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Fiel ao céu cinzento, Curitiba teve chuva em 40% dos dias de 2025, segundo o Inmet

Com 114 dias de precipitação até outubro, capital paranaense mantém a fama de cidade chuvosa; meteorologistas apontam influência do oceano e da Serra do Mar.


A chuva, velha conhecida dos curitibanos, segue marcando presença em 2025. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Curitiba registrou precipitação em 114 dos 280 dias do ano — o equivalente a 40% do período analisado. O Simepar, órgão estadual de meteorologia, contabiliza número semelhante: 110 dias chuvosos.

A diferença entre os levantamentos ocorre por causa da localização das estações meteorológicas. Ainda assim, ambas as medições confirmam o que os moradores da capital já sabem bem: o céu cinzento é parte da identidade curitibana.

Janeiro foi o mês mais chuvoso

Entre os meses do ano, janeiro lidera o ranking de chuvas, com 265,4 milímetros acumulados em 22 dias, segundo o Inmet. O clima úmido se mantém também neste início de outubro, que já soma sete dias chuvosos e 48 milímetros registrados.

O meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, explica que o alto índice de precipitação em Curitiba resulta de uma combinação de fatores naturais:

“A precipitação é bastante elevada por características como a proximidade com o oceano e a Serra do Mar, que contribuem para a formação de tempestades”, explica.

Chuva como parte da história

O clima chuvoso da cidade é registrado há mais de dois séculos. Em 1820, o naturalista francês Auguste Saint-Hilaire já relatava as dificuldades enfrentadas durante sua passagem pela então Comarca de Curitiba, mencionando o excesso de chuvas em seus diários de viagem.

Décadas depois, o tema continuou inspirando a literatura curitibana. O escritor Dalton Trevisan, no conto Chuva (1951), transformou o fenômeno em protagonista de sua narrativa. O autor descreve o cotidiano sob o clima frio e úmido com seu estilo inconfundível:

“As mãos no bolso não esquentam. Alguns viúvos choram na fila, esse ônibus nunca vem. Ora, gotas de chuva, pensam os vizinhos.”

O poeta Paulo Leminski também dedicou versos à simbólica “senhorita chuva”, eternizando-a como parte inseparável da alma curitibana.

Monitoramento e prevenção

A Defesa Civil de Curitiba monitora continuamente as condições meteorológicas por meio do Sistema de Alerta e Alarme de Prevenção de Desastres (SisAAPrev), composto por 15 estações meteorológicas movidas a energia solar.

Esses equipamentos medem fatores como chuva, vento, temperatura, radiação solar e pressão atmosférica, permitindo respostas rápidas em caso de granizo, vendavais ou alagamentos. Em situações de emergência, a população deve acionar o órgão pelo telefone 199.

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