Covid: Senado aprova projeto para produção de vacina em laboratório veterinário

O Senado aprovou nesta terça-feira (27) um projeto para autorizar a produção de vacinas contra a covid-19 em laboratórios veterinários. A articulação envolve as empresas e recebeu aval do presidente Jair Bolsonaro na semana passada, conforme o Estadão/Broadcast antecipou. Técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos ministérios da Saúde e Agricultura também sinalizaram apoio à iniciativa.

O projeto é de autoria do senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator da comissão de acompanhamento da covid-19 no Senado, e autoriza que as plantas industriais destinadas à fabricação de produtos de uso veterinário sejam utilizadas para a produção de vacinas contra a covid-19 no Brasil. De acordo com a proposta, a Anvisa terá sete dias para avaliar os pedidos dos laboratórios do agronegócio após o atestado dos requisitos técnicos para a produção.

No último dia 16, a Anvisa confirmou a viabilidade para produção de vacinas contra a covid-19 em laboratórios veterinários no Brasil, mas ponderou que o desenvolvimento precisa atender condições sanitárias. A proposta dependerá de aprovação da Câmara e também de sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O texto aprovado pelos senadores deixa claro que a produção de vacina humana nesses locais depende do controle e da fiscalização da autoridade sanitária federal. Em alguns casos, os técnicos podem exigir adaptações na fábrica para a produção do imunizante humano.

Com a estrutura pronta para a produção de imunizantes contra a febre aftosa, por exemplo, os laboratórios argumentam que é possível desenvolver as doses contra o coronavírus para uso humano. Além disso, as empresas também afirmam que é possível produzir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), insumo para a vacina, hoje o principal gargalo na demanda mundial.

Para isso, porém, precisam fechar contratos de transferência tecnológica com produtores internacionais. Pelo menos três laboratórios estão envolvidos em negociações: Merck Sharp & Dohme, Ceva Saúde Animal e Ouro Fino. As empresas tentam um acordo, por exemplo, com o laboratório chinês Sinovac, que produz a vacina do Butantan.

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Mais de 5,5 milhões de paranaenses já foram vacinados contra a Covid-19

Com 5,5 milhões de pessoas que receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, o Paraná chega a 64,86% da população adulta que já iniciou a imunização. O novo marco foi alcançado nesta sexta-feira (23), quando o Estado chegou a 5.656.768 primeiras doses e doses únicas (DU) aplicadas.

No total, 7.350.271 doses já foram administradas no Paraná. São 5.369.295 primeiras doses (73% do total), 1.693.503 segundas doses (23%) e 287.473 doses únicas (3,9%). 22,72% da população está completamente imunizada, considerando a soma das segundas doses com doses únicas. Os dados são do Vacinômetro do Sistema Único de Saúde (SUS), vinculado ao Ministério da Saúde.

“O Paraná é o quinto estado que mais imunizou no País. A agilidade logística do Estado em distribuir os imunizantes para os municípios e ações de incentivo como a campanha De Domingo a Domingo, além do esforço ininterrupto das prefeituras, são alguns dos motivos para o sucesso da vacinação com as doses já disponibilizadas”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Beto Preto.

Atualmente, três em cada quatro cidades paranaenses estão vacinando a população geral na faixa dos 30 anos, reforçando a isonomia entre municípios promovida pela Secretaria estadual desde o início do plano de imunização. As exceções ficam por conta de regiões que receberam mais doses por se tratarem de grupos prioritários – como populações quilombola e indígena e, mais recentemente, cidades que fazem fronteira com outros países.

“Com exceção de casos excepcionais, de cidades em que boa parte da população foi atendida dentro das prioridades elencadas pelo Ministério da Saúde, há uma uniformização na aplicação dos imunizantes, com a maioria dos municípios vacinando a mesma faixa etária. É o que sempre buscamos desde o início: equilíbrio e agilidade para os paranaenses”, completou o secretário.

GRUPOS VACINADOS 

Considerando as pessoas que receberam uma dose (D1 ou DU), o Paraná é terceiro entre os estados que mais vacinaram a população em geral: o Estado administrou 2.151.319 doses na população de 18 a 59 anos, atrás apenas de São Paulo (10.258.294) e Rio de Janeiro (2.376.375).

O grupo é o que mais recebeu doses no total. Na sequência, os grupos prioritários mais vacinados são as pessoas com comorbidades (561.824), as pessoas de 60 a 64 anos (518.300), os trabalhadores da saúde (448.849) e as pessoas de 65 a 69 anos (428.831).

MUNICÍPIOS 

Entre os municípios que mais vacinaram com D1 e DU, em números absolutos, Curitiba lidera com 977.471 aplicações. Na sequência, estão Londrina (273.828), Maringá (265.133), Cascavel (169.810), Ponta Grossa (149.384), Foz do Iguaçu (141.286), São José dos Pinhais (130.192), Colombo (102.030), Paranaguá (91.629) e Guarapuava (78.204).

Já considerando a proporção da população vacinada entre os municípios, Pontal do Paraná lidera a aplicação da primeira dose, com 73,59% da população contemplada. A cidade é seguida por Maringá (72,13%), Guaraqueçaba (69,03%), Santa Cecília do Pavão (68,73%) e Barra do Jacaré (66,74%). Considerando as doses únicas, se destacam Porto Vitória (9,08%), Itaperuçu (8,82%), Sertanópolis (8,17%), Siqueira Campos (7,98%) e Manoel Ribas (7,07%).

Já com relação à segunda dose, lideram a vacinação Miraselva (26,15%), Pontal do Paraná (25,8%), Barra do Jacaré (25,27%), Terra Roxa (24,62%) e Nova Laranjeiras (24,38%). Os dados são do Ranking de Vacinação criado pela Secretaria de Estado da Saúde.

Fiocruz: cai média de idade de mortes e de casos de covid-19

A idade média dos casos e das mortes de covid-19 apresentou uma queda quando se compara a semana epidemiológica (SE) 1 (3 a 9 de janeiro) e a 27 (3 a 10 de julho) de 2021, segundo o Boletim Observatório Covid-19, publicado hoje (22) pela  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nos dados mais recentes, a média de idade das internações está em 53 anos, contra 62,5 na SE 1; as médias de óbitos foram 73 e 65 nas semanas epidemiológicas 1 e 27, respectivamente.

Os dados foram obtidos a partir do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SivepGripe)  e, segundo os especialistas, apontam para uma nova fase da epidemia no país. “Convém ressaltar que houve uma inflexão na tendência de declínio. Para os casos, a média de idade das internações já chegou a 52,1 anos. Para os óbitos, a inflexão é mais evidente: a média da idade atingiu 59,4 anos”, disseram os especialistas.

Em comparação com a semana epidemiológica 23 (6 a 12 de junho), houve um aumento de internações entre idosos, que esteve em 27,2% na semana epidemiológica  23 e na 27 subiu para 31,8%. Os dados indicam que na semana epidemiológica 23 foi registrada a menor porcentagem de idosos no número de óbitos (44,8%). Na SE 27, esse percentual subiu para 58,2%. Os dados mostram também redução de internações em leitos de terapia intensiva na faixa etária de 50 a 59 anos e uma interrupção no aumento na faixa de 40 a 49 anos na comparação entre as duas semanas epidemiológicas.

Duas últimas SE

Nas últimas duas semanas epidemiológicas, a trajetória descendente no número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) desacelerou. Segundo os cientistas do Observatório Covid 19, nas últimas duas semanas epidemiológicas, o aumento recente ou o registro de estabilidade em alguns estados sugere um quadro a ser monitorado. Nesse período foi registrada uma queda tanto no número de casos novos (-2,1%), quanto no de óbitos (-2,6%), tendência sustentada desde a análise das semanas anteriores. A taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%.

Os pesquisadores destacaram a importância do avanço da campanha de imunização para a  melhora nos números da pandemia. “O avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que a desejável. Ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados”, disseram os especialistas.

Estados

Não houve aumento das taxas de incidência ou mortalidade em nenhum estado. Houve uma redução expressiva no número de casos de covid-19 no Rio Grande do Norte, em Rondônia e em Alagoas e uma redução no número de óbitos expressiva no Piauí, no Acre, no Pará e em Sergipe. 

As maiores taxas de incidência de covid-19 no período das últimas duas semanas foram observadas nos estados de Roraima, de Mato Grosso e de Santa Catarina. Paraná, Mato Grosso e São Paulo apresentam as maiores taxas de mortalidade. As maiores taxas de letalidade foram registradas no Rio de Janeiro (5,7%), São Paulo (3,4%), Amazonas (3,4%) e Pernambuco (3,1%).

Para os especialistas, as altas taxas de letalidade “revelam falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados, como a insuficiência de testes diagnósticos, da triagem de infectados e seus contatos, identificação de grupos vulneráveis, bem como a incapacidade de se identificar e tratar adequadamente os casos graves de covid-19”.