Queiroga: é ‘absolutamente plausível’ vacinar toda a população até o final do ano

Com um discurso onde tentou não atribuir culpa a nenhum dos principais fornecedores de vacina do País ao atraso na entrega dos imunizantes, que retarda o prosseguimento do Plano Nacional de Imunização (PNI), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou durante webinar promovido pela Fiesp nesta segunda-feira (3) que está “muito entusiasmado” com a possibilidade de vacinar toda a nossa população brasileira até o final do ano, que, segundo ele, é uma meta “absolutamente plausível”.

Durante sua fala o ministro voltou a comentar sobre o recebimento de mais de 4 milhões de doses da vacina contra covid-19 entregues pelo consórcio internacional Covax Facility, reafirmando que o lote dos imunizante deveria ter chegado ao País em janeiro “um volume, salvo melhor juízo, de cerca de 10 milhões de doses, não nos forneceu” disse. Mas ressaltou logo em seguida que o atraso aconteceu “em face de dificuldades” do consórcio, “aqui não estou imputando nenhuma responsabilidade a (Organização Mundial da Saúde) OMS, com quem nós temos um excelente e longo relacionamento”, afirmou.

O mesmo cuidado foi tomado pelo ministro ao falar do Instituto Butantan e da China, principal fornecedor Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) necessário para produção do vacinas. Ao comentar sobre a “relativização” da distribuição de mais de 17 milhões de doses da vacina entre a última sexta-feira e esta segunda, o ministro declarou: “uma pena essa ação muito forte de trazer 17 milhões de doses de vacina seja relativizada em função de um eventual atraso de uma segunda dose de um agente imunizante produzido aqui no Brasil”, disse, fazendo questão de isentar a responsabilidade tanto do instituto brasileiro quanto do governo chinês na atraso da entrega.

Segundo ele, a atraso “não decorre da responsabilidade do Instituto Butantan, e sim de retardo na chegada de IFA, não por problema diplomático, mas até as vezes por questões administrativas, questões logísticas próprias da China, não é do governo chinês, nós temos uma excelente relação com o governo chinês” ressaltou.

Durante entrevista a rádio CBN na manhã desta segunda-feira, o vice-diretor da da Organização Pan-Americana da Saúde, vinculada à Organização Mundial de Saúde (Opas/OMS), Jarbas Barbosa, admitiu que houve um atraso de cerca de 30 dias na entrega de 4 milhões de doses da vacina de Oxford/Astrazeneca via Covax Facility, mas negou que elas deveriam ter sido disponibilizadas em janeiro, como havia dito o ministro.

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Covid: Brasil tem 60% da população imunizada com a primeira dose

Com a vacinação de mais de 96 milhões de brasileiros contra a covid-19 com, pelo menos, a primeira dose do imunizante, o número de casos e de óbitos pela doença caíram cerca de 40%, em um mês, de acordo com dados do LocalizaSUS, plataforma do Ministério da Saúde.

Os números consideram a média móvel de casos e mortes de 25 de junho a 25 de julho deste ano. No caso das mortes, a queda é de 42%: passou de uma média móvel de 1,92 mil para 1,17 mil, no período. O número de casos caiu para 42,77 mil na média móvel de domingo (25), o que representa redução de 40% em relação ao dia 25 de junho, segundo o Ministério da Saúde.

Vacinas

O Brasil ultrapassou a marca de 60% da população vacinada com, pelo menos, uma dose de vacina contra a covid-19. Nessa situação já são mais de 96,3 milhões de brasileiros, dos 160 milhões com mais de 18 anos. Apesar da boa marca de primeira dose, segundo dados do vacinômetro do Ministério da Saúde, o número de pessoas com ciclo de imunização completo, ou seja, que tomaram duas doses da vacina ou a dose única é de 37,9 milhões de pessoas. Para que as vacinas sejam de fato eficazes, as autoridades de saúde alertam que é necessário que as pessoas tomem as duas doses. “A medida reforça o sistema imunológico e reduz as chances de infecção grave, gravíssima e, principalmente, óbitos em decorrência da covid-19”, destaca o Ministério.

Ainda segundo balanço da pasta, das 164,4 milhões de doses enviadas para os estados, 81,5 milhões são da AstraZeneca/Oxford, 60,4 milhões são da CoronaVac/Sinovac, 17,8 milhões de Pfizer/BioNTech e 4,7 milhões da Janssen, imunizante de dose única. “Todas as vacinas estão devidamente testadas, são seguras e têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicadas nos braços dos brasileiros”, destacou o Ministério.

Novas doses

Até o fim de 2021, a expectativa é de que mais de 600 milhões de doses de imunizantes contra o novo coronavírus, contratadas por meio de acordos com diferentes laboratórios, sejam entregues ao Programa Nacional de Imunizações. Somente para o mês de agosto, a previsão é de que a pasta receba, pelo menos, 63 milhões de doses.

Produção local

A partir de outubro, o Brasil deve entrar em uma nova fase em relação à vacinas contra a covid-19 com a entrega das primeiras doses 100% nacionais. É que o Brasil assinou um acordo de transferência de tecnologia da AstraZeneca para a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) que permitirá a produção nacional do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina de covid-19. Atualmente, o Brasil só produz vacina com o IFA importado.

Brasil registra 169 casos da variante Delta

Balanço divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Ministério da Saúde informou que o número de casos da variante Delta do novo coronavírus subiu para 169. Na atualização divulgada na sexta-feira (23), o número estava em 143. Deste total, 13 pacientes tiveram quadro grave e morreram em decorrência da covid-19.

O local com mais registros até o momento foi o Rio de Janeiro, com 88 casos mapeados. O Distrito Federal teve um salto e assumiu o segundo lugar, com 30 casos, contra seis na sexta-feira.

Em seguida vêm São Paulo com 15, Paraná com 13, Maranhão com sete, Santa Catarina com cinco, Goiás com quatro, Rio Grande do Sul e Pernambuco com três cada e Minas Gerais com um.

O Ministério reafirmou em comunicado que orienta estados e municípios a ampliar o sequenciamento genômico (procedimento que permite encontrar as variantes do novo coronavírus entre os infectados).

Além disso, são recomendações a notificação imediata dos casos, o isolamento dos infectados e a adoção de medidas de prevenção em áreas onde foram encontrados pacientes com a variante.