Médicos que estiveram na linha de frente do combate à covid-19 replicam aprendizados e descobertas em novas formas de cuidado

Intenso, segundo o dicionário, é aquele que se manifesta com uma força excessiva, que ultrapassa o esperado. Assim é o trabalho dentro de uma unidade de terapia intensiva, onde a tensão e o cuidado são constantes e tudo é feito em conjunto, desde o simples “virar o paciente” até a discussão dos procedimentos adotados, que cada vez envolve mais profissionais de diferentes áreas – médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo. 

Protagonista no cuidado da pandemia da covid-19, o que não faltam nas UTIs são histórias para contar. Especialista desde 2014 na área, o médico intensivista Jarbas da Silva Motta Junior era o responsável pela coordenação da UTI covid-19 do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), e foi o primeiro a receber um paciente grave da doença no Paraná. Ele escolheu a especialidade porque viu nela uma oportunidade de salvar pessoas, mas jamais imaginou que viveria dias tão intensos como foram os últimos dois anos. “As pessoas chegavam muito mais graves do que de costume, tudo era novo, a gente ainda estava descobrindo como a doença se manifestava e as melhores formas de cuidado. A pandemia nos aproximou das famílias dos pacientes, por diversas vezes nos colocou no lugar deles e nos fez comemorar junto cada alta hospitalar”, conta. 

Dar alta após 101 dias de internação na UTI, acompanhar a recuperação de pessoas submetidas à ECMO, que funciona como um pulmão artificial, após dois dias sem sair do lado do paciente, as incertezas e dores de ver o pai internado em um dos leitos são fatos e sentimentos que ficarão para sempre na memória do médico. “Todos os pacientes nos marcam de alguma forma, além do que, a covid nos trouxe desafios novos. Por muitas vezes, preparamos a família para um desfecho não favorável e eles nos surpreendiam com a reação. É essa possibilidade de falar para uma família sem esperança que o parente está voltando para casa que me atraiu na medicina intensiva”, complementa.

Redescobrindo as origens na pandemia

Já o intensivista e hoje coordenador das áreas de internação dos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, José Arthur Brasil, tem 12 anos de experiência e na pandemia da covid-19 largou tudo e foi reforçar o quadro de profissionais da saúde de Manaus (AM). Trabalhou no Hospital Delphina Aziz, que já sofria com déficit de leitos antes da crise sanitária. 

Sob sua coordenação, ajudou na abertura de uma UTI de 120 leitos, “tanto na parte estrutural quanto no treinamento das equipes”, reforça. “Eu nasci no Acre e senti que tinha uma dívida com a região onde cresci e que me ensinou a dar os primeiros passos na Medicina. Chegamos a 80 leitos sob minha coordenação direta. Foi um período de muito trabalho, tensões e aprendizados que ficaram marcados”, relembra.

Segundo Brasil, que tem o sobrenome mais que apropriado para o cargo que exerceu diante da escassez de recursos, a missão era prestar o melhor atendimento possível com os materiais e medicamentos disponíveis. A proximidade com os pacientes e suas famílias também foi algo que deixou de ser exceção para se tornar regra.  “Nas unidades de terapia intensiva, é normal que haja certo distanciamento entre paciente, família e equipes de cuidados. Nos momentos mais críticos da covid-19, nós, médicos, assim como a equipe multiprofissional, assumimos a missão de levar e trazer informações aos pacientes e familiares, além de encontrarmos formas de aproximar as pessoas em um momento tão dramático. Era nítida a mudança de semblante de um paciente há dias internado, com desconforto respiratório, ao receber notícias de seus amigos, áudios da família, fotos dos animais de estimação”, recorda. “Olhando para trás, a experiência foi incrível e confesso que faria tudo novamente sem pensar duas vezes”, afirma. “O médico intensivista tem na sua formação um olhar para a totalidade do paciente e seus familiares. Lidamos com pessoas em situações de muita vulnerabilidade, em sofrimento físico e emocional. Nossa missão é envolver toda a equipe nesse olhar muito abrangente e complexo sem deixar de ter empatia e colocar o paciente e sua família no centro do cuidado”, finaliza

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Do diagnóstico ao tratamento da epilepsia: cirurgia em hospital SUS devolve esperança para jovem que sofria convulsões

O dia 5 de agosto de 2022 mudou a vida de Brenno Marty, de 20 anos, para sempre. O jovem enfrentava crises de epilepsia há mais de quatro anos, causadas por um tumor no cérebro. Remédios pesados faziam parte da rotina, mas sem resultados. Foi após ler uma notícia na internet, em uma das madrugadas em claro para cuidar do filho que havia tido mais uma convulsão, que a mãe Alessandra Radulski descobriu: a solução para o problema dele poderia ser cirúrgica e realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Meses depois, Brenno saía da sala de cirurgia do Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba (PR), pronto para um novo começo.

“Quando me deparei com a notícia de que uma paciente havia retirado um tumor cerebral num hospital curitibano, foi  uma luz para mim”, conta a mãe do jovem. O texto citava uma cirurgia realizada no Hospital Marcelino Champagnat e trazia o nome do neurocirurgião Carlos Alberto Mattozo, que, de imediato, foi procurado pela mãe de Brenno. “A ressonância magnética apontou a existência de um tumor numa região profunda do cérebro e, apesar de ser pequeno, decidimos pela retirada dele para cessar as crises de convulsões”, explica o médico que atua nos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru.

Mapeamento do cérebro

Uma descarga elétrica entre os neurônios mais duradoura que as habituais provoca o ataque epiléptico, que pode ser identificado por meio de um eletroencefalograma com mapeamento cerebral. No caso de Brenno, o procedimento foi o melhor caminho para o diagnóstico preciso antes da cirurgia. “Acessamos o cérebro do Brenno por meio de sensores, que logo acusaram uma atividade epiléptica e permitiram identificar o local exato desse disparo elétrico: o tumor”, detalha Mattozo.

A capacitação das equipes médicas e a estrutura hospitalar da instituição que tem atendimento 100% SUS tornaram realidade a cirurgia complexa de Brenno. “Para que o procedimento alcançasse um resultado satisfatório, diferentes especialistas estiveram envolvidos. Além da nossa equipe permanente do Hospital Universitário Cajuru, tivemos a participação de uma neurologista e de uma técnica de eletroencefalograma”, conta o neurocirurgião. O uso da tecnologia computadorizada permitiu a quantificação dos resultados na forma de imagens. Além disso, o procedimento não é invasivo para o paciente, e sim, realizado em até 30 minutos, com imagens topográficas dos focos epilépticos.  

Do diagnóstico ao novo começo

Receber o diagnóstico de epilepsia não é fácil, mas conviver com os sintomas é ainda mais difícil. A doença acomete 2% da população brasileira e afeta em torno de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Brenno fazia parte dessa estatística ao sofrer de uma das doenças neurológicas mais comuns. Durante as convulsões, as células nervosas se comportam de forma anormal e exagerada, o que leva à perda da consciência, a movimentos involuntários dos músculos, náuseas e vômitos. 

As frequentes convulsões provocadas pela epilepsia impediam que o jovem tivesse uma rotina normal desde os 16 anos. “A insegurança me limitava e fazia parte da minha vida”, confidencia. Agora, após a cirurgia, o momento é de voltar a sonhar. Para Brenno e sua mãe, a operação foi o ponto de partida para uma nova esperança de cura. Começar uma faculdade, procurar um emprego e sair com os amigos são alguns dos planos que ele começou a fazer ainda no hospital. “Saber que posso ter minha vida de volta me deixa muito feliz e pronto para traçar novos objetivos”, conta, emocionado.

Novembro Azul: Higienização inadequada e falta de acompanhamento de médicos e dentistas aumentam riscos de diagnóstico tardio e mais grave de doenças

A falta de higiene bucal entre os homens é um fator de risco para o agravamento não só de doenças bucais, como a gengivite e a periodontite, mas também de problemas cardíacos, além de infecções sexualmente transmissíveis. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. O estudo também aponta que a falta de atenção à saúde masculina é a causa para o aumento na diferença da taxa de mortalidade entre homens e mulheres.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos homens é sete anos mais baixa que a das mulheres (eles com 73,3 anos, enquanto elas com 80,3). O cuidado com a saúde deve ser mantido em todas as idades, com atenção aos hábitos preventivos de higiene e à rotina de consultas médicas com especialistas de diferentes áreas, independentemente do sexo. Assim como as mulheres vão ao ginecologista com periodicidade, os homens também devem consultar regularmente o urologista. E consultas semestrais ao dentista também são fundamentais para garantir a saúde completa.

Fatores agravantes

Junto à falta de cuidados preventivos com a saúde, está o uso de substâncias viciantes, como cigarro e álcool. O excesso causa problemas não somente nos pulmões e rins, mas também no aparelho bucal. “O câncer de boca é o quinto mais frequente em homens e é tão letal quanto os outros tipos da doença. O uso de cigarros convencionais ou eletrônicos, por exemplo, torna a pessoa mais vulnerável ao câncer e também é fator de risco para outras doenças bucais graves”, explica o dentista e especialista em Saúde Coletiva da Neodent, João Piscinini. 

Outras doenças que afetam diretamente a boca são infecções sexualmente transmissíveis, como herpes, sífilis, gonorreia, HPV e HIV. São consequências dessas infecções os sintomas de dor e dificuldade na mastigação, além de aumentarem o risco de desenvolvimento do câncer de boca.

Mais um ponto ressaltado no estudo e muito alertado por dentistas é a gravidade de doenças periodontais provocadas pelo acúmulo de placa bacteriana. São exemplos a gengivite e periodontite, que atingem a gengiva e os ossos e ligamentos dos dentes, respectivamente. 

Prevenção

Para qualquer doença, o diagnóstico precoce garante maior possibilidade de tratamento e cura. Consultar as mais variadas especialidades médicas é uma forma de controlar a saúde, ainda mais quando já existem fatores de agravamento. “Assim como as outras áreas, a consulta periódica em dentistas auxilia no diagnóstico precoce de diversas doenças, mesmo aquelas que não são somente da boca. Além da rotina de acompanhamento profissional, a escovação correta, uso do fio dental e a higiene como um todo, aliada à alimentação balanceada, exercícios físicos e hábitos saudáveis são os melhores remédios para uma vida saudável”, complementa o dentista.

Sobre a Neodent®Fundada há mais de 25 anos, a Neodent® é a empresa líder em implantes no Brasil, onde vende mais de um milhão e meio de implantes anualmente. A Neodent® está entre os três principais fornecedores de implantes do mundo e está disponível em mais de 80 países. O sucesso da marca se deve a suas soluções odontológicas diretas, progressivas e acessíveis, que trazem novos sorrisos para milhões de pessoas. Sediada em Curitiba, Brasil, a Neodent®️ é uma empresa do Grupo Straumann (SIX: STMN), líder global em substituição de dentes e soluções odontológicas que restauram sorrisos e confiança