Crianças e adolescentes participam de debates sobre mudanças climáticas

Quantas vezes você deu espaço para ouvir o que uma criança tem a dizer? Essa é uma pergunta que traz reflexões que vão muito além do que somente escutar a opinião de crianças e adolescentes, mas sim envolvê-los na conversa e identificação de soluções sobre temas que afetam suas vidas. O direito à participação é um dos quatro princípios da Convenção dos Direitos das Crianças da ONU (Organização das Nações Unidas), e, no Brasil, está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Neste ano, o Comitê dos Direitos da Criança da ONU está elaborando o Comentário Geral N.º 26, que trata sobre os Direitos da Criança e o Meio Ambiente, com foco especial nas Mudanças Climáticas. Para isso, realizou uma chamada pública para consultar a opinião de crianças e adolescentes em diferentes países.

O projeto “Crianças e Mudanças Climáticas” é uma das iniciativas ao redor do mundo que atendeu essa chamada da ONU. Parceria entre o Centro Marista de Defesa da Infância (CMDI), do Grupo Marista, com a Clínica de Direitos Humanos da PUCPR, UMBRASIL e Província do México Central, o projeto consultou 457 estudantes de cinco escolas Marista de Educação Básica no Brasil e oito no México.

“É fundamental relacionarmos a defesa dos direitos das crianças e adolescentes com o meio ambiente, como o Comitê de Direitos da Criança da ONU está fazendo para a produção do 26º Comentário Geral, principalmente levando em consideração como esse assunto está cada vez mais presente nos debates da mídia e nas conversas entre autoridades internacionais. As questões ambientais perpassam aos currículos das escolas, sendo um assunto que permeia a realidade de crianças e adolescentes, e a preocupação deles com o planeta é real e urgente”, destaca a analista de projetos do CMDI, Marcela Carsten.  

As meninas e meninos que participaram do projeto pediam, por meio de suas mensagens, para serem valorizadas na sociedade. Frases como “nos deem informações, que ao longo do tempo podemos ter novas soluções”, “só tem um planeta, não tem outro, por isso precisamos cuidar”, e “é importante sermos ouvidos, porque embora não pareça, o futuro do planeta aterroriza”, estão entre as respostas dos questionários utilizados na elaboração do trabalho, e mostram que meninos e meninas têm interesse nesses temas.

Para a coordenadora da Clínica de Direitos Humanos da PUCPR, Danielle Pamplona, é preciso entender que meninos e meninas têm o mesmo direito de se expressarem que os adultos. “O direito de liberdade de expressão vem acompanhado de outros direitos importantes: de receber informações, de buscar informações, e o direito de compartilhar informações”, explica Danielle.

Sob o olhar de quem importa

A campanha “Sob o olhar de quem importa”, criada em 2020, valoriza a participação de meninas e meninos sobre temas que afetam suas vidas. Neste ano, a iniciativa relaciona o ECA com as questões ambientais por meio de vídeos protagonizados por crianças, adolescentes e educadores, considerando suas opiniões a respeito dos desafios e oportunidades para cuidar da casa comum. 

Nos vídeos, oito estudantes Marista entre 10 e 17 anos destacam a importância de preservar o meio ambiente e mostram que entendem a urgência de tratar do assunto. “A gente degrada florestas, tira habitats de animais, perde nossa fonte de sustento, causa muitos problemas de saúde”, diz uma delas. Para outra: “Toda vez que a gente ignora a preservação do meio ambiente, é como se estivéssemos declarando a nossa autoextinção”.

Em outro vídeo da campanha, educadores também foram convidados a refletir sobre o direito à participação e o debate ambiental. “Os adultos ocupam um lugar de privilégio, com acesso à informação e à tomada de decisões, por isso, nosso papel é oferecer a crianças e adolescentes mais informações de qualidade e ações educativas, para que elas formem suas próprias opiniões e tenham confiança para tratar do tema”, recomenda Marcela. 

De acordo com a analista, ao longo da produção dos vídeos da campanha e também do projeto “Crianças e Mudanças Climáticas”, o diálogo com meninas e meninos possibilitou compreender o que eles entendem por mudanças climáticas. “Um desafio nessas discussões foi alinhar nossos vocabulários com o das crianças e adolescentes, usando termos que fizessem sentido para eles. Para que eles identificassem o tema com facilidade, articulamos a discussão do meio ambiente com cultura pop, música e poesia”, conta.

Segundo o presidente do Conselho Superior da UMBRASIL, Antonio Benedito de Oliveira, uma abordagem ecológica é também uma abordagem social, e meninas e meninos têm papel central: “As crianças, adolescentes e jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente”.

Ampliando o assunto, a coleção “Agenda 2030: para que ninguém fique para trás”, elaborada pelo EducaDyS, Pastoral Juvenil Marista do México e o Centro Marista de Defesa da Infância, tem como objetivo contribuir nas ações educativas com crianças, adolescentes e jovens sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS. Disponível em oito fichas, a coleção utiliza a metodologia Ver, Julgar e Agir, e possibilita que educadores, crianças, adolescentes e jovens vivenciem um caminho pedagógico com sugestão de atividades lúdicas e subsídios para reflexão sobre o tema. 

Para conhecer melhor essas iniciativas, acesse centrodedefesa.org.br  e os perfis do Grupo Marista no Instagram, Facebook e YouTube.

Sobre o Centro Marista de Defesa da Infância 

O Centro Marista de Defesa da Infância, do Grupo Marista, atua há 12 anos na proteção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, por meio do fortalecimento da sociedade civil, da qualificação de políticas públicas e do controle social. Desenvolvemos campanhas e assessoramento sobre o enfrentamento à violência sexual e outros temas referentes aos direitos humanos, como a participação infanto-juvenil e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Atuamos também no monitoramento de dados e do orçamento público do estado do Paraná e promovemos ações de incidência política em articulação com governos, redes, fóruns, comissões e conselhos de Direito. Saiba mais em centrodedefesa.org.br  

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Programa de empreendedorismo gratuito para mães e familiares de pessoas com deficiência é prorrogado até o dia 19/07

Com o objetivo de desenvolver habilidades gastronômicas e empreendedoras, o Programa Empreenda Risotolândia, desenvolvido em parceria entre a ASID Brasil – Ação Social para Igualdade das Diferenças e o Grupo Risotolândia, está com inscrições abertas até o dia 19 de julho. O projeto é on-line e gratuito para mães e familiares de pessoas com deficiência nas cidades de Araucária (PR) e de Blumenau (SC). 

A edição de 2022 é destinada à familiares com pessoas com deficiência física, que já possuam um empreendimento próprio ou que estejam buscando uma oportunidade ou caminho no mercado de trabalho na área de alimentação. O programa tem como meta auxiliar o desenvolvimento de 25 famílias. 

As oficinas têm duração de três meses com um encontro semanal de duas horas até a conquista da certificação, centrados em três temáticas: como abrir o próprio negócio, planejamento da vida profissional e financeira e apoio psicológico aos participantes. Há, ainda, sessões de mentoria, que são oferecidas às participantes com empreendedores e gestores voluntários. Na mentoria, os empreendedores terão acesso a um acompanhamento personalizado com uma mentora, que divide ferramentas e conteúdo que podem trazer impacto positivo no desenvolvimento do negócio; além de aumentar o networking e abrir portas para novas oportunidades. 

Segundo Regina Pfiffner, líder na ASID, a edição deste ano tem como foco adicional fornecer conhecimentos para promoção de equilíbrio entre vida pessoal e profissional – um dos maiores desafios nas carreiras de mães/cuidadoras de familiares com deficiência, que ficou ainda mais evidenciado por conta do cenário socioeconômico gerado pela pandemia da Covid-19. “Vamos juntos construir um ambiente seguro com ferramentas de gestão para começar seu negócio do zero, apoiá-los na construção de um novo empreendimento”.

Programa oferece oportunidades para empreender 

De acordo com a diretora executiva da ASID, Isabela Bonet, o Empreenda Risotolândia fornece as ferramentas de empreendedorismo para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social e suas famílias, com o objetivo de oportunizar acesso a bens e serviços para uma melhor qualidade de vida através da formação da rede. 

“O empreendedorismo pode ser uma oportunidade para pessoas com deficiência e seus familiares conciliarem uma renda com sua rotina familiar, que, muitas vezes, é bem particular e específica. O programa pode fazer mais sentido ainda para famílias que tem uma pessoa com deficiência sem condições de entrar no mercado de trabalho, criando assim um apoio e um dinamismo familiar de envolvimento no novo negócio e desenvolvimento da pessoa com deficiência.”, comenta Isabela, da ASID Brasil. 

Com a ampliação de conhecimentos sobre o mercado de trabalho, o programa contribui também para a autoestima das pessoas com deficiência. “O foco do Programa Empreenda, assim como nos outros anos, é o empreendedorismo gastronômico e o empoderamento da pessoa com deficiência. Araucária é nossa sede e tem as principais operações e Blumenau é nossa filial com mais tempo de atuação. Nossa expectativa é o desenvolvimento de competências empreendedoras e de capacidade técnica para a pessoa com deficiência e seus familiares, com o intuito de criar oportunidades de socialização e aumento de renda”, afirma a analista de comunicação interna do Grupo Risotolândia, Evellyn Sousa.

As inscrições no Empreenda Risotolândia estão abertas até o dia 19 de julho e devem ser realizadas através do formulário do link  https://bit.ly/3wc6a6p.  

Sobre a ASID Brasil

A ASID é uma organização social voltada à construção de uma sociedade inclusiva por meio de projetos de responsabilidade social, como voluntariado, inclusão no mercado de trabalho e desenvolvimento de gestão de organizações parceiras. Com mais de dez anos de atividades, tem mais de 100 mil pessoas impactadas e mais de 7 mil voluntários. A ASID também possui reconhecimento a partir de prêmios nacionais e internacionais, como o Melhores ONGs Época e o United People Global. Mais informações, acesse www.asidbrasil.org.br

Sobre o Grupo Risotolândia

Há mais de 65 anos no mercado, o Grupo Risotolândia é líder no mercado de refeições coletivas no sul do Brasil. Com soluções diferentes para qualquer tipo de demanda relacionada à alimentação, conta com mais de 4.700 colaboradores e fornece mais de 550 mil refeições diariamente. Tem o compromisso de garantir que todos os brasileiros tenham uma alimentação saudável ao longo de suas vidas. www.risotolandia.com.br

PUCPR está entre as 35 universidades brasileiras no ranking das melhores do mundo

35 instituições de ensino superior brasileiras fazem parte da última edição do QS World University Rankings, que elenca as melhores universidades do mundo, e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) está entre elas. Para elaborar a lista, são analisados critérios como reputação acadêmica e entre empregadores, produção e citações científicas, proporção entre professor e aluno e número de estudantes estrangeiros matriculados, entre outros. A PUCPR está na posição 1201ª-1400ª do ranking. 

“A busca pela excelência em nossa Universidade é constante e o prestígio internacional é reflexo do foco e investimento da instituição na melhoria contínua da experiência acadêmica. Nosso objetivo é ser referência em pesquisa científica, mas principalmente em formação humana, empatia e acolhimento. A PUCPR conta com o comprometimento de nossos professores e colaboradores, que com sua presença significativa fazem da educação seu sentido de vida. Formamos uma geração de “Gente Boa” e tornamos visível a tradição marista de que educar é uma obra de amor”, afirma o reitor da PUCPR, Irmão Rogério Renato Mateucci. 

Importante destacar que a edição mais recente de outro importante ranking universitário, o Times Higher Education Latin America University Rankings, classificou a PUCPR como a melhor instituição privada do Paraná e a segunda melhor do estado entre todas as públicas e privadas. Já no âmbito nacional, foi considerada uma das três melhores instituições privadas do país, ocupando o terceiro lugar, além de estar entre as 50 melhores da América Latina. 

A lista completa do QS World University Rankings pode ser acessada no link: https://www.topuniversities.com/university-rankings/world-university-rankings/2023