Reforma trabalhista e recentes alterações nas leis favorecem a precarização do trabalho no Brasil

Uma recente pesquisa do Internacional Trade Union Confederation (ITUC), indicou que o Brasil é um dos piores países para trabalhar em um ranking de 148 países. Na prática, a reforma trabalhista operada pela Lei 13.467/17 e as recentes mudanças na legislação podem ter contribuído para a classificação do Brasil nesse ranking.

Uma vez que, a princípio, visavam a geração de emprego, mas na realidade, reduzem direitos e o número de processos no âmbito da Justiça do Trabalho. Contudo, verifica-se que o índice de procedência das ações trabalhistas continua o mesmo, o que evidencia que, em verdade, a violação dos direitos permanece, havendo apenas uma maior dificuldade de acesso à justiça, sem a resposta esperada ao índice de desemprego

O desemprego tem mantido alta taxa entre os brasileiros nos últimos anos, aliado à chegada da pandemia e a escalada da inflação dos produtos no país, por isso, é possível dizer que estes dois últimos fatores tornam a criação de empregos que não se adequem a todas as normas trabalhistas de forma mais facilitada. 

Certamente,  a alta taxa de desemprego favorece a precarização das condições de trabalho como um todo, seja aumentando a informalidade dos postos de trabalho e/ou o descumprimento da legislação laboral, seja repercutindo até mesmo em questões como a do trabalho análogo à escravidão e o trabalho infantil.

Além disso, a diminuição de força dos sindicatos, e a relação cada vez mais direta entre trabalhador e patrão, muitas vezes, sem a totalidade dos direitos pertinentes nas contratações, pode ter também auxiliado nessa  posição. A relação direta entre trabalhador e patrão pressupõe a existência de igualdade entre as partes, igualdade essa que não existe de fato, já que o trabalhador é parte economicamente mais fraca da relação de trabalho. 

Os sindicatos, enquanto organizações de representação dos interesses dos trabalhadores, atuam justamente para compensar o poder dos empregadores na relação contratual e manter o equilíbrio entre capital e trabalho.

Políticas Públicas 

No Brasil, para  poder criar mecanismos para que este momento possa ser revertido, o uso de políticas públicas e outros sistemas que garantam a proteção do trabalhador  deveriam ser prioridades. O uso de políticas públicas e legislativas que visem à proteção e defesa do trabalhador e a coibição do descumprimento dos direitos laborais evitam, assim, a degradação e precarização das condições de trabalho. 

Tal perspectiva, contudo, só será possível quando a sociedade se conscientizar de que a garantia dos direitos trabalhistas não resulta em desemprego, ao contrário, favorece o desenvolvimento social e econômico, com a multiplicação da renda, da produtividade e de um mercado de trabalho mais qualificado e com melhor remuneração.

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60% dos profissionais não se sentem psicologicamente seguros na empresa em que trabalham, revela pesquisa do Infojobs

O Infojobs, empresa de soluções tecnológicas para RH, realizou uma pesquisa sobre saúde mental no trabalho e trouxe resultados que levam a uma discussão importante sobre o tema nas empresas. O levantamento aponta que 60% dos colaboradores não se sentem psicologicamente seguros na empresa em que trabalham ou já trabalharam. Nesse cenário, 77% afirmam que não existem ações e suporte voltados ao cuidado com a saúde mental dos funcionários.

Entre os profissionais de RH, 79% entendem que essa responsabilidade cabe ao seu departamento, porém mais da metade dos profissionais do setor (57%) não acreditam que as empresas onde trabalham estão se preocupando mais com a saúde mental dos colaboradores e a maioria dos participantes da pesquisa (91%) acreditam que as empresas, de forma geral, não estão preparadas para lidar com a saúde mental dos colaboradores.

Mais da metade (76%) dos entrevistados já precisaram ou conhecem alguém que precisou se afastar das atividades de trabalho por questões relacionadas à saúde mental. Entre esses profissionais, 82% afirmam que a empresa não estava pronta para lidar com essa situação específica. Questionados sobre o pós pandemia, 69% dos entrevistados relatam que sentem exaustão física e/ou mental relacionada ao trabalho.

A pesquisa também apresenta os aspectos mais prejudiciais à saúde mental dos funcionários. Ambiente ou liderança tóxica e abusiva aparece em destaque, com quase metade das respostas (43%), seguido por cobranças excessivas de resultados (17%) e ausência de flexibilidade e reconhecimento (13%).

“A pandemia, o isolamento social e o medo que a Covid-19 causou aceleraram a discussão sobre saúde mental nas empresas, entretanto, apesar de esse ser um tema que ganhou destaque, podemos perceber que ainda há um caminho longo a se percorrer para que os colaboradores se sintam acolhidos em momentos de vulnerabilidade” pontua Ana Paula Prado, CEO do Infojobs.  

Qual é a percepção dos profissionais de RH?

Em contrapartida, 99% dos profissionais de RH acreditam que a saúde mental dos colaboradores deve sim ser uma preocupação das empresas. Quando o enfoque está nos processos seletivos, 93% dos profissionais da área de RH que responderam a pesquisa acreditam que o recrutamento humanizado é uma prática voltada para o cuidado com a saúde mental.

A assistência especializada aparece em destaque entre as práticas voltadas para tornar as empresas mais acolhedoras, onde o suporte com psicólogos aparece em 33% das respostas, em seguida o destaque fica para o direcionamento de lideranças empáticas (21%) e o olhar atento aos sinais dos colaboradores (20%).

Sobre o Infojobs

Com mais de 35 milhões de visitas ao mês e 45 milhões de cadastros, o Infojobs é uma empresa de soluções de tecnologia para RH. A plataforma de oportunidades profissionais e busca de talentos oferece, há 18 anos, ferramentas avançadas para gerir os processos seletivos das empresas e facilitam aos candidatos a vantagem de cadastrarem seus currículos de forma gratuita, contemplando profissionais de todos os perfis. Recentemente, a empresa atingiu o número de 100 mil anúncios publicados, acompanhando a tendência de crescimento das oportunidades no mercado.

Como melhorar sua primeira impressão profissional?

Passar uma primeira impressão que justifique bem quem você é e os seus objetivos profissionais é a primeira tarefa a ser cumprida em uma entrevista de emprego. O desejo de todo candidato é que ela fale por si e garanta a oportunidade sonhada, mas boa parte acaba falhando justamente nestes primeiros momentos cruciais para o olhar do futuro empregador. Entretanto, assim como é possível dar uma má impressão, uma boa conduta também pode abrir portas que te levem mais perto da vaga. Para que seu objetivo seja alcançado, a psicóloga e gestora de recursos humanos, Manoella Dalledone, dá algumas dicas capazes de fazer a diferença frente aos recrutadores. 

Planeje o seu dia!

Se você está em busca da vaga dos sonhos, esse é o dia que você vai lembrar para sempre. Saia de casa mais cedo, assim poderá chegar no horário marcado apesar dos imprevistos que possam surgir. Ter informações sobre a empresa e o cargo, para Manoella, também é fundamental: “Conhecer o básico sobre onde você quer trabalhar e a função que vai exercer, na era da internet, é tão simples quanto apontar e clicar”. Além disso, separar uma vestimenta adequada para a etiqueta da empresa poupa o entrevistador e o entrevistado de possíveis desconfortos.

Respeito: requisito básico

Não esquecer de fazer o mínimo também é importante: desligue o celular, agradeça pelo tempo que está tendo para se apresentar, seja cordial com todos os funcionários independente do cargo, e seja sincero quanto às habilidades que possui e as competências que ainda não domina – mas mostrando interesse em desenvolvê-las.

Tenha domínio da sua fala

Estudar as perguntas e respostas mais comuns de uma entrevista não fazem mal a ninguém, mas aposte num discurso original e não em algo pronto. A especialista também alerta para a empolgação que deve ser mostrada na conversa. “A proposta da empresa e o que ela produz devem fazer sentido ao candidato e despertar nele um interesse genuíno”, comenta. Lembrando que ser confiante não significa falar mal de antigos empregadores ou concorrentes à vaga, e sim falar bem de si mesmo, com humildade e sinceridade.

Assim, o segredo está revelado: quem conhece a si mesmo e confia em suas ações, não precisa temer suas palavras. Seja verdadeiro com os seus objetivos e nunca priorize algo que não esteja de acordo com o modo de vida que você busca cultivar. A empresa busca indivíduos capazes, curiosos e com vontade de aprender. Reflita: algum desses representa você?

Serviço: Manoella Dalledonne

Psicóloga e especialista em gestão de RH

(41) 98817-8756

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