História de Curitiba é Contada por Meio de Papéis de Bala
A modernização de Curitiba na primeira metade do século 20 é o foco de um novo livro da historiadora Camila Jansen de Mello Santana, intitulado “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”. A obra revela transformações sociais e culturais da capital paranaense através de papéis de bala, incluindo ilustrações do palhaço Zequinha, que retrata a vida cotidiana e as mudanças da época.
Um Retrato de Outras Épocas
O livro de Camila, resultado de sua pesquisa de doutorado, é ilustrado com figurinhas que marcaram diversas gerações de crianças que colecionavam essas imagens, mesmo não sendo autocolantes. As figurinhas, que adornavam o embrulho de um doce popular na época, servem como uma cápsula do tempo que relembra o período entre 1929 e 1948, quando Curitiba vivia intensas transformações sociais, sanitárias e culturais.
Pesquisa e Reconhecimento Acadêmico
A autora, que é professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, teve sua pesquisa reconhecida como a melhor tese de história cultural pela Associação Nacional dos Professores Universitários de História e está concorrendo ao Prêmio Jabuti Acadêmico.
Cultura e Humor
A fábrica A Brandina, responsável pela produção das balas, trouxe o palhaço Piolim de São Paulo para o Paraná, adaptando-o para atrair consumidores. O livro explora como essa figura se tornou um ícone local e uma marca da época, demonstrando o poder das imagens na publicidade. Camila destaca que, embora muitos jogassem a bala fora, as figurinhas se tornaram o verdadeiro tesouro.
A Vida Cotidiana em Curitiba
O contexto histórico é enriquecido por referências a revistas ilustradas do período, como a coluna “Gosto e Não Gosto” da revista A Cidade, que oferecia uma visão crítica dos costumes da época. Entre as inovações destacadas estão os automóveis, vistos como armas mortais. O livro inclui diversas representações gráficas que registram o cotidiano dos curitibanos.
Críticas Sociais e Representação
A obra não apenas documenta a vida dos moradores de Curitiba, mas também aborda a questão da urbanização, que buscou controlar a natureza e canalizar rios para evitar enchentes. Camila ressalta a presença de figuras como o Zé Povo, que representam um trabalhador brasileiro em luta, deslocando a imagem do indígena para o trabalhador comum.
Ausências e Sensibilidade Histórica
A historiadora critica a ausência de representações significativas de negros e indígenas nas figurinhas, evidenciando um apagamento histórico que merece destaque. Camila argumenta que a arte permite uma sensibilidade ao estudar a sociedade através de imagens que carregam significados profundos.
O livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora” se propõe a ser uma nova forma de compreender a história local, utilizando elementos que muitas vezes são subestimados, mas que carregam consigo uma riqueza cultural inestimável.
