Novo perfil da covid-19: hospital registra queda de 90% no número de internações e pacientes menos graves

O perfil dos pacientes internados devido à covid-19 no Brasil mudou em 2022, se comparado aos anos anteriores da pandemia. No Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), nos meses de maio e junho deste ano, o número de internados foi menos de 10% do registrado no mesmo período de 2021, passando de 274 para 23. O número de doentes que precisaram de ventilação mecânica também caiu, de 61% para 39%.

“Nós registramos uma grande procura por conta de síndromes respiratórias com a chegada do frio, mas a maioria foi ocasionada por outros vírus, diferentes do coronavírus. Pela covid, a maior parte dos pacientes que procuraram o hospital foram casos mais leves e que não precisaram de internação nem em leito clínico, nem de UTI”, conta o intensivista e gerente médico do hospital, Jarbas da Silva Motta Junior. 

Impacto da vacinação

No primeiro ano da pandemia, além de hospitais cheios, a necessidade de cuidados de alta complexidade era muito maior, com uso de procedimentos como a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), que funciona como pulmão ou coração artificial. O procedimento só é utilizado após esgotadas todas as alternativas de tratamento, principalmente fisioterapia e ventilação mecânica. No primeiro ano da pandemia, 11 pacientes utilizaram o suporte no Hospital Marcelino Champagnat, uma explosão perto da média que era de dois pacientes anuais até então. Em 2022, nenhum paciente foi submetido ao tratamento com ECMO devido a problemas decorrentes da covid-19.

“A vacinação é o que fez mudar esse quadro do perfil dos pacientes. Mesmo com novas cepas mais contagiosas, como a ômicron, deltacron e outras, as pessoas contaminadas estão conseguindo fazer o tratamento em casa. Mas é importante que cuidados como uso do álcool em gel e isolamento em caso positivo da doença, sejam mantidos”, complementa o médico.

Idosos com comorbidades

A média de idade dos pacientes subiu, passando para mais de 70 anos e 71% deles com comorbidades. Esse foi o caso do casal Albanita e Izan Bauer, de 83 e 87 anos. Os idosos foram internados juntos por covid-19 e, apesar da idade avançada e comorbidades, se recuperaram sem a necessidade de terapia intensiva. 

“O que fez a diferença para a recuperação do seu Izan e dona Albanita foi o ciclo de vacinas completo para covid-19. Se fosse no cenário que tínhamos antes da pandemia, dificilmente eles teriam alta hospitalar tão rápida sem passar pela UTI”, comenta a médica clínica Larissa Hermann Nunes, que cuidou do casal durante a internação. “As pessoas ficaram muito tempo mais isoladas, com máscara, e agora começaram a circular em mais ambientes e sem a proteção da máscara, e isso, associado ao frio, faz com que as pessoas fiquem em ambientes mais fechados causando um aumento das síndromes respiratórias. A exposição a outros vírus, como o da gripe, voltou, por isso ressaltamos tanto a importância das vacinas não só da covid como a da gripe”, finaliza. 

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Gravidez após os 40 é sempre de risco?

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020 mostram que houve um aumento no número de mulheres que deram à luz após os 40 anos de idade no Brasil. De acordo com a pesquisa, a alta de partos foi de 57% para gestantes entre os 40 e 44 anos, de 27,2% dos 45 aos 49 e de 55% para aquelas com mais de 50 anos.

Embora esse cenário esteja sendo cada vez mais comum no Brasil, especialistas da área da ginecologia e obstetrícia alertam que uma gestação tardia pode oferecer algumas atribulações para o desenvolvimento do embrião. Segundo o guia “Gestação de alto risco” desenvolvido pelo Ministério da Saúde, uma das causas que podem fazer com que uma mulher tenha uma gravidez de risco é a idade maior que os 35 anos. 

Por esse motivo, um acompanhamento médico especializado torna-se indispensável para direcionar a mãe aos cuidados necessários para minimizar as chances de problemas para o bebê.

O que torna a gravidez aos 40 anos de risco 

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, um dos motivos que fazem com que mulheres com mais de 40 anos estejam na classificação de risco é a diminuição dos óvulos, o que por sua vez pode aumentar a chance de abortos espontâneos ou problemas no nascimento. 

Além disso, a fundação também pontua que conforme a mulher vai envelhecendo, crescem as chances para condições como obesidade, pressão alta, tireoide e diabete, por exemplo, todas potenciais complicadoras de gestação. 

Quais são os riscos de uma gravidez tardia

As enfermidades que acometem as mulheres a partir dos 40 anos de idade podem causar impactos à saúde da mãe e ao desenvolvimento do bebê. 

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, há chances de ocorrer um parto prematuro, anomalias placentárias, Síndrome de Down, crescimento intra-uterino restrito, gestações múltiplas, aborto espontâneo e natimortalidade. 

Já em relação à saúde da mãe, é possível haver diabete gestacional, hipertensão e ainda complicações no trabalho de parto devido à falta de contrações e dilatações. 

Cuidados evitam complicações

As recomendações do Ministério da Saúde, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Fundação Oswaldo Cruz acerca das gestações após os 40 anos são as mesmas e trazem o alerta da importância do acompanhamento médico durante todo o processo. 

O planejamento da gravidez é essencial, pois, segundo as entidades, antes mesmo de iniciar as tentativas, deve-se buscar por orientações profissionais para verificar a existência de possíveis fatores de risco. A partir da análise, é possível ter uma noção da necessidade de medicamentos e da realização de testes durante toda a gestação. 

O pré-natal é indispensável para as mães aos 40 anos ou mais. Conforme salienta o guia elaborado pelo Ministério da Saúde, o acompanhamento regular ajuda a prevenir e diminuir os riscos para as gestantes e para os bebês. Durante o processo, a mulher recebe atualizações sobre o andamento da gestação e as atitudes que deve tomar para obter mais qualidade de vida para si própria e para o feto.  Segundo a Febrasgo, manter uma rotina saudável, livre de doenças sexualmente transmissíveis, sem oscilação de peso e uso abusivo de álcool é essencial para minimizar a presença de mais riscos durante a gestação.

Adultos também precisam de diversas vacinas

Vacina não é um cuidado para se ter apenas com crianças e idosos. É fundamental que adultos também mantenham o calendário vacinal em dia para o controle de doenças endêmicas (que podem voltar de tempos em tempos), como os casos recentes de sarampo e febre-amarela. 

A recomendação do Ministério da Saúde é que adultos não deixem de atualizar sua carteira de vacinação, compareçam ao posto de saúde mais próximo e se certifiquem de que estão com as imunizações em dia. Em caso de dúvida, o indicado é conversar com um médico sobre o assunto.

Um indivíduo está suscetível a infecções por bactérias ou vírus em todas as fases da vida. Esses agentes infecciosos, quando não combatidos e prevenidos por meio de campanhas de vacinação, podem causar inúmeros problemas. 

Conforme dito à imprensa pelo infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as vacinas contra bactérias são desenvolvidas para controlar surtos epidemiológicos. Já as contra vírus costumam ser aplicadas durante a vida toda, com algumas doses de reforço para garantir que a doença não retorne. 

Postos de saúde contam com imunizantes direcionados a cada grupo. Para adultos, o Ministério da Saúde orienta doses contra hepatite B, difteria e tétano, tríplice viral e febre-amarela. Já para idosos, a recomendação inclui hepatite B, difteria e tétano, pneumocócica 23-valente e influenza. Existem, ainda, os disponíveis em clínicas particulares fora da faixa etária oferecida pelo serviço público, como a vacina contra o HPV. 

Hepatite B

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a hepatite B é ministrada em três doses para pessoas que não foram imunizadas ao longo da infância ou que nunca tiveram a doença. É preciso tomar a segunda dose um mês depois  da primeira, e a terceira seis meses após a segunda.

Tríplice bacteriana: difteria, tétano e coqueluche

A vacina tríplice bacteriana, que atua contra difteria, tétano e coqueluche, é administrada durante a infância. Na adolescência e na vida adulta, é necessário receber o reforço com a vacina dupla (atuante contra difteria e tétano) a cada 10 anos.

Tríplice bacteriana na gestação

A vacina também é indicada para gestantes no último semestre da gravidez. A imunização deve ser feita em cada gestação, já que o intuito é proteger tanto a mãe quanto o bebê — que apenas completa sua imunização individual contra as doenças da tríplice depois dos seis meses de vida, quando toma a terceira dose da vacina DPT.

Tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola

A vacina tríplice viral, que age contra sarampo, caxumba e rubéola, também integra o caderno de vacinação infantil. Todavia, para aqueles que não a tomaram quando criança, é indicado receber a dose quando adulto.

O esquema vacinal funciona da seguinte forma: para pessoas de 20 a 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de 30 dias entre elas. Já para adultos de 30 a 59 anos, a recomendação é uma dose.

Gripe

A vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, é disponibilizada para a população anualmente. É recomendado que todos sejam imunizados, exceto bebês com menos de 180 dias e indivíduos que tiveram alergia grave em relação às doses dos anos anteriores.

Covid-19

Atualmente, é indicado tomar três doses da vacina contra o coronavírus para completar o esquema vacinal. A aplicação da quarta dose tem acontecido gradualmente conforme a faixa etária. 

HPV

A imunização contra o HPV ou papilomavírus humano é disponibilizada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para pessoas de 9 até 26 anos, incluindo pessoas imunossuprimidas.

Em clínicas particulares, a vacina quadrivalente está disponível para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e para meninos e homens de 9 a 26 anos. 

O esquema vacinal é composto por três doses. A segunda delas deve ser aplicada dois meses depois da primeira, e a terceira, seis meses após a primeira aplicação.

Herpes-zóster

A vacina contra herpes-zóster (popularmente conhecida como cobreiro) é licenciada em uma dose para indivíduos a partir dos 50 anos. O imunizante está disponível somente em serviços privados de vacinação.

Febre-amarela

A vacina contra a febre-amarela pode ser tomada em qualquer fase da vida adulta. Quem vai viajar para áreas onde existam muitos casos da doença deve se imunizar dez dias antes do embarque. 

A princípio, a vacina é aplicada em dose única. Pelo risco de falha vacinal, contudo, uma segunda dose pode ser recomendada dez anos depois da primeira.

Esse imunizante é contraindicado para gestantes e para quem estiver amamentando.