Em três meses, 40 mil multas de radar são aplicadas em cidade da RMC e moradores protestam

Moradores de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, voltaram a reclamar nesta quinta-feira (25) dos radares instalados na cidade e o excesso de multas já registradas. Em um período de 90 dias, quase 40 mil multas de trânsito foram aplicadas, segundo o secretário de Urbanismo da cidade, coronel Lanes Prates.

Osmar Correia, morador de Fazenda Rio Grande há mais de 20 anos, reportou à Banda B sua indignação com o elevado número de multas recebidas por ele e outros moradores.

“Sempre dirigi por várias cidades e dentro da Região Metropolitana de Curitiba e nunca tive uma decepção tão grande com relação a multas de trânsito. Em 40 dias, eu recebi 6 multas em Fazenda Rio Grande”, iniciou ele.

Correia afirmou que as multas são aplicadas de forma irregular e que, assim como ele, outros milhares de cidadãos têm reivindicado mudanças no sistema de radares e entrado com recursos contra a prefeitura.

“A situação dos radares aqui na cidade está um caos. Precisamos que elas sejam canceladas”, protestou.

Já o policial militar Francisco Monteiro, que diz apenas trabalhar no município, explicou que já recebeu três multas em seu trajeto até o trabalho.

“Infelizmente sou um dos contemplados pela indignação em relação às multas e radares. Depois que recebi essas três multas, eu recorri. Apesar disso, eu tenho a plena consciência de que não passei nos radares da forma como mostram as multas”, disse, indignado.

O servidor da segurança pública também destacou que tem conhecimento sobre os perigos do trânsito e afirmou que é preciso haver melhores condições de sinalização na cidade, bem como conscientização.

“Eu tenho consciência de que não posso fazer do meu veículo um instrumento de morte, mas é preciso que haja um trabalho efetivo de conscientização e sinalização em Fazenda Rio Grande”, concluiu.

O que diz a prefeitura

Procurado pela Banda B, o secretário de Urbanismo de Fazenda Rio Grande, coronel Lanes Prates, respondeu ao questionamento sobre quais medidas a administração do município está tomando no que se refere às reclamações dos moradores.

“A prefeitura notificou a empresa de radares e decidiu não renovar o contrato com ela. Então, não haverá continuidade do serviço, apesar de os equipamentos continuarem em operação mesmo assim”, afirmou.

O contrato com a empresa responsável pelos radares no município chegou ao fim, após um ano. Os equipamentos deixaram de funcionar a meia-noite desta quinta-feira (25).

Sobre o elevado número de infrações registradas no período de 90 dias – mais de 30 mil –, o secretário demonstrou preocupação com o cenário, porém deu um diagnóstico.

“Vemos isso com muita preocupação porque os equipamentos mostram que os cidadãos de Fazenda Rio Grande estão dirigindo de forma errada, com excesso de velocidade. Neste período, já identificamos uma baixa sensível no número de acidentes e principalmente de mortes”, contou.

No entanto, Prates revelou que foram aplicados 39 mil autos de infração em três meses, e pouco mais de 2 mil recursos.

“A grande maioria, ao nosso ver, identificou que realmente praticou infração. Mas aquele cidadão que se sentiu prejudicado com as multas deve entrar com recurso para que analisemos individualmente o caso”, continuou.

O coronel também garantiu que a prefeitura irá analisar as reclamações sobre a possível falta de sinalização na cidade, porém frisou que “os radares têm alta precisão”.

Protesto

Há quase um mês, no dia 27 de outubro, moradores de Fazenda Rio Grande protestaram contra o excesso de multas aplicadas por radares na cidade. A manifestação foi encerrada em frente à casa do prefeito do município, Dr. Nassib (PSL).

“Todos os radares estão irregulares. Não tem como fazer esse tanto de multa em um mês”, disse o administrador de empresas Everson Pereira, durante o protesto.

Foto: Eliandro Santana/ Banda B

Conforme noticiado pela Banda B, Nassib determinou a realização de uma auditoria no sistema de fiscalização eletrônica da cidade.

Segundo nota enviada à Banda B à época, uma perícia técnica nos equipamentos seria feita para avaliar sua funcionalidade, verificar os critérios para definição dos locais de instalação de radares e recebimento dos recursos apresentados pela população contra notificações de infração.

Informações Banda B

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Sanepar divulga tabela de rodízio da RMC, seguindo modelo 60 horas x 36 horas

Oscilações dos níveis das barragens da Região Metropolitana de Curitiba, que têm interferência direta do regime de chuvas, levam a Sanepar a manter o atual rodízio de 60 horas de abastecimento e de até 36 horas com suspensão. A tabela para o período de 14 a 25 de janeiro segue o modelo 60h x 36h até que o nível do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (SAIC) esteja pelo menos em 80%, quando poderá haver a suspensão do rodízio.

A Sanepar trabalha com os cenários mais conservadores para garantir abastecimento, mesmo que em formato de rodízio, pelo fato de o Paraná ainda estar em situação de emergência hídrica, com déficit acumulado de chuvas e previsões de precipitações na média ou abaixo da média.

As chuvas das últimas semanas contribuíram para a evolução dos níveis das quatro barragens, que na média atingiram 73,11% nesta segunda-feira (10), o maior patamar desde o começo do rodízio, há quase dois anos.

As chuvas são fator determinante para o abastecimento, embora obras feitas pela Sanepar e o uso racional da água pela população contribuam com os níveis das barragens. Em 1° de março de 2021, por exemplo, o SAIC atingiu 49,73%, praticamente o mesmo nível do primeiro dia de outubro de 2021 (49,11%), embora no intervalo entre as duas datas o nível tenha alcançado 60% (abril).

Projeções da Sanepar mostram que, sem o rodízio, sem a contribuição da população com o uso racional da água e sem as medidas adotadas pela Companhia para aumentar os níveis dos reservatórios, o sistema teria entrado em colapso em outubro de 2020, quando teria chegado a níveis tão baixos que inviabilizariam o abastecimento da Região Metropolitana.

Confira a tabela completa AQUI .

Prevista para Copa de 2014, obra de acesso ao Afonso Pena finalmente deve ser entregue

Depois de mais de sete anos deve ser entregue em dezembro a remodelação do acesso ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), responsável pelas obras, informou que a nova previsão é que as intervenções fiquem prontas nos próximos dias, depois de um período de suspensão e retomada em 2019. Faltam a colocação da sinalização e a conclusão das calçadas.

As alterações na Rua Comandante Aviador José Paulo Lepinski fazem parte da última etapa de um pacote de obras que integravam o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, que deveria ter sido entregue para a Copa do Mundo de 2014.

Segundo a Comec, após o atraso na conclusão, a empresa responsável entrou em recuperação judicial em 2016 e paralisou os empreendimentos, que incluíam também melhorias na Avenida das Américas e na Avenida Comendador Franco, além da construção de uma ponte e de uma trincheira, todos em São José dos Pinhais. Além do aeroporto, o trecho revitalizado pretende desafogar o trânsito na BR-376, na saída para Santa Catarina.

As outras duas obras foram entregues em setembro: a trincheira da Rua Arapongas, no cruzamento com a Avenida das Torres, e uma ponte sobre o Rio Iguaçu, na continuação da Avenida Senador Salgado Filho.