O ginseng de Querência do Norte, localização no Noroeste do Paraná, foi oficialmente reconhecido com registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem, conforme anúncio feito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) nesta terça-feira (5). Este reconhecimento posiciona o Paraná como líder no Brasil, totalizando 25 produtos com essa certificação.
Valorização das Tradições Locais
A certificação não apenas valoriza as tradições locais, mas também fortalece a identidade do ginseng, melhora sua inserção no mercado e contribui para o desenvolvimento regional. O título atesta que as qualidades do ginseng são influenciadas pelo ambiente de produção, refletindo o solo, o clima e a expertise dos produtores da região.
Benefícios da Indicação Geográfica
Segundo Natalino Avance de Souza, diretor-presidente do IDR-Paraná, “a conquista é um marco que eleva o patamar da nossa produção. Uma Indicação Geográfica não é apenas um selo, mas uma ferramenta poderosa de diferenciação de mercado.” Este reconhecimento garante ao consumidor a autenticidade do produto e permite que os agricultores paranaenses accedam a mercados que exigem rastreabilidade e tradição.
Com essa certificação, apenas o ginseng originário de Querência do Norte poderá utilizar a denominação, aumentando a credibilidade e favorecendo melhores preços, além de fortalecer a economia local. A chancela também estimula a organização dos produtores, gera empregos e atrai investimentos.
Exportação e Crescimento do Mercado
A Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag) está ampliando sua presença no mercado internacional e deve exportar um novo lote de 1,2 tonelada de ginseng para a França, destinado à indústria cosmética. Desde 2015, o produto também é comercializado em mercados da China e Japão, focando o segmento medicinal.
Produção e Impacto na Economia Local
Atualmente, a área de cultivo de ginseng em Querência do Norte abrange cerca de 30 hectares, incluindo raízes e partes aéreas da planta, tais como talos e folhas. Essa estratégia foi possibilitada após estudos científicos comprovarem que a parte aérea da planta possui princípios ativos semelhantes às raízes.
A produção anual é de aproximadamente 300 toneladas in natura, com capacidade de 60 toneladas de raízes secas. A atividade proporciona renda para cerca de 30 famílias, englobando não apenas a produção, mas também serviços como transporte e beneficiamento.
A Camminhada até a Certificação
A conquista do selo de Indicação Geográfica é resultado de um esforço conjunto entre a Aspag, Sebrae Paraná, IDR-Paraná, Prefeitura de Querência do Norte e Sicredi. O processo teve início em 2019 e incluiu a preparação de documentação, criação de um comitê gestor e elaboração de especificações técnicas necessárias para o registro.
Características do Ginseng de Querência do Norte
O ginseng da região, pertencente à espécie Pfaffia glomerata, é nativo da Mata Atlântica. A planta pode crescer até dois metros de altura e mantém sua qualidade independentemente do período de colheita. O cultivo é realizado principalmente por agricultores familiares de assentamentos e comunidades tradicionais da área.
Reconhecido por suas propriedades estimulantes e revitalizantes, o ginseng é utilizado na redução do estresse e fadiga, além de melhorar a memória e ser aplicado em produtos cosméticos. Suas características anti-inflamatórias e antioxidantes fazem dele um energético natural.
Indicações Geográficas no Paraná
O Paraná conta com mais 24 produtos que possuem selo de Indicação Geográfica, incluindo ostras do Cabaraquara, café de Mandaguari e queijo colonial do Sudoeste. Seis outros produtos ainda estão em análise no Inpi, entre eles a acerola de Pérola e cervejas artesanais de Guarapuava.
Para mais informações sobre os produtos paranaenses que conquistaram a Indicação Geográfica, você pode acessar uma série de reportagens produzida pela Agência Estadual de Notícias.
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