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Aposentadas produzem ecobags com xilogravuras inspiradas em símbolos africanos

O Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques (Creafro) recebeu, na tarde desta quinta-feira (17/9), uma oficina de xilogravura em ecobags promovida pelo Programa Vida Nova. A atividade reuniu arte, literatura e ancestralidade, apresentando aos participantes os Adinkras, símbolos visuais de origem africana, como inspiração para a criação de estampas.

A oficina foi conduzida pela escritora Maísa Cardoso e pela ilustradora Day Cortes, autoras do livro “Mora em mim uma história”. A obra combina a literatura de cordel com os Adinkras, usando os símbolos como ponto de partida para histórias e reflexões sobre valores, ensinamentos e sabedoria ancestral.

Durante a atividade, Maísa apresentou alguns significados associados aos Adinkras e compartilhou versos de cordel. A proposta foi aproximar as duas manifestações culturais.

“Os Adinkras trazem uma sabedoria africana ancestral, enquanto o cordel é uma das principais expressões da literatura brasileira. A ideia é valorizar essas duas culturas e trabalhar tudo em forma de cordel”, explicou Maísa.

Depois da apresentação dos símbolos e de seus significados, os participantes produziram as próprias ecobags. Day Cortes mostrou os materiais e explicou o processo de criação das imagens.

A técnica da xilogravura foi adaptada para a produção em tecido. Dessa forma, cada participante pôde desenvolver uma estampa própria a partir dos elementos apresentados.

“É uma técnica que a gente vai construindo aos poucos, trabalhando os detalhes e depois fazendo os acabamentos com pincéis e canetas. Cada pessoa pode deixar a sua marca no trabalho”, explicou Day.

Maria Iolanda Novinsqui, 72 anos, aposentada da Secretaria Municipal da Educação (SME), participou da oficina por se interessar por desenho e pelas possibilidades de aplicar o aprendizado no artesanato que já desenvolve. Ela trabalha principalmente com resina e madeira e nunca havia experimentado a técnica apresentada na atividade.

“Eu vim por causa do desenho, porque sou artesã e trabalho com artesanato, com resina e essas coisas. Achei o material interessante. Está sendo bem legal”, contou.

A experiência também abriu novas possibilidades para Maria Iolanda. “Eu faço na madeira, no pinho. Faço o tratamento da madeira e depois trabalho com a resina. Esse desenho, principalmente, dá para trabalhar com a resina”, explicou.

Para Daiane do Nascimento, servidora do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), a oficina foi além do aprendizado de uma técnica artística. Ela ressaltou a importância de conhecer os significados dos símbolos e de ter contato com uma cultura diferente.

“A arte liberta a nossa criatividade. Espero, além de ter acesso a essa cultura e a esse entendimento, poder fazer essa libertação da minha criatividade”, disse.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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