USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- BTC: USD --

Mapeamento revela extensão de área sem gelo na Antártica

estacao antartica comandante ferraz 0805200288.jpg

Um recente estudo realizado pela iniciativa científica brasileira Mapbiomas Antártica revela que menos de 1% do Continente Antártico é livre de gelo. Com uma área total de 2,4 milhões de hectares, apenas 107 mil hectares são cobertos por vegetação durante o verão austral. Essa é a primeira vez que as áreas não congeladas e as coberturas verdes da região são mensuradas.

Metodologia Inovadora

A pesquisa foi conduzida utilizando imagens de satélites combinadas com algoritmos de machine learning e processamento em nuvem. Essa abordagem foi essencial para lidar com o grande volume de dados obtidos.

Importância do Mapeamento

Eliana Fonseca, coordenadora do projeto, enfatiza que a análise das dinâmicas naturais da Antártica é crucial para entender os impactos das mudanças climáticas. “O mapa de áreas livres de gelo é fundamental para monitorar a fauna local, especialmente no período de reprodução das espécies que dependem dessas zonas”, explica.

“O mapa de vegetação também é importante para avaliar a produtividade dos ecossistemas e monitorar as alterações ambientais em regiões sensíveis”, acrescentou.

Flora e Comparações com o Brasil

Os pesquisadores observaram a saúde e densidade da vegetação usando indicadores de sensoriamento remoto. Durante o verão, a flora antártica é composta, principalmente, por musgos, algas terrestres e gramíneas, além de líquens que se desenvolvem sobre rochas no interior do continente.

Adicionalmente, o estudo notou semelhanças entre as vegetações da Antártica e do Brasil. “Liquens, musgos e algas terrestres são comuns em biomas brasileiros, como Pampa e Caatinga, onde ajudam a proteger os solos”, comentou Fonseca.

Estação Comandante Ferraz, base de pesquisa do Brasil na Antártica

Essa é a primeira vez que as áreas livres de gelo e coberturas verdes da Antártica são mensuradas – Mauricio de Almeida/ TV Brasil

Impactos Climáticos

A Antártica desempenha um papel fundamental na regulação do clima do Hemisfério Sul, influenciando diretamente os padrões de chuva. Fonseca destaca que “o contraste entre as massas de ar frias da Antártica e o ar quente sobre o Brasil impacta a frequência e volume das chuvas”.

“Essas frentes frias podem alterar temperaturas não apenas na Região Sul, mas também em partes das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil”, afirmou a pesquisadora.

Avanços no Estudo

O estudo foi possível graças aos satélites Sentinel-2, que operam em órbita polar e capturam imagens em alta resolução. As imagens geradas entre 2017 e 2025 foram limitadas ao verão austral, quando a luz solar é mais intensa, entre dezembro e março.

“Nesse período ocorre o fenômeno do ‘sol da meia-noite’, onde o sol circunda o continente, criando sombreados das montanhas interiores”, explicou a coordenadora científica do Mapbiomas, Júlia Shimbo.

Embora as limitações atuais impeçam a observação contínua da dinâmica ao longo dos anos, Shimbo acredita que futuras investigações permitirão um aprimoramento dos dados e agregarão novas informações sobre as áreas sem gelo e vegetação.

📲 Receba as notícias de Curitiba no WhatsApp!

Participe do grupo do Busão Curitiba e fique por dentro de tudo que acontece na cidade. Entrar no grupo ›

Publicações recomendadas

Leia também