O programa Praia Acessível, promovido pelo Governo do Estado, tem se destacado por ampliar o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a banhos de mar e de rio. Neste verão, a iniciativa registrou um número recorde de atendimentos, totalizando 1.786 atendimentos em praias do Litoral e de rios do interior do Paraná. A ação, que já acontece desde 2016, se consolidou como um importante espaço de inclusão e convivência.
Histórias de Inclusão e Superação
As cadeiras anfíbias utilizadas pelo programa foram projetadas para proporcionar segurança e conforto aos usuários. Com rodas adaptadas para areia e água, além de cinto de segurança regulável e apoio cervical, as cadeiras garantem uma experiência tranquila. Os atendimentos são realizados por profissionais de Educação Física e equipes capacitadas que acompanham os participantes durante toda a atividade.
A Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), em parceria com a Sanepar e a Secretaria do Esporte, coordena a iniciativa. O secretário Rogério Carboni destacou a importância do programa, afirmando que ele proporciona inclusão e momentos especiais para as famílias. “Ouvimos constantemente relatos de pessoas que há anos não conseguiam entrar no mar e que agora compartilham suas alegrias”, afirmou.
A Estrutura do Praia Acessível
Neste verão, o Praia Acessível contou com 11 cadeiras anfíbias distribuídas em postos de atendimento em locais estratégicos. No Litoral, o programa atendeu municípios como Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná. Já nas regiões de água doce, os atendimentos ocorreram em Marilena e São Pedro do Paraná, bem como em Marechal Cândido Rondon, na Costa Oeste.
Depoimentos Inspiradores
Aos 69 anos, Ana Kobayashi, cadeirante há três anos, reencontrou o prazer do mar graças ao Praia Acessível. Após uma amputação devido a complicações de saúde, ela expressou sua felicidade ao retomar atividades que sempre foram essenciais em sua vida. “Estar no mar representa bem-estar e liberdade”, declarou.
Emanuelle Araújo, de 32 anos, também compartilha sua experiência positiva com o programa. Moradora de Matinhos e diagnostica com paralisia cerebral, ela encontrou nas atividades de verão um espaço terapêutico fundamental e a oportunidade de socialização que a praia oferece.
Roberta Bigliardi, 58, e Josete do Carmo Bodi, 65, também relataram com emoção como o Praia Acessível permitiu que voltassem a experimentar momentos significativos junto ao mar, destacando a importância do acesso para a qualidade de vida de pessoas com deficiência.
O Papel dos Parceiros
Representantes dos órgãos parceiros enfatizaram a relevância do programa. “O acesso ao mar deve ser um direito para todos. Estamos comprometidos em garantir que o lazer seja inclusivo e seguro”, frisou Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar. Tiago Campos, diretor de inovação da Secretaria do Esporte, acrescentou que a iniciativa reforça o compromisso do governo com a acessibilidade e inclusão.
Uma Política Pública Essencial
Luiz Fernando de Figueiredo, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, avaliou o Praia Acessível como uma política pública crucial para a inclusão. Ele apontou que, ao oferecer infraestrutura e equipe qualificada, o programa transforma o direito ao lazer em realidade. Figueiredo também ressaltou que o contato com o mar não é apenas recreativo, mas simbólico, promovendo pertencimento e cidadania.
Ele sugere que modelos semelhantes podem ser replicados em outros estados, desde que observem princípios de acessibilidade e continuidade. “Esses programas devem orientar políticas públicas permanentes para garantir a inclusão das pessoas com deficiência”, concluiu.
