Comissão da Câmara aprova criação de fundo para apoiar comunidades tradicionais
15/09/2025 – 18:25
Pablo Valadares / Câmara dos Deputados
Pastor Henrique Vieira: proposta busca fortalecer a atuação dessas comunidades
Proposta do Projeto de Lei 1530/25
A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1530/25, que cria um fundo de apoio à produção agrossilvipastoril, extrativista e artesanal realizada por indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais. O novo fundo, denominado Funap-Tradicionais, terá como objetivo financiar pesquisas e ações voltadas para a promoção da produção sustentável e agroecológica, destinando-se tanto ao mercado interno quanto à exportação.
Beneficiários do fundo
Além de indígenas e quilombolas, poderão ser apoiados pelo fundo seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco babaçu, ribeirinhos e pescadores artesanais.
Criação de conselho para fiscalização
A proposta, apresentada pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), estabelece a criação de um conselho composto por membros da sociedade civil e do poder público, que será responsável pela supervisão da aplicação dos recursos do fundo. O conselho terá a função de emitir pareceres sobre a utilização de recursos, realizar audiências e consultas às comunidades beneficiadas, e comunicar irregularidades aos órgãos competentes.
Fontes de financiamento
O fundo será sustentado por até 1% da arrecadação anual do Imposto Territorial Rural (ITR), além de recursos provenientes de multas relacionadas à proteção de territórios das comunidades beneficiadas. Empresas tributadas pelo lucro real também poderão contribuir com até 1,5% do Imposto de Renda devido.
A deputada Xakriabá ressaltou que o projeto é inspirado na Lei Rouanet, e que espera que a maior parte dos recursos do fundo prov venha de renúncia fiscal.
Objetivos da proposta
O relator do projeto, deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), afirmou que a proposta visa fortalecer e reconhecer a atuação das comunidades tradicionais, garantindo-lhes recursos adequados para proteção e valorização de suas práticas. “As contribuições ao fundo servirão para financiar projetos que promovam e protejam os povos indígenas e comunidades quilombolas”, declarou.
Próximos passos para a aprovação
A proposta ainda precisará ser analisada em caráter conclusivo pelas comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, de Finanças e Tributação, e de Constituição, Justiça e Cidadania. Para se tornar lei, a proposta deve ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes
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