Em novo decreto, Governo do Paraná muda as regras aos domingos e estende restrições até 31 de julho

O Governo do Paraná publicou um novo decreto de medidas restritivas para enfrentamento à pandemia da Covid-19. O texto modifica o funcionamento de restaurantes aos domingos e reduz o período de restrição de circulação de pessoas e de venda e consumo de bebidas alcóolicas. O decreto 8.042/2021 entra em vigor às 23 horas desta quarta-feira (30) e segue até as 5 horas do dia 31 de julho.

Pelas novas regras, o toque de recolher, que começava às 20h, passa agora a valer das 23h às 5h. A comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas em espaços de uso público ou coletivo também fica proibida das 23h às 5h do dia seguinte.

A partir deste final de semana, restaurantes, bares e lanchonetes poderão funcionar todos os dias da semana, inclusive aos domingos, das 10h às 22h, com limitação da capacidade em 50%. Fora desses horários só está autorizada a modalidade de entrega.

Os supermercados continuam autorizados a abrir todos os dias da semana, das 8h às 20h, com 50% de ocupação. Não há restrição de horário para entregas.

REGRAS EM VIGOR 

Outras atividades não essenciais deverão seguir as regras já em vigor, que limita a abertura ao público de segunda a sábado, com horários e capacidade máxima diferenciados. Aos domingos e fora do horário autorizado, só é permitido o atendimento na modalidade delivery.

Nos municípios com mais de 50 mil habitantes, comércio de rua, galerias, centros comerciais e estabelecimentos de prestação de serviços não essenciais poderão abrir ao público das 9h às 18h, com 50% de ocupação. Cidades menores devem seguir a regulação municipal.

Shoppings centers seguem o horário das 11h às 20h, com 50% de ocupação, e as academias o horário das 6h às 20h, com até 30% de ocupação. Os museus também estão autorizados a abrir das 10h às 20h, com limitação de 50% do público. 

Serviços e atividades essenciais, como farmácias e clínicas médicas, não terão que atender as regras de toque de recolher e de funcionamento. Os serviços considerados essenciais estão especificados no decreto 4.317, de 21 de março de 2020. 

DEMAIS ATIVIDADES 

Continuam proibidas atividades que causem aglomerações, como casas de shows, circos, teatros e cinemas; eventos sociais e atividades correlatas em espaços fechados, como casas de festas, de eventos, incluídas aquelas com serviços de buffet; os estabelecimentos destinados a mostras comerciais, feiras, eventos técnicos, congressos e convenções; casas noturnas e correlatos.

Também estão vedados encontros e reuniões familiares e corporativos com mais de 50 pessoas, realizados em bens públicos ou privados.

As práticas religiosas devem atender a Resolução 440/2021 da Secretaria da Saúde, publicada em 26 de fevereiro, que orienta templos, igrejas e outros espaços a adotarem, preferencialmente, o formato virtual. Em casos de atividades presenciais, os locais devem respeitar o limite de 35% da ocupação.

Os municípios poderão adotar medidas mais restritivas quanto aos horários, modalidade de atendimento e regras de ocupação e de capacidade, caso o cenário epidemiológico local assim exija.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

87% dos municípios do Paraná já iniciaram a vacinação de adolescentes sem comorbidades

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nesta quinta-feira (14) apontou que 347 municípios do Paraná já iniciaram a vacinação contra a Covid-19 em adolescentes sem comorbidades. As informações foram repassadas pelas equipes municipais para as Regionais de Saúde. O número representa 87% das 399 cidades do Estado.

A imunização destes jovens foi iniciada com a utilização do remanescente da reserva técnica, enviada aos municípios em todas as remessas, conforme pactuação entre a Sesa, Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems/PR) e a Associação dos Municípios do Paraná (AMP).

Segundo os dados do Vacinômetro, o Estado já registrou 218.470 doses aplicadas em adolescentes (com e sem comorbidades). Somente nos primeiros 12 dias de outubro, 112.027 vacinas foram registradas na base nacional.

“Precisamos parabenizar esses profissionais de saúde e todas as equipes municipais que fazem a vacinação acontecer de domingo a domingo. Mesmo sem doses direcionadas para esse público sem comorbidades, o Estado tem avançado na faixa etária e estamos trabalhando para conseguir mais doses do governo federal e assim atingir todas as cidades do Paraná nesta campanha”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

DETALHAMENTO – De acordo com o levantamento, todos os municípios já iniciaram a vacinação de adolescentes com condições pré-existentes, sendo que 66 cidades consideram a imunização deste público prioritário como concluída ou sem procura.

Com relação ao balanço da imunização geral, sem comorbidades, 52 municípios aguardam o envio de doses para início; 34 vacinam a faixa de 12 anos ou mais; cinco estão vacinando 13 anos ou mais; 19 municípios abriram 14 anos ou mais; 59 estão atendendo 15 anos ou mais; 92 cidades, 16 anos; e 138 vacinam acima dos 17 anos.

“Não há competição entre os municípios porque essa guerra é de todos. Aqueles que possuem doses sobrando estão avançando na imunização por faixa etária, e as cidades que já esgotaram a reserva técnica, devem aguardar o envio de novas doses por parte do Ministério da Saúde, o que deve ocorrer nos próximos dias”, completou o secretário.

DOSES – Até agora, o Paraná recebeu duas remessas de imunizantes para a população de 12 a 17 anos dentro dos grupos prioritários. A primeira foi entregue no dia 24 de setembro e fazia parte da 53ª pauta de distribuição do Ministério da Saúde. O Estado foi contemplado com 99.450 imunizantes da Pfizer/BioNTech destinados a jovens com comorbidades e deficiência permanente. As vacinas foram distribuídas para as 22 Regionais de Saúde no sábado (25).

Três semanas depois, o Paraná recebeu a segunda remessa para adolescentes, com 3.082 doses, referentes à 58ª pauta. As vacinas foram entregues nesta segunda-feira (11) e distribuídas para as Regionais na quarta-feira (13). Nesta remessa as doses foram direcionadas para adolescentes indígenas.

A Sesa tem atuado na requisição de mais doses para o avanço da vacinação em adolescentes no Paraná. No mês passado, uma comitiva foi até Brasília para uma reunião com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz. Além disso, diariamente as equipes do Programa Estadual de Imunização dialogam com o governo federal na busca por mais imunizantes.

“A responsabilidade pela compra e distribuição das doses é do Ministério da Saúde. O Governo do Estado tem feito sua parte em solicitar constantemente o envio de mais vacinas para o Paraná. Vamos continuar com essa postura e, assim que chegarem, serão descentralizadas para as Regionais”, explicou Beto Preto.

HISTÓRICO – A ampliação da faixa etária para 12 anos ou mais foi solicitada pela farmacêutica norte-americana Pfizer/BioNTech para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 13 de maio. O órgão autorizou a indicação da vacina contra a Covid-19 neste público no dia 11 de junho.

Quase 50 dias depois, o Ministério da Saúde anunciou a inclusão de adolescentes no Plano Nacional de Imunizações (PNI), em nota conjunta com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), divulgada em 27 de julho.

No dia 15 de setembro, o Ministério da Saúde divulgou a Nota Técnica nº 40/2021 da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento da Covid-19 (SECOVID) formalizando a inclusão de adolescentes com comorbidades, deficiência permanente, privados de liberdade, gestantes, puérperas e lactantes, no PNI.

Na ocasião, o governo federal decidiu vacinar somente pessoas que se encaixassem nestes grupos prioritários. Após insistência por parte dos estados e municípios, a SECOVID divulgou no dia 22 de setembro a Nota Técnica nº 45/2021, revogando a anterior e recomendando também a imunização de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades.

Confira o levantamento detalhado da Secretaria de Saúde AQUI.

Desigualdade cresce mais no Brasil do que em outros países, aponta FGV

‘Meu filho esqueceu as letras’

Adriana Telles de Menezes, de 37 anos, mora com o marido, os sete filhos – com idades entre 10 e 20 anos – e uma neta de 3 anos no bairro Linhares, na zona leste do município de Juiz de Fora (MG). Quando as escolas foram fechadas, em março de 2020, ela teve de lidar com os desafios de um ensino remoto sem conexão de internet e sem aparelhos eletrônicos. As apostilas impressas, distribuídas pela escola estadual, substituíram as aulas virtuais dos filhos.

Gabriel, o filho mais novo de Adriana, estava aprendendo a ler e a escrever. Sem contato direto com os professores e com os colegas, o aprendizado ficou comprometido. “Ele perdeu o interesse pelo estudo. Fala que não sabe fazer mais, que esqueceu as letras. Começa a ficar nervoso e a chorar falando que não consegue. O professor fala para a gente não forçar”, relata a mãe.

Além da ausência de recursos tecnológicos, a alimentação é mais um aspecto que evidencia as dificuldades enfrentadas pela família. “Na escola eles costumavam ter refeições diferentes. Em casa a gente não consegue dar a mesma qualidade. E, ficando o dia todo em casa, eles querem comer toda hora.”

A preocupação com o desenvolvimento dos filhos torna-se ainda maior pelo fato de ela própria enfrentar, diariamente, as consequências de não ter concluído os estudos. Adriana trabalha como auxiliar geral em um supermercado da cidade e, sem o ensino médio completo, conta que é ainda mais difícil conseguir uma promoção de cargo ou um aumento.

“Vejo o quanto seria importante ter estudado mais. Eu não tive apoio e nem material para estudar. Não quero que eles percam tantas oportunidades. Hoje tento fazer diferente com eles para que consigam um futuro diferente do meu”, desabafa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A pandemia ampliou a desigualdade mais no Brasil do que nos demais países do mundo. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), com dados internacionais do Gallup World Poll, que mostra a percepção da população em relação às políticas públicas de saúde, educação e meio ambiente. O desempenho brasileiro nas três esferas foi pior do que o de outros 40 países.

Os dados, colhidos antes e depois da pandemia, destacam ainda que a deterioração social brasileira foi mais forte entre a população de renda mais baixa. “A pandemia é um choque global que afeta o dia a dia do mundo inteiro. Mas, no Brasil, a administração e o gerenciamento das áreas de saúde, educação e meio ambiente foram piores. Por isso, tivemos um resultado abaixo da média”, diz Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

Na educação, a satisfação dos 40% mais pobres caiu 22% no Brasil e 2,38% no mundo. Neri explica que esse porcentual reflete a piora de dados educacionais na prática. O tempo médio de estudo diário na população de 6 a 15 anos caiu para 2 horas e 18 minutos, enquanto o mínimo legal é de 4 horas.

Entre os mais pobres, esse tempo ficou abaixo de 2 horas, e nas classes A e B ficou acima de 3 horas, o que aumenta o abismo social. A família de Adriana Telles de Menezes, de Juiz de Fora (MG), viveu esse drama (mais informações abaixo). Neri ressalta ainda que as escolas ficaram fechadas mais no Brasil do que no restante do mundo. Isso sem contar que muitas crianças deixaram de estudar porque não tinham celular ou computador disponível e porque as apostilas não chegavam até elas.

Na saúde, houve queda de 10,5% entre os brasileiros mais pobres e alta de 2,28% na média dos demais países. A situação se inverte entre os 40% mais ricos. No Brasil, a satisfação dessa faixa da população subiu 0,5%; nos demais países caiu 0,08%. Em relação às políticas ambientais, houve piora em todas as faixas de renda, enquanto a percepção melhorou no resto do mundo.

“A pandemia deixou marcas sociais e econômicas muito fortes. Houve uma inversão de tendências. A desigualdade vinha diminuindo e a educação, apesar de ruim, também melhorava. Agora tudo mudou”, afirma Neri. Segundo ele, as matrículas escolares recuaram ao menor patamar desde 2007, e isso terá consequências no futuro, no aprendizado e na produtividade do trabalhador, que já estava estagnada há algum tempo.

Na prática, esses fatores têm um peso muito forte na competitividade do Brasil, sobretudo a questão da educação. O presidente da Trevisan Escola de Negócios, VanDick Silveira, destaca que o resultado de hoje terá efeito daqui a 20 anos na força de trabalho. A educação, diz ele, é muito ruim e deve piorar. “O PIB per capita é o mesmo de dez anos atrás. Em dólar, caiu 45% em 20 anos. A população ficou mais pobre em termos globais.”

Na avaliação de José Pastore, professor da Universidade de São Paulo, 500 dias sem aula deixam uma “cicatriz” nas crianças. “Não se trata de dar mais aulas, mas de ter uma estratégia de recuperação, o que não existe por enquanto”, diz. Segundo ele, sem essa política, o País corre o risco de perder toda uma geração. “É como diz Paul Krugman (Nobel de Economia), ‘para o desenvolvimento econômico, a produtividade não é tudo, mas quase tudo’. Na competitividade, educação não é tudo, mas quase tudo”, afirma.

Sobre a questão ambiental, o efeito é mais direto na exportação. Sem políticas rígidas, diz Marcelo Neri, pode haver perda de negócios. A pandemia aumentou a consciência de consumidores que passaram a pressionar as empresas por práticas mais sustentáveis, como um “trailer” de novos desafios do País.

‘Meu filho esqueceu as letras’

Adriana Telles de Menezes, de 37 anos, mora com o marido, os sete filhos – com idades entre 10 e 20 anos – e uma neta de 3 anos no bairro Linhares, na zona leste do município de Juiz de Fora (MG). Quando as escolas foram fechadas, em março de 2020, ela teve de lidar com os desafios de um ensino remoto sem conexão de internet e sem aparelhos eletrônicos. As apostilas impressas, distribuídas pela escola estadual, substituíram as aulas virtuais dos filhos.

Gabriel, o filho mais novo de Adriana, estava aprendendo a ler e a escrever. Sem contato direto com os professores e com os colegas, o aprendizado ficou comprometido. “Ele perdeu o interesse pelo estudo. Fala que não sabe fazer mais, que esqueceu as letras. Começa a ficar nervoso e a chorar falando que não consegue. O professor fala para a gente não forçar”, relata a mãe.

Além da ausência de recursos tecnológicos, a alimentação é mais um aspecto que evidencia as dificuldades enfrentadas pela família. “Na escola eles costumavam ter refeições diferentes. Em casa a gente não consegue dar a mesma qualidade. E, ficando o dia todo em casa, eles querem comer toda hora.”

A preocupação com o desenvolvimento dos filhos torna-se ainda maior pelo fato de ela própria enfrentar, diariamente, as consequências de não ter concluído os estudos. Adriana trabalha como auxiliar geral em um supermercado da cidade e, sem o ensino médio completo, conta que é ainda mais difícil conseguir uma promoção de cargo ou um aumento.

“Vejo o quanto seria importante ter estudado mais. Eu não tive apoio e nem material para estudar. Não quero que eles percam tantas oportunidades. Hoje tento fazer diferente com eles para que consigam um futuro diferente do meu”, desabafa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.