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Anvisa afirma que não há evidências ligando paracetamol ao autismo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclareceu que não existem registros no Brasil que estabeleçam uma relação entre o uso de paracetamol durante a gravidez e casos de autismo. A afirmação veio à tona após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu a existência dessa ligação.

Impacto entre mães brasileiras

A declaração de Trump gerou uma onda de preocupação entre mães de crianças diagnosticadas com autismo no Brasil. Muitas delas compartilham suas angústias em redes sociais e grupos de maternidade, refletindo um sentimento crescente de culpa.

Rayanne Rodrigues, estudante de Farmácia e mãe de uma criança com autismo nível dois de suporte, expressou sua preocupação com a desinformação. Segundo ela, a situação pode agravar a culpa sentida por muitas mães. “As mulheres grávidas já têm um leque restrito de medicamentos permitidos, e surgem informações como essa, que apenas exacerba o sentimento de culpa”, comentou.

Rayanne ressaltou que, apesar de não sentir culpa pessoalmente, muitas mães questionam o que poderiam ter feito de errado durante a gestação. “Vários fatores podem contribuir para o autismo, e não devemos colocar toda a responsabilidade sobre as mães”, concluiu.

Nota do Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também se manifestou nas redes sociais para tranquilizar a população. Ele reafirmou a ausência de evidências científicas que liguem o paracetamol ao autismo. “O Tylenol é causa do autismo? Mentira! Não existem estudos que comprovem essa relação. O paracetamol é uma medicação segura”, disse Padilha. Ele acrescentou que o autismo é uma condição identificada muito antes da introdução do paracetamol.


Brasília (DF), 23/09/2025 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante anúncio de recomendações para mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 23/09/2025 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante anúncio de recomendações para mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Repercussão internacional

A Organização Mundial de Saúde (OMS), após as declarações de Trump, também se posicionou, afirmando que não há evidências científicas conclusivas que confirmem qualquer ligação entre o autismo e o uso de paracetamol na gravidez. A OMS destacou que pesquisas no tema não encontraram associações consistentes.

Além disso, a Agência de Medicamentos da União Europeia afirmou que não há novas evidências que justifiquem mudanças nas recomendações atuais para o uso do medicamento. Em contraste, a FDA dos Estados Unidos anunciou que está revisando a bula do paracetamol no país e emitiu alertas aos médicos. No Brasil, a Anvisa classifica o paracetamol como um medicamento de baixo risco, garantindo que sua liberação segue critérios rigorosos de qualidade e segurança, além de estar sob constante monitoramento.

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