O Partido Comunista do Chile alcança, pela primeira vez desde a redemocratização, a liderança nas pesquisas eleitorais às vésperas das eleições presidenciais. Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho do governo de Gabriel Boric, é a candidata que pode sucedê-lo no pleito deste domingo, 16 de novembro, apresentando-se como uma opção proeminente para o cargo máximo do país.
Trajetória de Jeannette Jara
Nascida em El Cortijo, um dos bairros mais pobres de Santiago, Jara é a mais velha de cinco irmãos. Com pai operário e mãe dona de casa, trabalhou na colheita de frutas durante a adolescência e foi a primeira em sua família a concluir o ensino superior, obtendo diplomas em administração pública e direito na Universidade de Santiago do Chile. Sua carreira política começou cedo, ao integrar as Juventudes Comunistas aos 15 anos e, em 1997, presidir a Federação de Estudantes da mesma universidade.
Nos anos seguintes, Jara construiu uma sólida trajetória na gestão pública, atuando como vice-ministra do Desenvolvimento Social durante o governo de Michelle Bachelet e, mais recentemente, como ministra do Trabalho e Previdência de Boric. Em seu cargo, foi responsável por importantes conquistas legislativas, como:
- redução da jornada semanal de trabalho de 45 para 40 horas,
- aumento do salário mínimo,
- e reforma no sistema privado de pensões.
Desafios e Estratégias
Jara obteve destaque ao vencer as primárias da centro-esquerda em junho, conquistando aproximadamente 60% dos votos e superando adversários renomados, como Carolina Tohá. Essa vitória a consolidou como líder da coalizão Unidade por Chile, formada por partidos variados, incluindo o Partido Comunista e a Frente Ampla.
No contexto atual, a candidatura de Jara surge em um período conturbado para o Chile, marcado por crises sociais e políticas. Desde os protestos de 2019, que resultaram em 32 mortos e milhares de feridos, o país tem enfrentado desafios significativos, incluindo duas tentativas frustradas de redigir uma nova Constituição. Essa polarização resultou em uma disputa acirrada entre Jara e candidatos da direita, como José Antonio Kast, Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, cada um trazendo propostas distintas.
Pragmatismo e Segurança
Embora seja filiada ao Partido Comunista, Jara se posiciona como uma candidata social-democrata, buscando equilibrar sua vertente histórica com necessidades pragmáticas. Recentemente, sua abordagem se intensificou em questões de segurança pública e migração, áreas de preocupação crescente para os eleitores. O aumento de crimes violentos, como homicídios e sequestros, levou Jara a prometer um foco imediato na segurança, propondo aumento de investimentos na polícia e em inteligência.
No que tange à migração, a candidata propõe endurecer políticas de controle nas fronteiras e reforçar processos regulatórios, refletindo uma resposta à crise migratória que se intensificou desde 2018.
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