexta-feira, o avô de Matheus, e também da deputada Anna Clara Oliva (Unicuritiba), acompanhou emocionado a sessão plenária e entregou o desejo do jovem em entrar para a vida pública. O próprio Lucas Oliva, avô de Matheus, foi vereador na cidade de Antônio Olinto. “A gente está aqui com grande emoção, porque eu também já fui político de verdade, vereador de Antônio Olinto, e meu falecido sogro também foi, por três vezes, prefeito de lá. Está no sangue e fico bem emocionado em ver meus netos aqui. O Matheus está seguindo por vontade própria, ninguém da família incentivou a isso, e desejo sorte a ele”, disse Lucas dando uma dica para o neto e também aos jovens que desejam entrar na vida pública. “Que façam a coisa com o coração, a coisa bem feita, porque vale para sempre”.

A deputada universitária Graziela Modesto (Unicuritiba) também tem o desejo de entrar na política e aumentar a representatividade da mulher. “Sempre tive um amor muito grande pela política, desde criança. Sempre defendi as minorias e sempre foi um sonho meu. Estar aqui, como mulher, e sabendo que das 54 cadeiras apenas 10 são ocupadas por mulheres, me trouxe mais vontade de ocupar e fazer a diferença representando as mulheres do Paraná”.

Outro que teve uma visão diferente da política e que pensa na possibilidade de ingressar na vida pública é o estudante de Engenharia Civil na UTFPR, Mateus Pizzatto. Acadêmico de uma área técnica, Mateus ficou surpreso ao ver que na Assembleia Legislativa existem as comissões temáticas, principalmente a de Obras Públicas, e que temas específicos são discutidos pelos parlamentares. “Saio extremamente grato e feliz pela experiência no Parlamento Universitário. Tivemos alunos de diversas universidades e cursos e pudemos fazer diversas conexões. Superou as minhas expectativas no aprendizado e ver a rotina exaustiva dos deputados, que fazem um excelente trabalho. Saio feliz com a experiência enquanto cidadão e acadêmico e irei pensar com carinho no sentido de ser um candidato”.

Assim também imagina o deputado universitário Diogo Wandembruck (Escola Paranaense de Direito). “Muito importante a participação para o desenvolvimento pessoal e futuramente até como político”, relatou. “Consegui aprender muitas coisas, saber como funciona o processo legislativo. Gostaria que todos pudessem ter essa oportunidade, porque é muito engrandecedor como pessoa e cidadão”.

Trabalho

Nem só de “jovens” é composto o Parlamento Universitário. A pluralidade não foi somente nos 14 cursos universitários que integraram o projeto, mas também na idade. Os parlamentares mais jovens foram Christopher Lemke (Unioeste) e Julia Couto (PUC), com 17 anos. Já os mais experientes, com 59 e 46 anos vão levar o aprendizado desse novo desafio para o engrandecimento profissional.

O deputado universitário Dr. Willian (Uninter) tem 59 anos e, por isso, presidiu a sessão de eleição da Mesa Diretora do Parlamento Universitário, conforme determina o Regimento Interno. Ele é servidor da Assembleia Legislativa, trabalha no gabinete do deputado Delegado Jacovós (PL), algo que ele deixou em segredo até os últimos dias de parlamento. Dr. William destacou que agora poderá exercer as suas funções com mais ciência do processo legislativo e das articulações que envolvem as votações dos projetos de lei. “Sempre é tempo de aprender, ter novos desafios. Antes do Parlamento eu assisti a uma sessão da CCJ, a uma sessão plenária e já tive a oportunidade de auxiliar em pareceres e projetos de lei. Hoje a visão é diferente, entendo melhor a composição política e o trabalho que dá para deixar tudo ponto para a sessão”.

Servidora da Secretaria de Estado da Saúde, Michele Martins (FAPAD) tem 46 anos e sai satisfeita pela participação no Parlamento Universitário e pela oportunidade que teve. “Muito feliz e emocionada. Dou os parabéns para toda a Assembleia e, principalmente, para equipe da Escola do Legislativo. Vimos a maioria de jovens universitários e vejo que o programa abrange toda a população. Eu como acadêmica, um pouco mais velha que os outros, estive aqui com a possibilidade de aprender”, relatou. “Atuo na parte de controle interno e fiscalização dos repasses e vai acrescentar muito no meu trabalho”, concluiu.

A primeira-secretária do Parlamento, Alexia Pilotto (Unioeste), também considerou importante todo o processo para a vida pessoal e também profissional. Ela lembra que política se faz no dia a dia e em qualquer profissão. “A articulação que tivemos aqui vem de encontro a qualquer profissão. Você precisa ter uma articulação dentro da questão política e é preciso quebrar esse pensamento de que a política tem que ser feita só por políticos. Ela faz parte da nossa vida, da nossa rotina e precisa ser executada e entendida como tal, quão importante ela é”.

Bandeiras

Assim como qualquer político, os deputados universitários chegaram defendendo as suas bandeiras, a defesa por determinados assuntos. Foi assim com o representante do Norte Pioneiro do Paraná, Arthur Rafael (UENP), que veio com o objetivo de dar mais visibilidade aos pequenos municípios do Paraná. “Minha intenção era chamar a atenção para o interior do estado. Mais de 90% dos municípios são pequenos, com menos de 20 mil habitantes. O Poder Público precisa de uma maior atenção para essas cidades”, defendeu. “Saio com uma gratidão imensa. Foi melhor do que eu esperava. Vou carregar essa bagagem gigante de conhecimento para a vida. As expectativas que eu trazia foram supridas”.

No mesmo sentido, o deputado universitário Pedro Amorim (UFFS) viu no Parlamento Universitário a oportunidade para defender a região onde vive hoje. Ele deixou o litoral paulista há pouco mais de dois anos para cursar Ciências Econômicas em Laranjeiras do Sul. “Antes de vir para o Parlamento já tive que me reinventar. Me mudei para uma região rural para fazer faculdade e, ao invés de trazer as minhas demandas, trouxe as da minha comunidade. Tive que aprender e me adaptar à realidade deles. A região da Cantuquiriguaçu é uma das mais pobres do Paraná e que precisa de visibilidade. Trazer o nome da minha região, da minha universidade, ter essa vivência com os deputados isso não tem preço. Se eu achava que era um ser humano bom, depois dessa experiência estou uma pessoa muito melhor”.

Experiência

Experiência que é comum entre todos os participantes, que levarão para a vida acadêmica e futura vida profissional. Para Kevin de Bourbon (PUC) a “experiência foi incrível. Não tinha visto antes e não fazia ideia de como funcionava. Ainda que fazendo Direito, a gente passa muito pouco pela legislação. A experiência foi engrandecedora”.

Giovanna Almeida cursa Ciências Sociais na UFPR e quase ficou de fora do projeto. Ela entrou em razão da desistência de um dos selecionados pela instituição e disse que se sentiu um pouco “perdida” quando chegou à Assembleia Legislativa, mas depois se sentiu em casa e que não queria ir embora. “Foi uma experiência bem interessante. Quando cheguei me senti um peixe fora d’água porque é um ambiente diferente do que estou habituada. Aqui tive a oportunidade de conviver com pessoas de realidades diferentes da minha, que estudam em áreas diferentes e de aprender muito. Tinha pouquíssima ideia de como funcionava, achei uma experiência maravilhosa. Triste que acabou. Gostaria de ficar aqui mais alguns dias”.

Matheus Barbosa (UEL) leva na bagagem para Londrina uma nova experiência. Ele, que sempre trabalhou no Judiciário, disse que aprender sobre o Legislativo o deixa mais confiante. “Agradeço extremamente a Assembleia, a Escola do Legislativo. Foi uma experiência incrível. Sempre trabalhei no Judiciário e poder aprender a fazer as leis que a gente usa como ferramenta de trabalho no dia a dia tomou uma dimensão que nunca tinha pensado durante os meus estudos acadêmicos. Foi algo que não tive contato na nossa grade curricular. Entrei uma pessoa e saio diferente, certamente mais confiante e ponderado”.

“Foi uma experiência incrível e inovadora”, assim Milena Pereira (Unibrasil) definiu a sua participação. “É abrir uma porta para levar direito para a montanha. Aprendemos muito em ter a visão do que é ser um deputado, estar aqui é de suma importância. Fiquei extremamente feliz em ser presidente da Comissão de Saúde. Foi incrível”.

Poder compreender melhor e julgar as atividades políticas foi a avaliação do estudante de Direito da UEPG, Gabriel Ubaldo. “Como um estudante de Direito a gente vê na prática como as coisas acontecem e ajudou a entender o processo. Como cidadão é poder julgar entendendo o processo. Sabemos a teoria, mas na prática sabemos que não é assim. Acho que é isso que fica para mim como ser humano”.

Para Ariane Zago (Estácio) a experiência foi uma surpresa positiva. “Me ensinou a melhorar as relações interpessoais, a falar de maneira polida e ser mais política. A gente nunca imaginou que era essa a imensidão que o projeto dava. A gente estuda a teoria do constitucional, mas não vive ela. Aqui a gente vive ambas as partes, a pessoa e o constitucional e percebe que o Direito está envolvido em tudo. Aqui me mostrou que o Direito é muito mais do que a gente aprende na escola”.

Assim como para os estudantes, para a coordenação da Escola do Legislativo, o Parlamento Universitário superou as expectativas.

A edição de 2023 foi a primeira realizada após a pandemia da covid-19 e foi uma espécie de “recomeço” do projeto. “Foi uma edição, de certa maneira, diferente das outras. Como a última foi há quatro anos e depois houve a pandemia, percebemos muito essa questão das temáticas que envolvem o momento atual. Achei um Parlamento bastante diverso e que os alunos vieram bastante preparados. Foi muito bacana acompanhar todo esse processo e progresso desses alunos que estão cada vez mais engajados nesse programa que é muito legal”, disse a coordenadora Administrativa da Escola do Legislativo, Francis Fontoura.

A coordenadora pedagógica da Escola do Legislativo, Roberta Picussa, lembrou que o trabalho para que o Parlamento Universitário aconteça começa bem antes, com o contato com as universidades. Responsabilidade que coube a ela executar. Nesta edição houve o número recorde de instituições de ensino superior participantes. “Para que o Parlamento pudesse acontecer, o trabalho da Escola começou antes, no contato com as instituições. Nesse ano tivemos 14 e, para que agora estivessem aqui, foi preciso entrar em contato com os professores, com a coordenação para explicar o projeto para que esses alunos estivessem desfrutando dessa oportunidade de vivenciar a experiência de ser um deputado estadual”.

A simulação do Parlamento Universitário ocupa todos os espaços e utiliza os equipamentos da Assembleia que são usados pelos deputados no dia a dia. Para que ele funcione, diversos outros setores da Casa são acionados, como o Cerimonial, a Diretoria de Tecnologia da Informação, a Diretoria Legislativa, a Diretoria de Assistência ao Plenário e a Diretoria de Comunicação, que deram todo o suporte para a execução do projeto.

O diretor de Assistência ao Plenário, Juarez Villela Filho, acompanhou o processo em todas as etapas e falou como foi a experiência com os deputados universitários nesse ano. “Eles trabalharam bastante. A sessão plenária é o ponto do iceberg e a parte mais visível do trabalho no Parlamento, mas a parte política de articulação é muito grande e demanda tempo também, foi o que enfatizei para ele”, relatou. “Foi bastante satisfatório o Parlamento Universitário. Houve rusgas que são naturais no processo político. Eles experimentaram as sensações de lidar com pessoas de outras cidades, faculdades, de outras vertentes políticas e tendo que dialogar para chegar ao consenso. Houve um crescimento muito grande deles. Reparamos as pessoas que tinham mais timidez fazendo amizades, subindo na tribuna para fazer discursos, defendendo seus projetos. É uma evolução não só como estudante, mas como seres humanos também”.

O diretor Legislativo e da Escola do Legislativo, Dylliardi Alessi, destacou o trabalho de formação do Parlamento Universitário. “Estamos formando pessoas que compreendem muito melhor a política, o processo legislativo e que não só estão sendo fomentadas a participar ativamente da política, mas também certamente serão pessoas que, compreendendo melhor as funções dos deputados e da política vão saber escolher melhor seus representantes”, disse. “Eles entenderam exatamente o que queríamos passar. A ideia final era debater com eles o que aprenderam, mas tudo que falaram na tribuna hoje demonstrou que eles perceberam que o Parlamento, a decisão política não é impor a vontade da pessoa. Quem não corre atrás não consegue conquistar nada. E eles, desde antes de começar o Parlamento já fizeram essa articulação, foram madrugadas negociando. Estão de parabéns!!”, concluiu Dylliardi.

 

 

 

 

 



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