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A maior transferência de riqueza da história já começou

A nova geração de herdeiros muda o modo de investir ao desafiar famílias e empresas a repensarem a gestão patrimonial

O mundo vive um fenômeno inédito: nas próximas duas décadas, cerca de US$ 84 trilhões devem mudar de mãos entre gerações, segundo o Multipolitan Wealth Report 2024. Esse movimento, a maior transferência de riqueza da história, colocará o patrimônio acumulado pelos Baby Boomers nas mãos de Millennials e da Geração Z, grupos que pensam, consomem e investem de forma completamente diferente de seus pais.

Para Samira Munaier, planejadora financeira CFP® na Monte Bravo, especialista em gestão patrimonial, sucessório e eficiência tributária para famílias e investidores de alta renda, esse é um momento crucial para o futuro das grandes fortunas. “Estamos diante de um divisor de águas. Os pais que construíram a riqueza vêm de uma cultura voltada à acumulação e segurança. Já os herdeiros têm uma mentalidade mais voltada a propósito, impacto e liberdade financeira. O desafio é fazer essa transição sem perder o legado nem a eficiência na gestão”, afirma.

De acordo com estudos recentes, o perfil dos novos herdeiros é marcado pela busca de investimentos sustentáveis, globalizados e digitais: reflexo direto da digitalização e do avanço das fintechs. “O novo investidor quer entender o porquê de cada decisão financeira. Ele valoriza o profissional que o escuta, que fala de igual para igual e que conecta o patrimônio aos seus valores pessoais”, completa Samira.

Esse novo cenário também muda a dinâmica dentro das empresas familiares, em que a sucessão vem exigindo cada vez mais planejamento e diálogo. “É comum vermos empresas sólidas enfrentando crises quando a sucessão é feita às pressas. Hoje, o planejamento sucessório precisa ir além do jurídico, ele deve formar sucessores. Preparar filhos e herdeiros para gerir, decidir e perpetuar o propósito da família”, destaca a especialista.

Planejamento financeiro: o elo entre gerações

O planejamento financeiro estratégico é o instrumento que permite unir tradição e inovação. Ele garante a continuidade do patrimônio como também estrutura a eficiência fiscal e tributária da transferência, reduzindo custos e conflitos.

“No Brasil, ainda há pouca cultura de planejamento sucessório. Mas é nele que conseguimos estudar a estrutura ideal, seja holding, trust, doação ou seguros, para fazer a passagem de patrimônio pagando o mínimo possível de imposto e com segurança jurídica”, explica Samira Munaier.

Além do aspecto tributário, a especialista reforça a importância da governança familiar como ferramenta para manter a harmonia e a clareza sobre o papel de cada membro da família. “O sucesso de uma transição patrimonial não está apenas nos números, mas em como a família conversa sobre dinheiro e legado”, diz.

Um novo olhar sobre riqueza

A geração que recebe essa herança traz novas referências. Segundo o relatório global da Multipolitan, os jovens investidores estão mais abertos à diversificação internacional, aos ativos digitais e às estratégias que unem rentabilidade e impacto positivo.

“O patrimônio hoje é visto como um meio, não como um fim. Há uma busca maior por propósito, sustentabilidade e liberdade de escolha. As famílias que conseguirem integrar essas visões: da solidez dos pais à inovação dos filhos, serão as que melhor atravessarão essa mudança”, conclui Samira.

samira
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