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Porto de Paranaguá lidera movimentação de veículos no Brasil em setembro

O Porto de Paranaguá liderou a movimentação de veículos entre os portos brasileiros em setembro, com 24,2 mil unidades embarcadas e desembarcadas. De janeiro a setembro, foram movimentados 131,4 mil veículos, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 106,7 mil unidades.

A movimentação continuou em alta em outubro, impulsionada pela entrada de novas marcas no mercado nacional. Na segunda-feira (26), o navio Grande Istanbul chegou a Paranaguá para realizar o maior desembarque de veículos elétricos e híbridos da história do porto, com previsão de 6.030 unidades.

O crescimento ocorre após investimentos em infraestrutura realizados nos últimos sete anos pela Portos do Paraná. Segundo Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da empresa, a licitação de um novo terminal de veículos foi feita em 2020, mesmo sem demanda naquele momento. “Em 2020, fizemos a licitação de um novo terminal de veículos, mesmo quando o porto não apresentava demanda. Estávamos nos preparando, e essa demanda veio”, afirma.

O Grande Istanbul foi o terceiro navio a atracar em Paranaguá, em uma semana, com uma carga expressiva de veículos. Entre os dias 21 e 25, outras duas embarcações haviam descarregado 8,1 mil veículos, totalizando 14 mil unidades no período. Mais dois navios provenientes da Ásia, com mais de 9 mil automóveis, tinham previsão de atracação até o dia 31.

Com a previsão de aumento da movimentação em outubro, a Portos do Paraná projeta superar ainda em 2026 o recorde de 135,2 mil veículos registrado em 2019, considerando as operações de importação e exportação. A expectativa é que o ano termine com o melhor resultado da última década para esse tipo de carga.

“Devemos fechar o mês entre 40 e 45 mil veículos movimentados, sendo um recorde histórico para Paranaguá, e fechar o ano com cerca de 200 mil veículos movimentados”, acrescenta Flavio de Faria Rufino, diretor de Portos da Ascensus, operadora portuária que atua em Paranaguá.

Garcia atribui o desempenho à estrutura criada para a implantação de um terminal especializado e à qualificação da mão de obra. “Sem a estrutura criada nessa gestão para implantação de um terminal de veículos altamente especializado e mão de obra extremamente qualificada, não seríamos um porto tão atrativo para o setor automotivo como somos hoje”, explica.

Desde agosto, novas marcas passaram a utilizar o Porto de Paranaguá para importar veículos, entre elas Omoda, Jaecoo, GWM, Haval e Jetour. A chegada dessas montadoras contribui para o aumento das operações. Audi, Renault, Fiat, GM, Volkswagen e Geely já atuam há mais tempo no porto paranaense.

“Antes, o Porto tinha duas ou três montadoras que trabalhavam de forma dedicada. Hoje, são várias marcas, principalmente com as asiáticas, que enxergam no Paraná uma opção logística extremamente adequada”, detalha Garcia. “Estamos recebendo três navios [Ro-Ro] quase em simultâneo, o que não é comum, mas conseguimos acomodar todos para que essas operações transcorram com qualidade”, completa.

As exportações de cargas rolantes registraram em setembro o maior volume mensal do ano, com 6.397 veículos enviados ao exterior. Nas importações, Paranaguá liderou nacionalmente, com 17,8 mil veículos desembarcados.

As operações ocorreram em cerca de 20 escalas de navios do tipo Ro-Ro (Roll-on/Roll-off), utilizados no transporte de veículos, e ConRo, embarcações híbridas que transportam veículos e contêineres.

De acordo com o Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados do comércio exterior, o Porto de Paranaguá movimentou 40,4 mil toneladas de veículos em setembro. Desse total, 35,7 mil toneladas corresponderam às importações, o equivalente a 49,6% do total nacional, enquanto 4,7 mil toneladas foram referentes às exportações.

O resultado ficou próximo do dobro da movimentação do Porto de Vitória, segundo colocado no ranking nacional, com 23,6 mil toneladas.

“Não importa ser líder. O que importa é oferecer ao mercado uma opção logística extremamente adequada e uma condição operacional atraente, para que, cada vez mais, o Paraná seja reflexo de uma boa infraestrutura no país”, pondera Luiz Fernando Garcia.

A China foi a principal origem dos veículos importados em setembro, com 28 mil toneladas, equivalentes a 77% do total. Hong Kong ficou em segundo lugar, com 4,4 mil toneladas (12%), seguido pelo México, com 3 mil toneladas (8,3%).

No acumulado de janeiro a setembro, as importações de veículos somaram 142,8 mil toneladas, enquanto as exportações totalizaram 34,6 mil toneladas. Considerando a tonelagem, os resultados colocaram o Porto de Paranaguá na vice-liderança nacional nos dois fluxos comerciais.

A China também liderou a origem dos veículos importados no acumulado do ano, com 95,5 mil toneladas, o equivalente a 66,9% do total. O México ocupou a segunda posição, com 35,6 mil toneladas (24,9%), seguido por Hong Kong, com 4,4 mil toneladas (3,1%). A Alemanha ficou em quarto lugar, com 2,9 mil toneladas, correspondentes a 2,1% das importações.

Além de automóveis e comerciais leves, a Portos do Paraná movimenta veículos pesados, como caminhões, ônibus e tratores, em operações de importação e exportação. O berço 219 é exclusivo para navios do tipo Ro-Ro (Roll-on/Roll-off), enquanto o berço 215 tem estrutura multipropósito e também pode receber esse tipo de carga.

A operação conta com dois pátios administrados pela Ascensus, localizados próximos ao cais, ao lado do terminal de contêineres. Juntas, as áreas somam 200 mil metros quadrados e têm capacidade para movimentar até 40 mil veículos por mês.

O Porto de Paranaguá também apresenta baixo índice de avarias na movimentação de veículos. O resultado é atribuído à atuação de equipes treinadas e capacitadas para executar esse tipo de operação.

Nas operações com grande volume de veículos, cerca de 300 profissionais trabalham em diferentes turnos. “Nós conseguimos movimentar aproximadamente 270 veículos por hora, enquanto a média dos outros terminais gira em torno de 100 a 150 por hora. Isso mostra a nossa capacidade e o tamanho da produtividade que temos por aqui”, completa Rufino.

Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.

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