Deputados começam a debater o ensino obrigatório do espanhol nos colégios do Paraná

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Um dos grandes temas que os deputados estaduais debaterão com o retorno das atividades em plenário na Assembleia Legislativa do Paraná no próximo dia 2 de agosto é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021 que acrescenta no artigo 179 da Constituição do Estado a obrigatoriedade do ensino da língua espanhola nas escolas públicas de ensino fundamental II ao final do ensino médio, em todas as escolas do Paraná, no horário regular de ensino, no mínimo de 02 horas/aula na carga horária semanal.

A proposta é assinada por dezenove deputados e aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve aprovar a admissibilidade do documento para seguir a tramitação no Legislativo. Aprovada pela CCJ, será criada uma Comissão Especial para analisar o texto, e somente após o crivo desta Comissão é que a proposta segue para análise em plenário pelos 54 deputados estaduais.

“O ensino da língua espanhola nas escolas públicas e particulares do Estado do Paraná constitui um enorme avanço para o processo de formação dos estudantes para o conhecimento, desenvolvimento intercultural, formação profissional, integração sulamericana e o desenvolvimento regional. Implementar o ensino da Língua Espanhola na Educação Básica é parte de uma estratégia eficaz para assegurar a formação de uma comunidade latino-americana de nações a longo prazo, promovendo a integração social e cultural dos povos da América Latina, conforme prevê o artigo 4º da Constituição Federal do Brasil”, diz a justificativa da proposta.

Movimento – O debate da inclusão do idioma na grade curricular acontece em nível nacional, através do movimento #FicaEspanhol. Alguns estados, como o Rio Grande do Sul, Rondônia e Paraíba já aprovaram a inclusão. Nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Piauí, Goiás, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso tramitam proposições (projetos de lei e PECs).

A Língua Espanhola é falada por mais de 585 milhões de pessoas no mundo, é a segunda em relevância comercial, é idioma oficial de 21 países, sendo que 19 deles estão localizados na América, 7 países fazem fronteira com o Brasil e 2 países fazem fronteira com o estado do Paraná. Também é língua de estudo de mais de 22 milhões de alunos em 110 países, inclusive na China e no Japão, que são os principais países parceiros do Brasil em transações comerciais fora da América Latina.

Atualmente, a grande maioria das escolas do Paraná garante, na grade curricular e no horário regular de aula, o ensino de uma única língua estrangeira (inglês) e realiza a oferta de espanhol e de outros idiomas por meio do CELEM, no contraturno, inviabilizando o acesso da maioria dos alunos que, por diversas razões, não pode comparecer à escola ou realizar cursos na modalidade remota em horário diferente do estabelecido para o ensino regular.

Em 2005 a lei 11.161 determinava o ensino da língua espanhola no horário regulamentar de ensino e também através de Centros de Estudos de Línguas Modernas. “Foi um boom. Muitos professores de espanhol foram contratados”, lembrou a professora de espanhol e integrante do Movimento, Poliana Milan.

Ao mesmo tempo, países do Mercosul passaram a ofertar o ensino da língua portuguesa aos estudantes. Mas em fevereiro de 2017 a lei 11.161 foi revogada e uma nova legislação, lei 13.415/2017, tornou obrigatório o ensino da língua inglesa e optativo o ensino de outas línguas estrangeiras, dando preferência ao espanhol, “com a disponibilidade de oferta, locais e horários definidos pelos sistemas de ensino”.

“Se pensarmos na posição geopolítica do Brasil, estamos mais próximos de países hispano-falantes, por isso mesmo, assim como eles aprendem português para manter uma boa relação com o Brasil, não teria por que nós não aprendermos a língua e a cultura deles”, cita Poliana. “As escolas estão se adaptando à nova lei e tirando o espanhol. Se o diretor quiser pode ofertar no contraturno. No estado são 700 docentes de espanhol concursados que não vão ter onde trabalhar”, completa.

Ela cita ainda que com o retorno do idioma à grade curricular, não será necessária a realização de novo concurso público, pois o quadro atual é suficiente para essa retomada. “É muito importante cada vez mais defendermos a educação com outros idiomas, caminhar o ensino para outras culturas. Não defendemos só o espanhol e sim que a comunidade possa escolher o idioma. Chamamos a atenção para a importância de aprender diferentes culturas, isso faz com que o aluno seja mais crítico, é uma maneira de evitar o pré-conceito de outras culturas”, relatou Poliana.

Ela destaca ainda o empenho dos deputados estaduais e da Assembleia Legislativa do Paraná em debater esse tema. Com a análise dessa PEC, os “deputados dão a importância e publicidade de respeito às diferentes culturas que existem no estado e esse é o maior papel que o político pode fazer. Os deputados, enquanto representantes do povo, precisam mostrar que respeitam as diversidades linguísticas e, por isso mesmo, culturais dos diferentes povos. Não podemos impor aos estudantes que eles aprenderão apenas uma língua/cultura, isso é limitar a aprendizagem dos alunos a apenas um tipo de conhecimento, é impor apenas um tipo de conhecimento, a aprender e entender apenas uma cultura, normalmente dominante, como está sendo a imposição do inglês sobre as demais línguas/cultura”, disse. “Por último, vale ressaltar que o respeito ao diferente só acontece quando as pessoas entendem por que o outro é diferente. E isso só é possível de ser trabalhado nas escolas por meio de uma educação plurilíngue”, finalizou.

A professora universitária Amábile Piacentine, de Apucarana e líder do Movimento #Ficaespanhol, lembra que a luta começou em 2016, quando se cogitava a extinção da lei que assegurava o ensino da língua espanhola no horário regulamentar de ensino. A partir daí, “a lei federal obrigava o ensino do inglês, os estados se viram entre atender a lei e a demanda do espanhol. Governo então optou pelo inglês. Foi um choque para nós”, relatou.

Para ela, a aprovação da PEC fará com que o espanhol faça parte de uma política de linguagem efetiva e o apoio dos deputados será fundamental nesse processo. “O Movimento considera efetiva a presença e participação dos deputados, tanto os que assinaram e os que já declararam apoio. Precisamos desse apoio. O nosso desejo é que seja aprovada por unanimidade, pois não é uma causa partidária. É uma pauta da educação. Beneficiará o Paraná inteiro ter o espanhol na grade curricular, é um direito dos nossos estudantes”.

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Filhote de lobo-marinho é flagrado em praia do litoral do Paraná; aparição não é comum nesta época

Um filhote de lobo-marinho fez uma aparição em uma praia de Caiobá, em Matinhos, no litoral do Paraná, na manhã desta quinta-feira (13). A presença do animal, segundo a Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi considerada “inesperada”.

De acordo com o Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da UFPR, não é comum animais da espécie aparecerem na região nesta época do ano.

“Em pleno mês de janeiro a ocorrência desta espécie na região não é esperada, visto ser um animal de espécie migratória característica de inverno/primavera ao longo da costa brasileira”, divulgou o LEC, em uma rede social.

Uma equipe de especialistas esteve no local e isolou, com ajuda de pessoas que passavam pela região, o espaço onde o lobo-marinho descansava. Em seguida, o filhote foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (Cred).

“Estamos em contato com os demais grupos de pesquisa brasileiras para avaliarmos se este animal seria um indivíduo previamente reabilitado e liberado há pouco tempo”, disse a bióloga e coordenadora do LEC, Camila Domit.

Após avaliações do estado de saúde do lobo-marinho, ele deve ser devolvido ao habitat natural.

Serviços de cadeiras anfíbias e passarelas tornam as praias paranaenses mais acessíveis

Pessoas com mobilidade reduzida podem usufruir com mais conforto das praias no litoral paranaense. O projeto Praia Acessível disponibiliza cadeiras anfíbias e passarelas que facilitam a caminhada na areia, em cinco pontos das praias de Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná. O serviço é feito em parceria entre a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e a Secretaria da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf) e a Superintendência de Esporte.

As cadeiras anfíbias funcionam de terça a domingo, das 9 horas ao meio-dia e das 15 às 18 horas, com ajuda de agentes capacitados. Não é necessário agendar previamente, mas os usuários ou seus responsáveis legais devem preencher um cadastro no momento do uso das cadeiras.

Por questões de segurança, em dias chuvosos, o serviço fica suspenso. Os equipamentos são apropriados para entrar na água, possibilitando que pessoas com deficiência ou baixa mobilidade tenham um banho de mar seguro e confortável.

Em pontos próximos às cadeiras anfíbias, foram instalados 190 metros de passarelas de acessibilidade que facilitam a locomoção de pessoas desde as calçadas até a beira-mar. As passarelas estão sendo utilizadas não apenas por pessoas que usam cadeiras de rodas, mas por toda a população, especialmente por idosos, crianças ou pessoas com carrinhos de bebês.

As passarelas agradaram as pessoas que já utilizavam as cadeiras anfíbias. A moradora de Curitiba Loeide Sutil Gabriel Teodoro, de 57 anos, e o filho Emanuel Gabriel Teodoro usaram os serviços em Praia de Leste, nesta temporada.

“Conhecemos esse trabalho por acaso, em 2019, visitando Pontal do Paraná. Vimos a plaquinha do Praia Acessível e descobrimos as cadeiras anfíbias, inclusive na Praia de Leste, onde a gente vai frequentemente. Desde então, minha mãe usa a cadeira sempre que pode. Neste ano, melhorou muito porque foi instalada uma passarela até a beira-mar, que é como um tapete sobre a areia fofa, essencial para acessar a praia com a cadeira. Só no primeiro dia nesse verão, minha mãe quis tomar banho de mar três vezes na cadeira. Sem a cadeira não tem como entrar no mar, até a mobilidade na praia é bem dificultada”, diz Emanuel.

OUTROS SERVIÇOS – A Sanepar também disponibiliza duchas ecológicas para rápidos e confortáveis banhos de água tratada com cloro e baixo teor de sal, ainda na areia da praia. Isso contribui para a economia de água, uma vez que as duchas utilizam água do lençol freático e o banho na areia ajuda a reduzir o uso de água tratada do sistema público de abastecimento da Sanepar. As duchas ficam nos mesmos locais onde estão as cadeiras anfíbias e as passarelas.

A empresa também está levando totens do atendimento comercial para contêineres na beira da praia, fazendo a limpeza diária de 48 km de extensão das areias e participando das atividades nas arenas de recreação educativa na orla de Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná, sempre divulgando em seus materiais a importância do uso racional da água, da separação de resíduos e da preservação ambiental.

Pontos das cadeiras anfíbias, passarelas e duchas ecológicas:

Guaratuba: Morro do Cristo (Avenida Atlântica, em frente à Avenida Brejatuba)

Matinhos: Avenida Atlântica, em frente à Rua Londrina

Pontal do Paraná: Balneário de Praia de Leste (Avenida Deputado Aníbal Khury, em frente à Rua Baronesa do Cerro Azul)

– Balneário de Ipanema (Avenida Deputado Aníbal Khury, em frente à Rua São Luís)

– Balneário de Shangrilá (Avenida Deputado Aníbal Khury, em frente à Avenida Paranaguá)