Emancipação feminina é tema de espetáculo de dança que chega à região Oeste do Paraná

Para a arte, é impossível avançar sem olhar para trás: essa é a proposta de “Dois Olhares”, espetáculo de jazz contemporâneo da EF Jazz Company de Curitiba, com coreografia de Eliane Fetzer, que agora circula por cidades do Paraná, com menos de 20 mil habitantes. O trabalho, que lança um olhar investigativo sobre a revolução da mulher nos anos 1920, chega de 23 a 25 de setembro à região Oeste do Paraná (veja no serviço).

A década em questão foi um tempo de mudança de valores, libertação da mulher e efervescência cultural. O jazz ganhou popularidade, marcado pela improvisação musical e, no Brasil, a Semana de Arte Moderna e a inovação industrial marcavam uma grande revolução. A coreógrafa e diretora Eliane Fetzer conta que, para “Dois Olhares”, realizou um recorte da emancipação feminina do período, enfocando a entrada no mercado de trabalho, o direito ao voto e a recusa ao casamento arranjado, entre outros marcos.

Em “Dois Olhares”, esse contexto se materializa em cena nos corpos de 14 bailarinos e bailarinas que enfocam as dificuldades vividas pela mulher em seu processo de emancipação. “No cenário, uma poltrona vermelha sinaliza ambientes ora reprimidos, ora noturnos, onde a mulher está presa ou iniciando um percurso de libertação”, explica Eliane. “Também trazemos pérolas como símbolo da riqueza e de um poder de encantamento dessas mulheres, chegando até questões sociais atuais, como a própria quebra de paradigmas da masculinidade.”

A circulação pelo interior do Paraná leva o espetáculo a nove cidades com pouco acesso a produções culturais autorais. A regionalização proposta pelo projeto inclui aulas e estudos coreográficos ministrados pelos bailarinos da companhia para alunos de dança selecionados nos locais, e também conta com a participação destes na abertura do espetáculo. “Essa foi uma forma de estimular a produção artística de outras regiões, proporcionar novas experiências e aprimoramento técnico aos professores e estudantes de dança e democratizar o acesso às artes”, explica a coordenadora da BPC Produções, Simone Bönisch.

Projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura. Apoio: COPEL.

SERVIÇO

“Dois Olhares” – Espetáculo de jazz com a EF Jazz Company. Coreografia de Eliane Fetzer. Entrada franca.

Programação:

Itapejara D’Oeste – Dia 23 de setembro, às 19h45 – Casa da Cultura (R. Santos Dumont, 80 – Centro)

Boa Esperança do Iguaçu – Dia 24 de setembro, às 19h30 – Centro Social da Matriz Nossa Senhora Aparecida (Av. Vereador Valmir Antônio Alexandre, s/nº – Centro). Com a participação do Grupo de Dança do Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

Cruzeiro do Iguaçu – Dia 25 de setembro, às 19h – Centro Cultural Daniel Túrmina Junior (Av. 13 de Maio, 906 – Centro). Com a participação do Grupo Municipal Cruzeiro do Iguaçu.

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Últimos dias da mostra de Juarez Machado no MON

Termina no dia 18 de setembro (domingo) a exposição “Juarez Machado – Volta ao Mundo em 80 Anos”, em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON). 

Criada em comemoração aos 80 anos do artista, celebrados em 2021, a mostra é o mais completo panorama já apresentado sobre a obra de Juarez Machado, somando mais de 170 itens de pintura, desenho, fotografia, escultura e instalação. 

A exposição abrange desde o início da carreira do pintor em Curitiba, nos anos 1960, até sua fase internacional nos anos 1970 e 1980, já estabelecido como um dos mais relevantes artistas contemporâneos do país.

Estão presentes os temas e elementos mais representativos da obra de Juarez – das bicicletas às mulheres, passando por referências biográficas e pela crítica social e política. 

Trajetória

Nascido em Joinville (SC), Juarez Machado estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná entre 1961 e 1965 e fez suas primeiras exposições na capital paranaense, onde também trabalhou como cenógrafo para teatro e televisão. 

Deste período, podem ser vistos trabalhos como os desenhos feitos com graxa de sapato quando o artista ainda não tinha meios para adquirir materiais, além de sua primeira tela premiada. 

Contemporâneo de nomes como Fernando Velloso, João Osorio Brzezinskie Fernando Calderari, o artista desenvolveu seu estilo único ainda durante seus anos em Curitiba, contribuindo para um importante capítulo da arte moderna da cidade antes de sua mudança para o Rio de Janeiro. 

No Rio, além de integrar o principal circuito das artes, o multiartista ganhou notoriedade como cartunista para publicações como “O Pasquim” e tornou-se popularmente conhecido ao criar um quadro para o programa “Fantástico”, da TV Globo, entre 1973 e 1978.

Até hoje lembrados pelo público, os vídeos em que Juarez Machado atua como mímico e interage com seus desenhos foram integrados à exposição, juntamente com suas criações para formatos como capas de livros e discos. 

A mostra também inclui obras produzidas nos diferentes locais onde o artista estabeleceu ateliês ao deixar o Brasil – o mais famoso deles no famoso bairro de Montmartre, em Paris, para onde o artista se mudou em 1986. 

Catálogo

No dia 15 de setembro, será lançado o catálogo da exposição contendo textos do curador Edson Busch Machado, do crítico de arte Fernando Bini e da marchand Liliana Mendes Cabral – idealizadora da exposição e representante do artista em Curitiba. 

Serviço

Exposição “Juarez Machado – Volta ao Mundo em 80 Anos”

Até 18 de setembro de 2022

Sala 3

Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999), (41) 3350-4400. De terça a domingo, das 10h às 17h30 (permanência até 18h). R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Toda quarta-feira, entrada gratuita.

www.museuoscarniemeyer.org.br

Em curtíssima temporada, a peça Se Eu fosse Deus chega a Araucária

O que aconteceria com o mundo se você tivesse todo o poder para fazer o que quisesse? Será que você mediria as consequências de seus atos? Com essa premissa, a peça teatral Se Eu fosse Deus, do autor paranaense Jr. Manduchi, retorna aos palcos e chega ao Teatro da Praça, em Araucária (PR). Após uma temporada de estreia de sucesso, o Grupo Curitibanices apresenta duas sessões nos dias 1 e 29 de outubro, às 19h30.

Com trilha sonora original criada pelo músico André Richter, Se Eu fosse Deus apresenta um enredo centrado em sete personagens que convivem em uma pequena pensão. Durante uma reunião de condomínio, a história mergulha em preconceitos que partem de uma simples implicância da personagem Dona Rosa com o novo vizinho do apartamento 8.

Na história, após uma explosão combinada com a falta de energia, Salvador, Frederiko, Antonieta, Vitor, Dona Rosa e Patrícia levantam cada vez mais teorias e suspeitas absurdas até a tragicomédia atingir o caos completo.

Da reunião condominial ao caos em 50 minutos

Para o diretor e produtor cultural, Daniel de Mattos Keller, a peça traz o julgamento como principal narrativa. Machismo, religião, intolerância e abuso psicológico são apenas alguns dos temas presentes. “Por isso apostamos na tragicomédia. Dessa forma, conseguimos apresentar temas complexos de uma forma mais suave. Com personagens típicos e de fácil identificação, aumentamos as chances das mensagens chegarem ao público e das pessoas levarem essas discussões adiante no convívio cotidiano”, comenta o diretor.

Keller aponta que essa é uma oportunidade para levar mais do teatro independente à região metropolitana de Curitiba. “Não criamos a peça com isso em mente, mas iniciar uma nova temporada às vésperas das eleições, após um período econômico, social e político tão conturbado, torna essas novas sessões ainda mais especiais. Estamos animados e também muito orgulhosos por conseguir apresentar essa peça novamente e dessa vez, em outra cidade”.

A atriz Anidria Stadler – que este ano celebrou 30 anos de teatro – também marca presença com uma participação especial na peça.

Buscando discutir situações do cotidiano de forma leve, porém provocativa, o espetáculo ‘Se Eu Fosse Deus’, traz à tona essa inquietação: ‘O que te torna um ser melhor do que outro?’ ‘As suas decisões, forma de agir e preocupações interferem apenas na sua vida ou no seu núcleo e sociedade?’ Esses são apenas alguns questionamentos que essa peça me provoca. E você, se fosse Deus, o que faria?”, comenta a atriz.

A peça tem classificação indicativa para 16 anos e os ingressos já estão disponíveis pelaplataforma Sympla R$30 e R$15 (meia entrada).

  • Ingressos para o dia 1/10:
https://www.sympla.com.br/se-eu-fosse-deus-teatro-da-praca—araucariapr__1701358
  • Ingressos para o dia 29/10:
https://www.sympla.com.br/se-eu-fosse-deus-teatro-da-praca—araucariapr__1701738

Serviço

Se Eu fosse Deus (Grupo Curitibanices)

Dias 1 e 29 de outubro, às 19h30, no Teatro da Praça.

End.: Rua São Vicente de Paulo, 1197, Sabiá – Araucária/PR.

Ingressos pela plataforma Sympla (R$ 30 e R$ 15).

Facebook: https://www.facebook.com/espetaculoseeufossedeus

Instagram: https://www.instagram.com/espetaculoseeufossedeus

Ficha Técnica

Grupo Curitibanices

Texto: Jr. Manduchi

Direção: Daniel de Mattos Keller

Elenco: André Moiano, Angélica Bueno, Daniel de Mattos Keller, Patty Sozzi, Lara Moutinho, Luana Johnson e Vilson Kurz (participação especial de Anidria Stadler)

Cenário: Vilson Kurz

Maquiagem: Taynara Siqueira

Luz e operação técnica: Nathan Balaguer

Trilha original: André Richter

Figurino e Produção: o grupo

Sinopse: “Se Eu fosse Deus” retrata personalidades e arquétipos espelhos de uma sociedade doentia. A montagem traz questionamentos contemporâneos que surgem a partir de uma reunião de condomínio onde, aos poucos, sete personagens vão se revelando com personalidades diferentes e conflitantes. Cada um com a sua verdade e os seus interesses. O espetáculo é uma tragicomédia que questiona: se você tivesse todo o poder necessário para fazer o que bem quisesse, como seria o mundo ao seu redor?