O programa Olhar Que Transforma, da Prefeitura de Curitiba, já avaliou cerca de 45,7 mil dos 77 mil estudantes matriculados no Ensino Fundamental da rede municipal. Desde abril, a iniciativa oferece exames oftalmológicos e óculos gratuitos aos alunos das 188 escolas municipais.
Até agora, o trabalho passou por 153 unidades de ensino. Cerca de 6 mil estudantes foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e já estão usando os óculos ou aguardam o recebimento do acessório.
Proposto pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), o programa é executado em parceria com as secretarias municipais da Educação e da Saúde e representa um investimento de R$ 8 milhões. “É um esforço das equipes do prefeito Eduardo Pimentel para levar mais qualidade de vida às crianças da nossa cidade e suas famílias”, afirma o secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior.
A estudante Micaela Vitória de Lima Ribeiro, de 7 anos, é uma das crianças beneficiadas. Aluna da Escola Municipal Sady Sousa, no Sítio Cercado, ela foi diagnosticada com astigmatismo, uma deficiência visual causada pela deformação ou irregularidade da córnea.
“Quando a professora pedia pra ler, eu forçava a visão pra enxergar. Mas quando comecei a usar óculos, não precisei mais forçar. Fiquei mais segura”, conta Micaela.
Antes de receber os óculos, há menos de três meses, a menina tinha dores de cabeça, sentava muito perto da televisão para assistir aos programas favoritos, precisava usar colírio e mudava de lugar na sala para ficar mais próxima do quadro. “Em casos assim, muitas vezes a gente pensa em mandar para o neurologista, mas o caso é apenas para oftalmologista”, explica o diretor da escola, Valdinei de Jesus Rocha.
Segundo a professora Gisele Joenk, Micaela apresentou progresso após começar a usar os óculos. “Ela melhorou a cópia dos textos do quadro, o traçado da escrita e a leitura. Com os outros que passaram a usar óculos também aconteceu a mesma coisa”, relata.
Para a educadora Maria Aparecida Mateus Lima, do Núcleo Regional de Educação Bairro Novo, o uso dos óculos representa uma mudança significativa para os estudantes. “Em geral a evolução em sala de aula é grande e rápida”, diz.
Além dos efeitos na aprendizagem, o programa reduz o impacto financeiro para as famílias, que não precisam pagar pelos óculos. “Sou mãe solo e motorista de aplicativo. Então, para mim, é um pouco mais complicado. Quando lançaram o programa e ela chegou em casa falando que ia ganhar óculos, foi um alívio”, afirma Rúbia Severo de Lima, mãe de Micaela.
De acordo com Rúbia, a compra dos óculos custaria cerca de R$ 1 mil. “Ia ser apertado pra nós”, argumenta.
Fernanda Ziemmermann, que atua junto à coordenação do Olhar Que Transforma na Secretaria Municipal da Educação (SME), afirma que o programa tem efeito direto na aprendizagem e no desempenho dos estudantes. “Isso possibilita que as crianças aprendam com mais facilidade, o que contribui para que nenhum aluno fique para trás”, observa.
Para realizar os atendimentos nas escolas, foram contratadas cinco instituições de saúde: Hospital da Visão, Médicos de Olhos, Menino Deus, Hospital de Olhos e Santa Casa. As equipes levam os equipamentos até as unidades de ensino, onde são feitos os exames, escolhidos os modelos das armações, de acordo com o gosto de cada criança, e entregues os óculos.
Já foram examinados estudantes do 1º ao 9º ano das escolas das regionais Boqueirão, CIC, Boa Vista, Cajuru, Pinheirinho e Bairro Novo. Nesta última regional, todos os alunos com indicação clínica já receberam os óculos.
É no Bairro Novo que fica a Escola Municipal Sady Sousa, frequentada por Micaela há quatro anos e, mais recentemente, por sua irmã Eloá, de 2 anos. Na unidade, 34 dos 240 colegas da estudante foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e já estão usando óculos.
Atualmente, o programa percorre escolas das regionais Santa Felicidade, Portão, Matriz e Tatuquara. A previsão é que o trabalho seja concluído no fim de novembro.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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