Crianças de escola da RMC reproduzem competições de ‘Round 6’ e direção alerta pais

A popularidade da série sul-coreana “Round 6” entre crianças virou motivo de preocupação para pais e professores da escola O Pequeno Polegar, em São José do Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Na quinta-feira (7), a direção do colégio decidiu enviar uma carta aos responsáveis alertando que crianças de 8 a 10 anos estavam assistindo à produção da Netflix, cuja classificação indicativa é de 16 anos, por trazer cenas de sexo e violência.

No documento, a escola diz ser direito das famílias decidir o que é melhor para as crianças, mas salienta que o conteúdo de “Round 6” impõe riscos psicológicos aos jovens.

“A mensagem desta série em nada se comunica com nosso programa socioemocional, com nossa valorização da família e da vida, com nossa filosofa de escola. Em nada contribui para que seus filhos sejam pessoas melhores e resilientes”

diz o comunicado.

Diretor da escola, Haroldo Andriguetto, 37, diz que começou a ficar preocupado quando viu que a maior parte dos alunos estava reproduzindo as competições de “Round 6”.

Na série, 456 pessoas com problemas financeiros são convidadas a participar de uma competição na qual precisam vencer provas para ganhar um prêmio milionário. Pelas regras do jogo, os competidores participam de jogos infantis, e quem perde é morto, o que eleva o valor do prêmio.

Andriguetto diz que, quando as crianças reproduziam as dinâmicas da série, elas fingiam também que estavam matando umas às outras. “Qualquer pai e mãe ficaria horrorizado com o que eu vi. Ao andar nos corredores, eu estava acostumado a ver crianças felizes, saudáveis, pulando e brincando”, diz ele.

O diretor explica que os alunos estavam deixando, inclusive, cartas nas mesas dos colegas convidando-os para o jogo, a exemplo do que acontece na série. “Ela passa um conjunto de ideias totalmente não emocionais, o que pode mexer com a ansiedade, com o medo e com os níveis de tolerância das crianças.”

Após enviar o documento aos pais, a direção recebeu por volta de 15 emails agradecendo o alerta. Alguns dos responsáveis nem sabiam que os jovens estavam acompanhando “Round 6”.

“Ao conversar com os filhos, eles se surpreenderam porque as crianças sabiam tudo sobre a série.”

Andriguetto diz não ser contrário à narrativa. “Ela tem o seu público, tem a sua mensagem, mas o problema é que ela alcançou as crianças e a imaginação delas.”

Segundo o diretor, a idade que vai de 0 a 10 anos é crucial para o desenvolvimento cognitivo. “Começar a ter contato com esse tipo de mídia nesse momento pode gerar um efeito em cadeia.”

Prejuízos psicológicos

Psicóloga especializada em atendimento às crianças, Júlia Porciúncula, 41, diz que o conteúdo de “Round 6” de fato pode trazer prejuízos psicológicos aos jovens. “Como o ser humano é subjetivo, não dá para adivinhar o futuro. Mas, baseado nas pesquisas que já existem, expor crianças de um modo geral a conteúdo violento gera problemas.”

A especialista diz que cada jovem vai reagir de um jeito, podendo desenvolver quadros de ansiedade, insegurança ou agressividade. Para evitar isso, ela recomenda que os pais fiquem atentos ao conteúdo que os filhos consomem na internet. “É importante não deixar a criança com o eletrônico totalmente disponível. Tem que haver uma supervisão.”

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Sanepar divulga tabela de rodízio da RMC, seguindo modelo 60 horas x 36 horas

Oscilações dos níveis das barragens da Região Metropolitana de Curitiba, que têm interferência direta do regime de chuvas, levam a Sanepar a manter o atual rodízio de 60 horas de abastecimento e de até 36 horas com suspensão. A tabela para o período de 14 a 25 de janeiro segue o modelo 60h x 36h até que o nível do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (SAIC) esteja pelo menos em 80%, quando poderá haver a suspensão do rodízio.

A Sanepar trabalha com os cenários mais conservadores para garantir abastecimento, mesmo que em formato de rodízio, pelo fato de o Paraná ainda estar em situação de emergência hídrica, com déficit acumulado de chuvas e previsões de precipitações na média ou abaixo da média.

As chuvas das últimas semanas contribuíram para a evolução dos níveis das quatro barragens, que na média atingiram 73,11% nesta segunda-feira (10), o maior patamar desde o começo do rodízio, há quase dois anos.

As chuvas são fator determinante para o abastecimento, embora obras feitas pela Sanepar e o uso racional da água pela população contribuam com os níveis das barragens. Em 1° de março de 2021, por exemplo, o SAIC atingiu 49,73%, praticamente o mesmo nível do primeiro dia de outubro de 2021 (49,11%), embora no intervalo entre as duas datas o nível tenha alcançado 60% (abril).

Projeções da Sanepar mostram que, sem o rodízio, sem a contribuição da população com o uso racional da água e sem as medidas adotadas pela Companhia para aumentar os níveis dos reservatórios, o sistema teria entrado em colapso em outubro de 2020, quando teria chegado a níveis tão baixos que inviabilizariam o abastecimento da Região Metropolitana.

Confira a tabela completa AQUI .

Prevista para Copa de 2014, obra de acesso ao Afonso Pena finalmente deve ser entregue

Depois de mais de sete anos deve ser entregue em dezembro a remodelação do acesso ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), responsável pelas obras, informou que a nova previsão é que as intervenções fiquem prontas nos próximos dias, depois de um período de suspensão e retomada em 2019. Faltam a colocação da sinalização e a conclusão das calçadas.

As alterações na Rua Comandante Aviador José Paulo Lepinski fazem parte da última etapa de um pacote de obras que integravam o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, que deveria ter sido entregue para a Copa do Mundo de 2014.

Segundo a Comec, após o atraso na conclusão, a empresa responsável entrou em recuperação judicial em 2016 e paralisou os empreendimentos, que incluíam também melhorias na Avenida das Américas e na Avenida Comendador Franco, além da construção de uma ponte e de uma trincheira, todos em São José dos Pinhais. Além do aeroporto, o trecho revitalizado pretende desafogar o trânsito na BR-376, na saída para Santa Catarina.

As outras duas obras foram entregues em setembro: a trincheira da Rua Arapongas, no cruzamento com a Avenida das Torres, e uma ponte sobre o Rio Iguaçu, na continuação da Avenida Senador Salgado Filho.