Paixão por gastronomia leva profissionais de outras áreas a investir no setor

Os encantos da gastronomia cruzam as mais diversas barreiras – incluindo as profissionais. Cada vez mais, o mercado gastronômico está conquistado pessoas que construíram carreira em outras áreas e acabam envolvidos em bares, restaurantes e eventos do gênero. Curitiba é um polo dessa tendência, com pedidas que vão da alta cozinha internacional até redes de sanduíches e cafés que ganharam o Brasil.

Destaque curitibano no último ano, o Marcondes Cozinha Autoral é um desses casos. A casa, que vem se consagrando com sua alta gastronomia, foi fundada em junho de 2021 por Rogério Marcondes. Dentista há mais de 25 anos, foi se especializando em áreas da gastronomia até decidir abrir seu próprio restaurante. Desde 2006, quando participou da primeira turma do curso de Sommelier do Centro Europeu, veio estreitando laços com o setor. Chegou a atuar como vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers – Paraná e, em 2015, fez o curso de Chef de Cozinha no Centro Europeu.

Rogério Marcondes – Foto Por Rodrigo Félix Leal

Outro estímulo foram suas viagens: visitou os cinco continentes ao longo da carreira, dando aulas de Odontologia. “Sempre que viajo gosto de comer em restaurantes bons, de experimentar”, conta Marcondes. Uma tendência que reparou nas melhores casas do mundo foi a aposta em menus degustação: “São quase todos às cegas, você não sabe o que vai vir, confia no chef, e foi a ideia que tentei imprimir baseado nas experiências que tive”, comenta. A inspiração deu resultado: o Menu Confiance é carro-chefe do Marcondes, atraindo curitibanos e turistas para provar o menu, com opções de cinco, sete e até nove etapas de surpresas criadas pelo chef da casa. “Você acaba trabalhando com muitas pessoas, tendo muito contato. Não é um ramo fácil, mas é extremamente prazeroso. Abri o restaurante muito mais por esse prazer”, complementa o profissional.

Outro nome que alia as diferentes carreiras é o arquiteto e empresário André Henning. Projetos de arquitetura para gastronomia são os que o consagraram como nome de destaque na capital paranaense. Depois de elogiados projetos e conceitos para bares e restaurantes, foi quase natural que Henning decidisse apostar em algo próprio. Ao lado dos sócios Elói Ferreira e Caio Nardes, comanda a Go Coffee, rede de cafeterias “to go” que tem crescido por todo o Brasil. A rede já ultrapassou a centena de unidades em atividade, de Fortaleza a Porto Alegre, e com outras 100 confirmadas. “Hoje sou um empresário que também é arquiteto”, comenta.

André Henning – Foto por Uelton James

Com um projeto bem pessoal, Henning desenhou a primeira loja da marca, em 2017. A qualidade do cardápio aliado ao conceito visual da Go Coffee foi ganhando visibilidade rapidamente, com um plano de expansão iniciado em 2019 – que, apesar de afetado pela pandemia, não deixou de crescer. “Comecei a atender, como arquiteto, muitos empresários que se espelham na minha carreira e visão empresarial”, confidencia. O reconhecimento resultou em um convite duplo para a CASACOR Paraná 2022: além de montar um espaço da Go Coffee no evento dedicado à arquitetura e design de interiores (repetindo o sucesso de anos anteriores), Henning estreia uma nova marca. O bar Matiz – pensado para aliar um ambiente instagramável de iluminação criativa com drinks coloridos que despertam uma experiência única – será seu próximo empreendimento, a inaugurar em Curitiba depois da CASACOR.

Abrindo novas portas

Diferente de Henning e Marcondes, há empresários que deixam de lado completamente suas profissões anteriores. É o caso de José Araújo Netto, hoje conhecido como um dos empresários mais diversificados do Brasil. Em 2009, atuava como bancário. “Apesar de ter uma carreira financeiramente estável, todo funcionário tem medo de perder o emprego. Então resolvi investir na gastronomia para ajudar meu pai, e também para ter um plano B, caso as coisas dentro do banco não dessem certo”, comenta Netto. 

José Araújo Netto – Divulgação

Em pouco tempo, esse plano B virou o plano A. O Quermesse, bar temático que celebra festas do interior, foi o primeiro, logo seguido por outros empreendimentos de sucesso, como o Mr. Hoppy. Em 2014, Netto abandonou de vez a profissão de bancário, dedicando-se aos bares e restaurantes. Mais do que repetir fórmulas, aprendeu que cada conceito se comporta de uma forma diferente – o que o levou a diversificar, seja com franquias ou espaços próprios. Um de seus sucessos no ramo de franquias é o Porks – Porco & Chope, focado em preparos com carne de porco, de sanduíches a porções. Desde o início da pandemia, em 2020, abriu mais de 27 unidades do Porks, em estados como Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Hoje, são 50 lojas da rede comercializadas. Além de franquias, Netto continua criando novidades: o Fish*Me, bar dedicado a servir peixes e frutos do mar de forma descontraída, foi inaugurado no ano passado e já está em processo de expansão.

Além da paixão pela área, há outro atrativo no ramo da gastronomia. Depois de dois anos difíceis para empresários do setor, durante a pandemia, a retomada econômica dá sinais de retorno à estabilidade. Em pesquisa recente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), publicada no início de julho, 35% dos empresários entrevistados em todo o Brasil afirmaram ter tido lucro em maio, contra 29% que tiveram prejuízo e 36% que ficaram em equilíbrio – números mais estáveis considerando as valores de abril.

Daniel Mocellin – Foto por Nakayana

O aumento de preços devido a inflação tem dificultado um crescimento mais rápido, enquanto empresários tentam diminuir seus lucros antes de repassar no preço final para o consumidor essa flutuação de preços. “Estamos absorvendo parte desse custo e reduzindo nossa margem”, explica Daniel Mocellin, pizzaiolo e fundador da Pizzaria da Mathilda. Mesmo assim, o cenário é positivo: a alimentação fora de casa tem crescido, mesmo que timidamente. Já em abril, um levantamento da Fundação Instituto de pesquisas econômicas mostrou crescimento de 19,1% nas transações feitas em restaurantes, bares e lanchonetes. O que tem sido demonstrado até na abertura de novos empreendimentos.

A Pizzaria da Mathilda, por exemplo, inaugurou recentemente sua terceira unidade, no bairro Água Verde – a rede tem ainda espaços no Centro e Juvevê. Mocellin é focado no crescimento com lojas próprias e tem conquistado o mercado curitibano. Formado em jornalismo, trabalhou para restaurantes com fotografia e comunicação entre 2007 e 2015. Foi sócio do WhataFuck, hamburgueria que foi na contramão da “gourmetização” e apostou em um produto de qualidade com preço acessível e em espaços da cidade que valorizavam a interação social. Essa experiência foi essencial para o sucesso da rede de pizzarias. Apaixonado por pizzas, aprendeu o estilo clássico napolitano, estudando por meses como desenvolver o formato individual com massa de fermentação lenta. “Quando comi pela primeira vez uma pizza napolitana, vi que não era parecido com nada que eu já tinha provado”, revela. Diferente das pizzarias mais comuns no Brasil, com dezenas de sabores e pizzas gigantes, Mocellin aposta em sabores reduzidos, bem variados entre si e com insumos de qualidade. São releituras de recheios mais clássicos e criações originais. Agora ele projeta a expansão da rede, que deve ganhar ainda mais unidades em 2022. “Sou um apaixonado por gastronomia e pela rotina da pizzaria, um ambienta onde realmente as pessoas são felizes”, completa Mocellin.

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Happy Tech espera gerar mais conexão entre as empresas de TI do Paraná

Novos negócios, sinergia e, claro, novas amizades. Tudo isso, ao som de boa música e em tons descontraídos, é o que promete a primeira edição do Happy Tech, evento organizado pelo Ecossistema de Inovação do Estado do Paraná e que conta com o apoio de alguns segmentos do setor. A primeira ação está marcada para o dia 16 de agosto e a expectativa dos organizadores é de que ela entre para o calendário, se tornando uma agenda mensal de encontro entre os empresários.

“O objetivo é, primeiro, conhecer as empresas, fazer networking, conhecer futuros parceiros e colaboradores que tenham objetivos semelhantes e, claro, fazer negócios. Tudo isso em um clima descontraído e leve”, sintetiza Paulo Raymundi, um dos organizadores do evento. Para o Happy Tech, estão sendo convidadas todas as empresas do setor de tecnologia da informação (TI) do Paraná.

Quem participar do evento, também será convidado a ingressar na Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR), para, a partir disso, estreitar o relacionamento e ter acesso a toda oferta de ações que a entidade defende e promove. “Como entidade, somos mais forte e crescemos juntos. Já somos grandes, mas podemos ficar maiores ainda. O ingresso de novos associados é sempre muito bem-vindo. Além disso, quem entra, ajuda a oxigenar ideias e fortalece a categoria”, comenta o presidente da entidade, Lucas Ribeiro.

O Happy Tech espera reunir até 300 convidados. Para participar, é preciso inscrever-se em um link. O investimento é de R$ 30 e dá direito a dois chopps, uma noite agradável e bem-humorada: o evento terá um convidado especial, o apresentador e humorista Zico Lamour, que fará um show de stand-up e imitações. 

Tecnologia no Paraná

Apenas na produção de software, o Estado é o quarto em quantidade de empresas de tecnologia em desenvolvimento do País, mas o sétimo em receita. “Temos um desafio muito grande em gerar negócios e, trabalhando em conjunto, isso fica muito mais fácil”, defende Lucas Ribeiro.

No quesito inovação, o Paraná também é destaque. O Mapeamento das Startups Paranaenses 2022, realizado pelo Sebrae-PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná), divulgado em março, mostra que o Estado tem 522 startups a mais que no último levantamento, totalizando 1.956 empresas inovadoras em atividade em 108 municípios. Vale lembrar os dados do País: nacionalmente, são pelo menos 11 empresas do gênero com valuation de 1 bilhão de dólares e reconhecidas, portanto, como unicórnios.

SERVIÇO

O que

Happy Tech

Quando

Dia 16/08

Local e horário

Armazém Garagem Bar – Rodovia Curitiba/Ponta Grossa BR-277, 2630 – Santo Inácio, a partir das 18 horas

Como participar

Inscrição pelo link: https://www.sympla.com.br/happy-tech__1641402 [vagas limitadas]

Investimento

R$ 30

Gosta de cachorros? Saiba como trabalhar com os animais sem precisar abrir um negócio

O universo canino ganha mais admiradores a cada dia e isso aumentou a demanda por profissionais para atuar nesta área. De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), o setor gerou mais de 2,83 milhões de empregos diretos e indiretos em 2021, um crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. Com mercado aquecido, serviços como dog walker, um passeador de cachorros, e pet sitter, cuidador de animais, se popularizaram na rotina dos tutores.

Segundo Thiago Calixto, sócio-fundador e diretor de expansão da Doggi, o crescimento pela procura dessas atividades é a oportunidade de começar uma nova função na área. “Depois da pandemia, muitas pessoas precisaram de ajuda para cuidar dos seus dogs e ter alguém perto de casa que possa levá-los para um passeio ou cuidar enquanto o tutor faz uma viagem rápida já ajuda na rotina”, conta. 

Com essas oportunidades, é possível investir para trabalhar com o bem-estar animal gastando pouco e sem a necessidade de abrir uma empresa. Calixto afirma que para trabalhar como cuidador de cachorros para o dia a dia ou até mesmo receber os animais por um tempo em casa (como em um hotel), é preciso realizar algumas adaptações no espaço. “Alguns cuidados são essenciais para se tornar um hotel ou uma creche caseira para cachorros, como oferecer padrões mínimos de segurança, com proteções nas janelas e sem rotas de fugas, higiene local adequada, além de gostar muito dos companheiros de quatro patas”. 

Já para quem não tem a disponibilidade de receber os animais em casa, existe a possibilidade de se tornar um passeador de cães. Para isso, além do tempo, é importante ter um treinamento adequado com um adestrador profissional para realizar a atividade. “Mesmo que seja uma ação simples, cada cachorro tem um comportamento diferente, por isso, o treinamento se torna uma grande ferramenta para o passeador, que além de dar garantia ao tutor sobre seu cuidado e conhecimento, também torna esse momento mais prazeroso para o cachorro”, explica Calixto. 

Para incentivar esses trabalhadores autônomos, a Doggi disponibiliza no seu site o cadastro de novos profissionais. A proposta da plataforma é unir quem oferece este tipo de serviço o mais próximo possível da casa dos tutores. A candidatura para essas funções acontece no próprio site da rede. “Esse trabalho pode ser uma renda extra ou se tornar a principal fonte do trabalhador, um passeador, por exemplo, pode faturar até R$ 5 mil ao mês”, finaliza o executivo.  

Sobre a Doggi

Fundada pelos empresários Rodolfo Calvo e Thiago Calixto em 2021, na cidade de Ribeirão Preto, interior do estado de São Paulo, a empresa nasce como uma startup e passa a adotar o modelo de parcerias para expansão. No app da Doggi, após breve cadastro para o agendamento de banho, tosa ou vacina, o usuário também consegue participar do Clube Doggi, mediante assinatura, que oferece 10% de desconto em todos os serviços disponíveis no app. Saiba mais aqui.