UFPR e Procon de Maringá constatam adulterações em álcool em gel

Levantamento feito pelo Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluiu que parte do álcool em gel vendido no país não corresponde às informações do rótulo. O principal problema encontrado diz respeito ao percentual de álcool etílico, inferior ao recomendado para eliminar germes e proporcionar higiene adequada.

Segundo o professor Andersson Barison, responsável pelo Laboratório de Ressonância Magnética do Departamento Universitário, quase 100 amostras enviadas por pessoas de várias partes do país já foram analisadas desde abril deste ano. Cerca de 75 delas não continham 70% de álcool etílico em sua composição. Só nos últimos três meses, 21 de 28 amostras foram reprovadas pelo mesmo fato. Cinco delas continham menos de 40% de álcool etílico em suas composições.

“Passamos a oferecer à população as análises da qualidade do álcool quando a procura pelo produto aumentou devido ao novo coronavírus. Desde então, recebemos amostras do Amazonas, do Pará e de outros estados”, explicou Barison à Agência Brasil.

Especialistas e órgãos como o próprio Ministério da Saúde recomendam que, na impossibilidade de lavar as mãos com água e sabão, as pessoas usem o chamado “álcool 70°” para desinfetar as mãos. Para ser eficaz, o produto deve conter entre 68% e 72% de álcool etílico na composição. O que nem todas as marcas analisadas na UFPR cumpriam.

“Em nossas análises, o pior resultado que encontramos foi uma amostra que só tinha 4% de álcool etílico. Era praticamente só água; um produto falsificado que não só não elimina vírus, como serve de alimento para micro-organismos em geral”, disse Barison.

De acordo com professor, as chamadas marcas de ocasião, ou seja, aquelas que passaram a produzir e comercializar o produto recentemente, são as que têm mais dificuldades para garantir a qualidade. Entre as amostras reprovadas no laboratório universitário, nenhuma era de marcas tradicionais e já bastante conhecidas.

“Acreditamos que muitas fábricas estão trabalhando de forma errada por mero desconhecimento. Até porque não conseguimos entender a razão de algumas marcas deixarem de colocar a quantidade de álcool etílico que a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, recomenda, já que é algo muito barato. Acreditamos que há empresas agindo de má-fé, colocando só um pouquinho de álcool para dar um cheiro, mas também que muitas apenas não têm a expertise necessária e estão cometendo algum erro”, afirmou Barison, colocando o laboratório universitário à disposição de consumidores e pequenos fabricantes que tiverem dúvidas ou precisarem de orientações.

“Os órgãos responsáveis devem aumentar o cerco e a fiscalização. Porque a população não tem como saber se está comprando algo de qualidade. Basta uma quantidade mínima de álcool etílico para o produto apresentar um odor característico. Por isso, o laboratório da UFPR está disponível para qualquer órgão de defesa do consumidor, para qualquer perito, qualquer pessoa que queira verificar se o produto tem a qualidade desejada. Bem como para os fabricantes que quiserem checar a qualidade de seu material”, acrescentou o professor.

Interessados devem entrar em contato pelo e-mail alcoolgel@c3sl.ufpr.br ou enviar uma amostra do produto que queiram analisar para o Centro Politécnico da UFPR (Av. Cel. Francisco H. dos Santos, 100, Jardim das Américas CEP 81531-980 – Curitiba – PR), informando dados pessoais e e-mail de contato para resposta. Apenas 1 mililitro do produto é suficiente para o teste.

Mandioca

O problema já tinha sido constatado pelo Procon de Maringá (PR). Em agosto, o órgão apreendeu mais de 1,8 mil itens à venda em supermercados, farmácias e lojas da cidade. Parte dos produtos apresentava inconsistências de outra ordem, como falta de informações sobre o registro na Anvisa ou letras muito pequenas no rótulo. O problema mais grave, no entanto, foi mesmo a constatação do baixo percentual de álcool, considerado ineficaz.

“Coletamos o material seguindo todos os padrões necessários e o resultado nos chamou a atenção. Devido à situação, achávamos que teríamos poucos problemas, mas deu-se o contrário. Das 32 amostras coletadas, 17 foram aprovadas dentro da margem de erro. No melhor dos casos, o percentual de álcool chegou a 68%. As outras 15 amostras foram automaticamente descartadas, pois não chegaram nem a 60%”, afirmou o diretor do Procon municipal, Geison Ferdinandi, à Agência Brasil.

“Uma coisa muito grave é que havia produtos que não conseguíamos distinguir. Havia desde amido de mandioca até outras substâncias que não conseguimos identificar”, disse Ferdinandi, esclarecendo que, após receber o resultado dos testes laboratoriais feitos pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Procon municipal notificou os fabricantes para que corrigissem as falhas nos lotes com problemas e para que fornecessem novas amostras para que o órgão pudesse verificar se a situação tinha sido sanada. Distribuidoras e comerciantes também foram notificados e orientados.

Segundo o diretor do Procon de Maringá, além de problemas de produção, também foram constatadas deficiências em relação às embalagens em que muitas empresas envasam o produto. “No nosso entendimento, as embalagens deviam ser hermeticamente fechadas”, observou Ferdinandi ao comentar o risco de oferecer produtos antissépticos inadequados.”

Resoluções

Consultada, a Anvisa informou que não recebeu informações oficiais sobre o trabalho realizado pelo Departamento de Química da UFPR. Responsável por fiscalizar e atestar a qualidade dos produtos feitos à base de álcool e destinados à limpeza e higiene, a agência refutou o argumento de que a recente “flexibilização” das normas pode ter ocasionado uma piora dos produtos.

“Cumpre enfatizar que a Resolução de Diretoria Colegiada – RDC nº 350/2020, atualizada pela RDC nº 422/2020) flexibilizou a produção e comercialização de álcool em concentração 70% sem o registro obrigatório, mas apenas para empresas devidamente autorizadas pela Anvisa para atuar no segmento relativo ao produto, ou seja, saneante ou cosmético”, afirma a agência em nota, garantindo que todas as empresas do setor estão sujeitas ao cumprimento de regras específicas.

“Importante lembrar que a flexibilização se deu em razão do desabastecimento desse importante produto para o combate à proliferação do novo coronavírus”, acrescentou a Anvisa. “No entanto, ainda que alguns produtos estejam sendo colocados no mercado sem o registro, os parâmetros de qualidade devem ser observados pelas empresas responsáveis. Os órgãos de vigilância sanitária locais têm realizado o monitoramento, por meio de coleta de amostras e realização de análise fiscal, de forma coordenada com a agência” – à qual cabe analisar cada situação para a adoção das medidas sanitárias adequadas, que podem resultar na proibição ou suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de produtos com problemas, bem como no seu recolhimento ou apreensão.

Um documento que a Anvisa disponibiliza na internet, e que é atualizado diariamente, mostra que a Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da agência vem aplicando diferentes sanções a algumas empresas que estavam colocando à venda álcool 70°.

Inmetro

Consultado, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) informou que os requisitos de segurança para as embalagens usadas no envasilhamento de álcool, seja na forma líquida, seja em gel, foram estabelecidos em duas portarias, a n° 269 e a n° 270, ambas de 2008. O cumprimento dos requisitos é atestado por meio da presença do selo do instituto na embalagem.

“A presença do selo do Inmetro e da marca do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade significa que a embalagem atendeu aos critérios de segurança. Por isso, é fundamental adquirir produtos como álcool em gel de fornecedores legalmente constituídos, como supermercados, mercados e farmácias”, lembrou o instituto, alertando para os riscos da compra de marcas não autorizadas e cuja embalagem não contenha o rótulo de inspeção do Inmetro.

Sobre a manifestação do Inmetro, o diretor do Procon de Maringá, Geison Ferdinandi, acrescentou que a maioria dos produtos que o órgão municipal apreendeu na cidade, em agosto, não respeitava os padrões estabelecidos pelo instituto.

“É um erro da cadeia produtiva que encontramos principalmente nas marcas recém-autorizadas a produzir álcool para atender à demanda. Por isso, recomendamos ao consumidor que busque as marcas de sua confiança, aquelas que ele já conhece. E que, sempre que possível, opte por lavar as mãos com água e sabão.”

Por razões administrativas e legais, nem a UFPR nem o Procon de Maringá informaram os nomes das marcas cujos produtos não atingiram os parâmetros obrigatórios. Já o relatório de monitoramento do mercado divulgado pela Anvisa lista todas as marcas que sofreram alguma punição, bem como o motivo.

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Em manifesto, jogadores se dizem contra Copa América, mas confirmam participação

Por meio das redes sociais, os jogadores da seleção brasileira divulgaram o manifesto sobre a realização da Copa América no Brasil, após a vitória sobre o Paraguai nesta terça-feira (8), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. No texto, os atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo, em solo nacional, mas confirmaram a participação. “Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira.”

No manifesto, os jogadores explicam que não houve tentativa ou sugestão de boicote à Copa América. Assim se limitaram a expor o desconforto com as mudanças de sede e dificuldades com a organização. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais, nos últimos dias, para criticar a postura da seleção, principalmente do técnico Tite, contrária ao evento no Brasil.

“Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização”, dizem os jogadores, no manifesto.

“É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.”

As informações sobre o descontentamento de integrantes da seleção brasileira surgiram logo após o anúncio de que o Brasil passaria a receber o evento, diante das negativas de Colômbia e Argentina, países que originalmente abrigariam a competição. A insatisfação de jogadores e comissão técnica veio ao encontro da repercussão negativa em sediar a Copa América no Brasil mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus com números que ultrapassam os 470 mil mortos.

Além da situação da pandemia, outro fator que abalou a relação da seleção com a direção da CBF foi a falta de aviso e consulta aos atletas sobre a vinda do torneio para o País. Jogadores ficaram decepcionados com a postura do presidente afastado Rogério Caboclo. O dirigente é acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. O afastamento será pelo prazo de 30 dias.

Antes do duelo com o Equador, na última sexta-feira, o técnico Tite já havia pedido que seus comandados se concentrassem na missão de levar o País a mais uma Copa do Mundo. Mas deixou clara a insatisfação de sua parte e também dos atletas. Após o jogo, o volante Casemiro não entrou em maiores detalhes e reforçou as informações anteriores repassadas pelo treinador.

Nesta quarta-feira, Tite fará uma nova convocação para definir os nomes que atuarão na competição sul-americana. A expectativa é que haja mudanças, uma vez que alguns atletas podem ser chamados para atuar pela seleção olímpica. O Brasil defende o ouro em Tóquio, e alguns jogadores já se mostraram interessados em participar novamente dos Jogos.

A Copa América tem início agendado para 13 de junho. Em Brasília, no estádio Mané Garrincha, às 18h, a seleção brasileira enfrenta a Venezuela, pelo Grupo B. No mesmo dia, às 21h, Colômbia e Equador duelarão na Arena Pantanal, em Cuiabá. Em 14 de junho, será a vez da Argentina começar sua jornada na competição, enfrentando o Chile, no Engenhão, às 18h. Mais tarde, às 21h, Paraguai e Bolívia jogam em Goiânia. A final do torneio está marcada para 10 de julho, no Maracanã.

Confira abaixo o manifesto na íntegra:

“Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto a realização da Copa América.

Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.

Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.

É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.

Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.”

Redução orçamentária e bloqueio de verba ameaçam funcionamento da UFPR e pesquisas

A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 retirou mais de R$ 1 bilhão do orçamento das instituições de ensino superior brasileiras. A redução foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Governo Federal. Além do corte aprovado em lei, o Governo Federal ainda bloqueou parte do recurso destinado a essas instituições condicionando-o à receita arrecadada por ele. Protagonistas no combate à pandemia, as universidades públicas correm o risco de parar antes do final do ano e, certamente, terão ações de ensino, pesquisa e extensão afetadas.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) enfrenta um corte orçamentário que representa aproximadamente 19% com relação à verba de 2020, que foi de pouco mais de R$156 milhões. Em 2021, a universidade recebeu cerca de R$ 126 milhões e, com a determinação do bloqueio, apenas R$103 milhões estão liberados, assim, a redução chega a 34% em apenas um ano.

O corte tem se aprofundado a cada ano desde 2016, quando a verba girava em torno de R$ 185 milhões. De lá para cá, houve uma redução orçamentária de mais de 31%. Se considerarmos o bloqueio determinado pelo Governo, a redução no montante total ultrapassa os 44%. É preciso considerar, ainda, a inflação, que foi bastante elevada nesse período, além do aumento no número de estudantes que ingressaram na universidade.

Redução orçamentária ao longo do tempo

O recurso que vem sendo cada vez mais reduzido é destinado ao pagamento das despesas discricionárias, que contemplam contas como água e luz e contratos de limpeza, portaria e segurança, além de algumas bolsas, manutenções e reformas prediais, compras de insumos e equipamentos para laboratórios, entre outros itens indispensáveis ao funcionamento da universidade e de suas atividades.

De acordo com o pró-reitor de planejamento, orçamento e finanças da UFPR, Fernando Marinho Mezzadri, a redução orçamentária, que em 2021 chegou ao seu ápice, já tem afetado as ações da instituição, porém o bloqueio de parte dessa verba prejudicará todas as atividades, sem exceções. “Impacta em todas as áreas: bolsas, contratos, insumos. Com esses 23 milhões a menos, não conseguiremos manter todas as nossas ações até o final do ano”.

Ações e serviços essenciais

Por mais que grande parte das atividades da UFPR estejam sendo desenvolvidas de forma remota, isto é, com estudantes, professores e servidores em casa, não é possível abrir mão dos serviços essenciais. “Não podemos deixar a universidade sem vigilante, sem limpeza e sem manutenção básica. Por isso, a maioria dos contratos se manteve”, explica o pró-reitor que também afirma ser inviável descontinuar o funcionamento de diversos equipamentos imprescindíveis para pesquisas, como os freezers e câmaras frias.

Essas pesquisas, que não pararam em nenhum momento desde o início da pandemia de Covid-19, tendo sido até intensificadas nesse momento, serão muito afetadas com a falta de verba. Um exemplo bastante impactante é a vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida na UFPR desde o ano passado. Sem dinheiro para contas discricionárias, não será possível comprar ração para os camundongos utilizados nos testes pré-clínicos, essenciais para a evolução desse e de outros estudos.

Vacina contra o coronavírus em desenvolvimento na UFPR. Foto: Marcos Solivan

Segundo o diretor do Setor de Ciências da Saúde, Nelson Rebellato, a falta de dinheiro impede também a realização de novos investimentos, a atualização e a compra de equipamentos primordiais para áreas como medicina. “Saúde é o maior setor da UFPR, congregando seis cursos de graduação, 11 de pós-graduação, além de inúmeros cursos de especialização e residências. É um setor que demanda um custo muito grande para o seu andamento, principalmente na aquisição de equipamentos de ponta e de materiais de uso diário”.

Ele também lembra que muitas das ações desenvolvidas nos cursos da área de saúde são assistenciais, tendo impacto direto para a sociedade. A parceria com o Complexo do Hospital de Clínicas e com as unidades de atenção primária, as atividades de Terapia Ocupacional, Nutrição, Farmácia e Odontologia têm papel fundamental para com a comunidade geral e não apenas a acadêmica. “Espero que as pessoas se sensibilizem, principalmente nesse momento de pandemia que é tão triste para todo o mundo, de que é necessário investir muito na produção do conhecimento e na área da saúde”, desabafa Rebellato.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, destaca as soluções para saúde e para vida que são desenvolvidas no âmbito nas universidades públicas. “Neste período de pandemia fica evidente a imprescindibilidade das universidades públicas, não apenas na formação, mas na produção do conhecimento, pois são nas universidades públicas brasileiras que se faz ciência e se apresentam as soluções pra saúde e para a vida. Assim, as universidades precisavam ser tratadas com mais respeito e como instituições estratégicas e não inviabilizadas”.

A UFPR realiza testes de coronavírus em assintomáticos desde outubro de 2020. Foto: André Filgueira

Retorno presencial

O planejamento para a utilização dessa verba reduzida não contempla ainda o retorno das atividades presenciais. Segundo Mezzadri, as poucas economias alcançadas com o trabalho remoto foram absorvidas pela redução orçamentária. Contudo, com o bloqueio do recurso, é inviável reativar serviços como restaurantes universitários e intercampi, levando em conta o aumento de outras despesas que serão inevitáveis com a retomada completa das atividades presenciais, ainda sem previsão para acontecer. “Se o bloqueio se mantiver, é impossível sustentar até mesmo as atividades emergenciais da universidade”.

Adequação

O pró-reitor afirma que para atender todas as necessidades básicas, a universidade precisa de, no mínimo, R$160 milhões. Tentando se adequar à nova realidade orçamentária, a gestão da UFPR reviu todos os seus contratos, contingenciou o repasse de recurso para as unidades e os setores, não liberou novas obras, nem novos serviços de manutenção. Isso com a premissa de quitar todos os contratos, principalmente os que envolvem terceirização. “Não abrimos mão de pagar em dia o salário dos trabalhadores terceirizados nem as bolsas”, diz Mezzadri.

Mesmo com todos os esforços, juntamente com a incerteza do desbloqueio do recurso por parte do Governo Federal, permanecem a incerteza do funcionamento da universidade e de até quando será possível manter as portas abertas.

Restaurantes universitários dos campi Botânico e Politécnico precisam de reforma nos telhados. Foto: Samira Chami Neves

Universidades não pararam na pandemia

Uma pesquisa coordenada pelo Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (Cogecom), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), revelou que, durante o ano de 2020, mais de 50 mil estudantes concluíram a graduação nas universidades federais em diversas profissões demandadas pela sociedade – notadamente nas áreas se saúde, além da formação de centenas de novos mestres e doutores.

Juntas, as universidades participantes da pesquisa atenderam mais de 85 milhões de pessoas ao longo do ano nas várias frentes de apoio e enfrentamento à Covid-19, com uma média de 147 mil pessoas beneficiadas por mês, em cada instituição. O levantamento indica ainda a realização de 73.825 projetos de pesquisa e 29.451 de extensão, produção de mais de 691 mil litros de álcool 70%, 515 mil Face Shields, 651 mil máscaras e a realização de mais de 670 mil testes de Covid-19 pelas universidades federais, somente em 2020.

Desde o início da pandemia, todas essas atividades destacadas na pesquisa foram acentuadas. No entanto, as graves restrições orçamentárias comprometem a capacidade de trabalho das universidades federais. O orçamento geral destinado a essas instituições para 2021 é 18,16% menor em relação a 2020 e afeta as 69 instituições.

Saiba mais sobre o levantamento.

Informações UFPR

*Essa reportagem contou com o apoio do Centro Acadêmico de Biomedicina e do Diretório Nilo Cairo da Medicina da UFPR e com informações da Andifes