quinta-feira, fevereiro 29, 2024
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Não foi uma noite normal na Trajano Reis

Crédito da foto: http://curitibaspace.com.br/

Como de costume acordei de manhã com o despertador me gritando nos ouvidos, tomo o meu café preto, saio correndo para o banho e já me apronto para pegar dois ônibus até chegar ao meu trabalho. Neste caminho encosto a cabeça na janela, quando sento, e com meu fone de ouvido quase no último volume imagino todas as várias coisas que farei no dia e viajo em meus sonhos surreais, como ganhar na Mega Sena e o que eu faria com o dinheiro que eu ganhasse. Um pouco louco, eu sei.

Completo as horas de trabalho, são quase 19h e o meu celular começa a quase pular do bolso de tantas notificações. É o grupo de WhatsApp dos meus amigos, me convidando para mais uma noite de bebedeira, mas nesta noite comentei que chegaria mais tarde. O motivo? Um casal de amigos me apresentaria para uma amiga solteira. Seria mais um daqueles momentos em que dois grandes amigos querem lhe ajudar a desencalhar. Quem nunca, não é mesmo? Me arrumei com a camisa mais bonita que tenho – que pelo menos eu acho bem bonita – azul com detalhes em branco e fui até o bar. Bar esse na Rua Trajano Reis, em que estava acontecendo um aniversário de uma pessoa que eu nem sabia o nome. Nos sentamos, pedi cerveja e fui ao lado de fora com um amigo para fumar um cigarro.

Esperei pela menina e ela acabou avisando que não iria naquele dia. Fiquei desanimado e mais uma vez desacreditei que poderia conhecer alguém legal. Quase 10 minutos depois, um outro amigo chegou, um dos membros daquele grupo do WhatsApp, e tomamos mais uma cerveja. Ele cogitou várias vezes em irmos para outro lugar, mas não estava muito afim. Preferi ficar ali na Trajano Reis e fazer o ritual de nosso grupo: ir ao nosso “bar de estimação”, beber e entrar em uma balada. Dito e feito, saímos do aniversário, caminhamos e cumprimentamos o querido amigo nosso que cuida do estacionamento ao lado do “nosso” bar. Um senhor que nunca vi de mal humor. Sempre de bem com a vida e cheio de histórias para contar. É uma tradição para nós, sentamos com ele e falamos sobre a vida.

Em um momento que estávamos falando sobre como seria a nossa noite até que uma amiga que não via há um tempo mandou uma mensagem avisando que estava ali por perto, com mais dois amigos. Estranhei o motivo de primeiro momento, mas fui ao seu encontro. Cumprimentei-a, falamos um pouco sobre a festa que estava acontecendo e que ela e os amigos entrariam. Até ela amiga decidiu apresentar os acompanhantes. Era um cara com a camiseta do Kiss e uma moça, mas que moça meus amigos! Ela usava um óculos grande, loira, com uma saia com flores azuis e esbanjava simpatia. Foi paixão à primeira vista. Me apresentei e logo em seguida ela me ofereceu uma bebida que eles estavam tomando, era uma mistura de Coca Cola, Pepsi e Jaggermeister. Sim, estou pensando o mesmo que você. Que porra é essa? Mas enfim, tomei isso e imediatamente notei pelo sotaque dela que não era daqui. Me mantive na minha, sem muita empolgação.

Deixei eles lá conversando e entrei no “nosso” bar para beber com meus amigos e jogar conversa fora. Passando alguns minutos, voltei a conversar com a minha amiga e os dois. Desta vez fui mais corajoso e perguntei mais coisas para a moça. Fiz algumas brincadeiras, tiramos fotos, até que me virei para minha amiga e falei que gostei dela. Na minha cabeça mil coisas passaram, que passei de um “bolo” que tomei no dia até chegar naquele momento em que acabei gostando de alguém. Continuando, ela queria ir ao banheiro e perguntei ao nosso amigo do estacionamento se ela poderia usar o banheiro ali. Ele, com seu carisma de sempre, respondeu um grandíssimo sim e ainda mandou “pode ficar a vontade, está em casa”. A conduzi até ali e conversamos a sós pela primeira vez. Perguntei sobre o que ela fazia e o que vinha fazer em Curitiba. Me respondeu tranquilamente e acabou perguntando o mesmo para mim e nisso ficou. Me encantei ainda mais. Fiquei nervoso e vi que precisava de mais uma oportunidade para conversar com ela.

Deixei ela com os amigos e voltei com meus amigos, fiquei com eles ali por uns 30 minutos. Estávamos conversando, olhei para o lado e vi que entraram nesta festa. Quando a vi passando a porta, saí correndo logo atrás e pensei que a oportunidade era aquela.

Procurei no meio de várias pessoas onde ela estava. Até que achei, ali encostada no balcão. Mais linda ainda. Meu coração batia mais forte e na minha cabeça a frase “única oportunidade, não desperdice” ecoava. Conversamos. Conversamos. Conversamos. Conversamos. Peguei mais um pouco de coragem e a beijei. Foi uma sensação indescritível. O tempo podia parar ali. Não me importava. Meus problemas? Que problemas? O mundo é tão perfeito. Risos.

Não deixei que parasse apenas naquele beijo e a convidei pra sair. Pra sair. Pra sair. E hoje ao escrever esta pequena história, olho para minha mão e vejo uma aliança de namoro.

Moral da história? Trajano Reis, melhor rua. 🙂

 

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