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ONU alerta sobre aumento alarmante do recrutamento de crianças por gangues no Haiti

Um recente relatório da ONU destaca a crescente influência de gangues armadas em Porto Príncipe, capital do Haiti, que tem levado ao recrutamento sistemático de crianças. O cenário de violência revela um quadro alarmante de vulnerabilidade, onde a pobreza e a falta de acesso à educação são fatores preponderantes.

Gangues controlam bairros e intensificam extorsão

A ONU informa que a violência alimentar o deslocamento de famílias, dificultando o acesso a serviços básicos e tornando as crianças ainda mais suscetíveis a coerção e exploração. Em Porto Príncipe, pelo menos 26 gangues operam, incluindo grupos conhecidos como “103 Zombies”, “Village de Dieu”, “Tokyo” e “Kraze Barye”, que impõem extorsões violentas e lutam pelo controle de territórios.

Barricada em Porto Príncipe

Uma barricada foi montada em um bairro de Porto Príncipe numa tentativa de impedir sequestros por gangues.

Recrutamento sistemático de crianças

Conforme a violentação na área aumenta, as gangues buscam constantemente novas pessoas para se juntar a suas fileiras, com crianças sendo mais facilmente manipuláveis. O recrutamento, antes esporádico, tornou-se uma prática comum em diversas regiões do país.

Pobreza, deslocamento e coerção

O documento revela que muitos menores se juntam às gangues devido à fome, ausência de escolas e desespero econômico, sendo alguns recrutados à força. Joseph, de 16 anos, compartilhou sua experiência de crescimento em um bairro dominado por gangues, onde a percepção de luxo e influência atraía os jovens.

A situação é agravada pelo deslocamento interno e pela separação das famílias, já que os serviços de proteção à infância estão sobrecarregados ou ausentes em áreas de alto conflito.

Relatório da ONU

A ONU diz que houve um “aumento alarmante” no recrutamento de crianças para gangues no Haiti.

Crianças em funções de risco

Crianças recrutadas exercem funções diversas nas gangues, incluindo vigilância e transporte de mensagens. Muitos acabam envolvidos em confrontos armados e sequestros. Um relato destaca que uma criança chegou a ganhar 1.000 dólares por semana em um país onde a pobreza é generalizada.

Exploração sexual

O relatório também evidencia os riscos de exploração sexual e abuso enfrentados especialmente por meninas. Julia, uma adolescente, revelou que foi forçada a manter relações sexuais com membros de gangues em diversas ocasiões, vivendo em um ambiente repleto de medo. Outro jovem, chamado Pierre, recorda que foi recrutado aos 10 anos e, sob influência de drogas, acabou por desenvolver uma dependência severa.

Famílias em Porto Príncipe

Milhares de famílias continuam a fugir de suas casas em Porto Príncipe devido à violência relacionada a gangues.

Consequências a longo prazo

Crianças recrutadas enfrentam sérios traumas físicos e psicológicos, com implicações que afetam sua saúde mental e seu futuro. A interrupção da educação é comum, enquanto o medo de retaliação dificulta a reintegração dos menores que desejam abandonar a vida nas gangues.

A ONU também destaca que a violência sexual intensifica o trauma, especialmente entre meninas, contribuindo para um ciclo de violência autossustentado.

Necessidade de proteção e educação

O relatório conclui enfatizando a insuficiência de respostas baseadas unicamente na segurança. É necessário fortalecer os sistemas de proteção infantil, restaurar o acesso à educação e implementar iniciativas que previnam o recrutamento nas comunidades afetadas.

A ONU recomenda aumentar os recursos destinados a famílias vulneráveis, especialmente aquelas chefiadas por mulheres, como uma maneira de proteger as crianças. As escolas são vistas como um fator crucial para afastar os jovens da influência das gangues.

Formação profissional

Para apoiar a permanência escolar, a ONU continua a implementar programas como cantinas, reabilitação de edifícios e transferências monetárias. Organizações locais estão recebendo apoio para oferecer programas de formação profissional, procurando alternativas de emprego para jovens fora do alcance das gangues.

A situação das gangues e sua influência sobre os jovens nas comunidades locais é uma prioridade. A ONU está colaborando com a Força de Supressão de Gangues, criada em 2025, com a expectativa de que desempenhe um papel significativo na restauração da segurança e na proteção infantil. Além disso, há esforços para reforçar o sistema de justiça haitiano, visando combater o tráfico de crianças.

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