Fiocruz confirma circulação de variantes do coronavírus no Paraná

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta quinta-feira (4) que há no Paraná e em várias regiões do País variantes do novo coronavírus em plena circulação. No Estado, segundo o estudo, 70,4% das 216 amostras de RT-PCR com grande carga viral enviadas para a instituição estão relacionadas à variante P.1, identificada no Amazonas.

O novo protocolo, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia, foi utilizado nas unidades de apoio ao diagnóstico para avaliação de cerca de mil amostras nos estados de Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A avaliação contou com o apoio do Ministério da Saúde.

O protocolo detecta a mutação comum em três das variantes: P1, identificada inicialmente no Amazonas; B.1.1.7, no Reino Unido; e B.1.351, na África do Sul. Segundo o estudo, no entanto, há indicativos de que a prevalência que está sendo observada nos estados esteja associada à P.1, uma vez que as outras duas variantes não têm sido detectadas de forma expressiva no Brasil.

O estudo foi elaborado pelo Observatório Covid-19 Fiocruz. De acordo com o relatório, a alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus têm favorecido o surgimento dessas “variantes de preocupação”. O comunicado alerta para um cenário preocupante de transmissibilidade dessas variantes em todo o território brasileiro nos próximos meses.

Dos oito estados avaliados neste recorte, apenas dois não tiveram prevalência da mutação superior a 50%: caso de Minas Gerais, com 30,3% das amostras testadas como positivo, e Alagoas, com 42,6%. Nos demais estados, mais de 50% das amostras apresentaram a mutação, com tendência de circulação alta no Sul: 62,5% no Rio Grande do Sul e 63,7% em Santa Catarina, além dos 70,4% do Paraná.

Segundo a Fiocruz, até o momento não foi observada a associação dessas variantes com uma evolução clínica mais grave.

Alerta

O alerta da presença da variante P.1 no Estado havia sido feito na manhã desta quinta-feira (04) pelo secretário estadual de Saúde, Beto Preto, em visita a Cascavel, no Oeste do Estado, pouco antes de um encontro com o ministro Eduardo Pazzuelo. “Foram analisados os 216 testes positivos com maior carga viral do Paraná. Destes, 70% eram a nova cepa. Foram cerca de 3 mil testes positivos no sábado, mas eles sequenciaram só 216, então não dá para falar que a cepa é a prevalente no Paraná, mas que está circulando”, disse.

 

Variantes

Essa avaliação da Fiocruz será ampliada e repetida de forma sistemática para um monitoramento massivo das variantes. A vigilância genômica será complementada com o sequenciamento de amostras na Rede Genômica Fiocruz. Para o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, essa estratégia será fundamental para o enfrentamento da pandemia. “O novo protocolo de RT-PCR oferece um retrato rápido da circulação das variantes para tomada de decisão”, destacou.

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Brasil supera a marca de 500 mil mortes por covid-19

O Brasil registrou a triste marca do meio milhão de mortes decorrentes da covid-19 neste sábado, dia 19. O País registrou 1.401 novos óbitos por covid desde as 20h de sexta-feira, 18, até as 14h de hoje, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Ao todo, são 500.022 mortes por coronavírus no País desde o início da crise sanitária Das 20h de ontem até as 14h deste sábado, o Brasil também notificou 20.483 novos casos da doença, o que eleva o total acumulado para 17.822.659.

Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por EstadãoG1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde. O levantamento é resultado da parceria entre os seis veículos de comunicação que passaram a trabalhar, desde 8 de junho do ano passado, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal.

A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

Paraná precisa vacinar 56% da população para conter pandemia, aponta estudo

O Paraná é o estado brasileiro que apresenta maior urgência no aumento de sua cobertura vacinal para conseguir conter a pandemia de Covid-19. É o que aponta um estudo publicado pelo grupo de pesquisa interdisciplinar Ação Covid-19, formado por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento associados a 13 instituições, incluindo Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Os autores analisaram qual seria a porcentagem mínima necessária de população vacinada, em cada estado, a fim de conter a expansão da pandemia. A estimativa foi feita para o mês de abril de 2021, em comparação com dezembro de 2020, janeiro e fevereiro de 2021. Para isso, eles se basearam no número de casos de Covid-19 confirmados e na cobertura vacinal, abrangendo primeira e segunda dose de imunizantes.

Maria Carolina explica que o controle da pandemia, ou seja, a diminuição no alastramento do vírus ocorre quanto a taxa de transmissão fica abaixo de um (R0< 1). “Significa que cada pessoa infectada transmite para menos de uma outra pessoa, o que indica redução do número de infectados”. Se a taxa é menor do que um, menos pessoas são infectadas e o número de casos retrocede. Atualmente, nenhum estado brasileiro apresenta R0< 1.

Comparando o mês de abril com os demais períodos avaliados, os pesquisadores concluíram que é alto o número de estados em situação crítica, ou seja, que ainda precisam vacinar, pelo menos, mais 25% da sua população, com as duas doses, para conter a expansão do coronavírus. Os aumentos mais significativos na porcentagem necessária de vacinação foram observados no Mato Grosso e em Tocantins, indicando uma piora do cenário epidêmico desses estados.

O Maranhão tem se apresentado como um destaque positivo dessa série de estudos e, desde dezembro de 2020, demonstra as menores necessidades de imunização entre todos os estados do Brasil. Apesar de ter aumentado a necessidade de vacinação nos meses posteriores, reflexo da piora da pandemia em todo o país, a região ainda se mantém abaixo das demais e deve conseguir conter a pandemia mais rapidamente.

Paraná

O estudo referente ao período avaliado (19 de abril a 19 de maio) indica a tendência de um aumento urgente na necessidade de vacinação no estado do Paraná. De acordo com os pesquisadores, o cenário se apresenta dessa forma devido à situação crítica que o estado se encontrava no início de março, com a ocupação de leitos de UTI atingindo mais de 95%, com o isolamento social em queda (46% em média) e com o aumento no número de casos. “Na metade do mês, esse panorama se agravou com a taxa de ocupação de UTI chegando a 100%, além da falta de oxigênio, a contínua queda no isolamento, que atingiu 35%, e a falta de vacinas”, revelam os especialistas.

A análise também demonstra que a situação passou a apresentar sinais de melhora após a entrega de novos lotes de imunizantes e do decreto que instituiu medidas de contenção ao coronavírus, restringindo a circulação de pessoas. “Como consequência, o isolamento subiu novamente para uma média de 45%. No fim do mês de abril, o estado apresentou queda na taxa de contaminação e o menor número de casos de Covid-19 desde novembro de 2020”.

No entanto, depois de um novo relaxamento das medidas restritivas, o contato de pessoas suscetíveis ao vírus, que estavam então isoladas, aumentou, assim como o número de casos e óbitos. “Isso se refletiu na elevação do ranking de urgência para a maior prioridade de vacinação entre todos os estados brasileiros”, diz o relatório. Atualmente, o Paraná precisa vacinar, com as duas doses, pelo menos 56% da sua população para atingir o número necessário para controlar o aumento da pandemia, mas somente 9,72% foram vacinados.

Santa Catarina

Santa Catarina, destino de muitos paranaenses em feriados e finais de semana, é outra região cujo cenário é preocupante. De acordo com o estudo, é possível observar diversas tendências que impactam a gravidade da pandemia nessa localidade. “No início de março, o estado apresentava o menor índice de isolamento social desde o começo da pandemia (29%) e a ocupação de leitos de UTI estava entre as maiores do Brasil, próxima de 100%.

“Em meados do mesmo mês, o governo estadual instituiu decretos com medidas de contenção ao coronavírus, porém o índice de isolamento não aumentou como esperado, mantendo-se próximo a 50%. Com a esperança de reverter o colapso do sistema de saúde estadual, Santa Catarina recebeu 147,4 mil vacinas, o maior lote desde janeiro. Contudo, no final do mês, a taxa de isolamento continuou sendo um problema e atingiu um dos piores índices do Brasil (30,3%)”, destacam os estudiosos.

Novas medidas restritivas foram instituídas e prorrogadas até abril. Houve o aumento de multas e de fiscalização. Essas ações impactaram a taxa de letalidade da doença, ajudando Santa Catarina a deixar o posto de estado com maior número de mortes. “A cobertura vacinal mínima está em 49,3% o que, junto com o sistema de saúde em colapso e a tendência à notificação de casos e óbitos de forma irregular, aponta para a necessidade de cumprimento do isolamento social e o aumento da velocidade de vacinação na região”. Apenas 9,53% da população catarinense foi imunizada com as duas doses até o momento.

Cenário no Brasil

Até o dia cinco de maio de 2021, o Brasil havia vacinado 33.404.33 pessoas com a primeira dose e 17.039.463 com o reforço do imunizante, o que corresponde a 16% e 8% da população total, respectivamente. A análise referente ao mês de abril deste ano apontou que houve elevação da porcentagem de imunizados em todas as regiões do país, mesmo que abril tenha sido marcado por uma queda acentuada no ritmo da vacinação.

O cenário da pandemia analisado mostra a diminuição da necessidade de imunização mínima da população em 13 dos 27 estados. Em compensação, a situação se agravou em oito estados. Também é possível observar que 13 estados ainda necessitam vacinar mais de 40% de sua população para que se inicie uma redução significativa e contínua do número de casos de Covid-19.

Os pesquisadores alertam que a prioridade de vacinação de cada estado não está sendo leva em consideração na distribuição das doses pelo Ministério da Saúde. “Isso é evidenciado quando observamos que São Paulo, Amazonas e Maranhão vacinaram em torno de 30% do estipulado como necessário para controlar o aumento no número de casos. Enquanto isso, Amapá, Rondônia e Acre vacinaram menos de 14% da cobertura vacinal mínima ideal”.

Diante destes aspectos, os autores argumentam que é urgente e necessário que os modelos de análise do panorama nacional sejam utilizados para elaborar mapeamentos estratégicos para o enfrentamento da pandemia no país. “Criando um ranking de urgência e realizando análises periódicas de todos os estados é possível, por exemplo, localizar os pontos de atenção, os déficits de cobertura da vacinação, sinalizar subnotificações e, com isso, chegar cada vez mais próximo de um plano nacional e conjunto de luta contra a pandemia”.

Metodologia

O estudo calcula o número de reprodução básico, denominado R0, que corresponde ao número de infecções secundárias causadas por uma pessoa infectada em uma população suscetível ao vírus. O valor do R0 indica uma expansão (R0 >1) ou um recuo na transmissão do coronavírus (R0,<1). O R0 menor do que 1 não representa um controle total da pandemia, mas sim que o número de novos casos está em tendência de redução.

Para calcular o R0, os pesquisadores ajustaram um modelo clássico na epidemiologia, o modelo SIR, que considera três compartimentos para a divisão da população em relação à doença estudada: Suscetíveis (S), Infectados (I) e Recuperados (R). Adicionalmente, eles usaram equações para encontrar os valores ótimos de dois parâmetros do modelo SIR.

Por meio desse método, é possível determinar, aproximadamente, a proporção da população que deve ser imunizada em um período, a fim de resultar em um R0 abaixo do limiar de 1.