Com vacinação, idosos passam de maioria para um quarto dos pacientes que dão entrada nas UTIs

A vacinação maciça da população com mais de 60 anos já traz reflexos nas internações de idosos nas UTIs exclusivas para a Covid-19 do Sistema Único de Saúde (SUS) do Paraná, que vem reduzindo significativamente. Desde o início da pandemia, em março de 2020, a taxa de idosos que davam entrada nos leitos intensivos era sempre próxima ou superior a 60%. O percentual se inverteu em maio e, pela primeira vez, ficou abaixo da metade.

No mês passado, as pessoas com mais de 60 anos representavam 33% dos pacientes que deram entrada nas UTIs. Essa taxa foi ainda mais baixa na primeira quinzena de junho, quando 24% dos internamentos eram nessa faixa etária.

Os dados são da Regulação Estadual de Leitos, administrada pela Secretaria de Estado da Saúde, e não incluem informações de Curitiba, Região Metropolitana e dos hospitais particulares. Tanto a Capital como o serviço privado utilizam sistemas próprios de monitoramento.

Os índices de internamento de idosos estão caindo desde o início da campanha de vacinação, em janeiro deste ano. Em paralelo, houve crescimento na ocupação desses leitos nas demais idades, principalmente na faixa de 40 a 50 anos, que subiu de 10% para 21% do total de janeiro para maio, e dos 30 aos 40 anos, com aumento de 6% para 11% no período.

“A vacina é a nossa principal arma para vencer a pandemia de Covid-19 e controlar a circulação do coronavírus. O resultado que vemos no público que mais foi vacinado no Estado mostra exatamente que esse é o caminho certo”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior. “Estamos trabalhando em conjunto com os municípios para acelerar o processo de vacinação no Paraná e queremos aplicar a primeira dose em toda a população adulta até o final de setembro”.

QUEDA 

De março a dezembro de 2020, a média de idosos ocupando esses leitos foi de 63%. Dos 14.418 pacientes internados em UTIs exclusivas no Interior do Estado no ano passado, 9.061 tinham mais de 60 anos. O Paraná abriu o ano com a maior taxa de internamento de idosos desde o começo da pandemia, 65% do total de ocupação dos leitos intensivos.

O índice então caiu para 56% em fevereiro, 51% em março, 50% em abril e 33% em maio. Na primeira quinzena de junho, dos 142 pacientes que deram entrada, 34 tinham mais de 60 anos. “Temos orientado as equipes municipais constantemente para que realizem ações voltadas à ampliação da vacinação em todos os grupos prioritários e agora também na população em geral”, ressalta o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

Em números absolutos, maio foi o mês com o menor internamento de idosos em UTIs Covid desde novembro de 2020. No mês passado, foram internados 1.390 pacientes com mais de 60 anos, 40% a menos do que no mês anterior, quando 1.947 pessoas nessa faixa etária foram colocadas nas UTIs. Em comparação, o número de pacientes gerais subiram 6,4% entre abril e maio, de 3.889 para 4.154 pessoas.

VACINAÇÃO 

De acordo com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), de janeiro a maio o Paraná aplicou 2.609.994 doses de vacina contra a Covid-19 em pessoas com 60 anos ou mais, 67,8% das 3.850.529 do total de doses aplicadas no período.

Até a terça-feira (15), 2.041.861 pessoas nessa faixa etária tinham sido vacinadas, incluindo aquelas que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Destas, 46% já completaram o ciclo vacinal, ao receberem as duas doses do imunizante. Segundo os dados do Vacinômetro do SUS, compilados pelo Ministério da Saúde com base nas atualizações dos municípios, os idosos receberam 64% de todas as doses de vacinas aplicadas no Paraná.

Dentre os vacinados, 1,11 milhão receberam a vacina AstraZeneca, que possui um período de 12 semanas entre a primeira e segunda aplicação. Mais de 98% deste público deve receber a segunda dose até julho.

CASOS E ÓBITOS 

A análise de casos e óbitos por Covid-19 em idosos também mostra redução no período. Em janeiro deste ano o Paraná confirmou 17.298 casos em pessoas com mais de 60 anos, este número representava 14,76% do total dos casos positivados no período. Já em maio, 15.401 idosos foram infectados pela doença, porém o percentual pelo número total de confirmações baixou para 10,98%.

Considerando o mesmo período, em janeiro o Estado registrou 1.487 óbitos nesta faixa etária e em maio 1.916. Embora o número absoluto tenha um aumento, houve redução no percentual de idosos quando comparado ao número total de mortes. O índice passou de 78,59% no início do ano para 53,22% no mês passado.

A Secretaria de Estado da Saúde já tinha publicado uma análise em 19 de maio que apontava para resultados satisfatórios com a vacinação do público idoso. Na época, o estudo prévio já mostrava quedas no percentual de óbitos pela doença em pessoas com mais de 70 anos, na idade média dos óbitos, nas internações dos idosos e nos surtos de Covid-19 nas ILPIs do Estado.

OUTRAS FAIXAS ETÁRIAS 

Enquanto houve queda nos internamentos dos idosos, aumentou a ocupação das UTIs com pessoas mais novas nos últimos meses. Em 2020, a média de pacientes na faixa dos 50 aos 59 anos era de 17%. Subiu para 29% em maio e, em junho, 34% das pessoas foram internadas nesses leitos.

Os pacientes com idade entre 40 e 49 anos representavam 10% dos internamentos no ano passado. Em maio foram 21% e, em junho, 23%. Na faixa dos 30 anos, passou de 6% dos que deram entrada em 2020 para 11% em maio e 13% nas primeiras semanas de junho. Nas demais faixas, os índices permaneceram semelhantes: dos 20 aos 29 anos eram 3% no ano passado e agora estão em 4%. De zero a 9 anos e de 10 a 19 anos, continuam ocupando 1% das vagas em cada faixa de idade.

Confira o estudo completo AQUI.

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COVID-19: Curitiba começa na sexta-feira a vacinação de crianças de 3 e 4 anos

Curitiba inicia nesta sexta-feira (22/7) a vacinação de crianças de 3 e 4 anos contra a covid. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

A Prefeitura de Curitiba vai começar a vacinação contra a covid-19 das crianças de 3 e 4 anos. O primeiro grupo a ser atendido, nesta sexta-feira (22/7), é o das crianças dessa faixa etária com imunossupressão.

Na segunda-feira (25/7), começa a convocação escalonada das demais crianças, por faixas etárias, divididas por meses de nascimento (cronograma completo abaixo).

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) fará a vacinação das crianças em 106 unidades de saúde, das 8h às 17h. São todas as unidades da cidade, menos a da Praça Ouvidor Pardinho. Os endereços estão no site Imuniza Já Curitiba (clique em “Locais de Vacinação”, “Onde Tomar a Vacina” e no quadro “Covid 5 a 11 anos”). O uso de máscara é recomendado nas unidades de saúde.

Para os cerca de 44,5 mil curitibinhas de 3 e 4 anos, a vacina utilizada será a Coronavac, recomendada pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde para esse público. A imunização será em duas doses, com intervalo de 28 dias entre as aplicações. 

“Sabemos o quanto as famílias estavam aguardando por essa notícia, porque quem ama vacina. Estamos muito felizes em chamar nossos curitibinhas de 3 e 4 anos para também receberem a proteção contra o coronavírus”, diz a secretária municipal da Saúde, Beatriz Battistella.

Curitiba incluiu a população de 3 e 4 anos na imunização seguindo orientação do Ministério da Saúde (MS) e seu Plano Nacional de Operacionalização (PNO) da Vacinação contra a covid-19, que fez a recomendação na Nota Técnica 213/2022 .

A secretária municipal destacou a importância de escalonar a vacinação por faixas etárias: “Estamos preparando essa nova etapa de forma organizada e com o compromisso de manter asseguradas doses a todos que procurarem pelo imunizante, como tem sido feito desde o início da vacinação contra a covid-19.”

Por recomendação do Ministério da Saúde, para começar a imunização deste público a cidade vai utilizar vacina Coronavac do estoque para primeira dose, até que este seja restabelecido pelo Ministério da Saúde, com o envio de novos lotes da marca. O estoque para segunda dose está garantido pelo município.

O chamamento escalonado dos grupos também leva em consideração a capacidade das salas de vacinação das unidades de saúde, que também realizam multivacinação e a vacinação contra a covid de outras faixas etárias.

Crianças imunossuprimidas

Podem procurar pela vacina contra a covid a partir desta sexta-feira (22/7) as crianças imunossuprimidas de 3 e 4 anos. A definição de imunocomprometidos segue o que já consta no PNO (confira aqui a lista e também no site Imuniza Já Curitiba).

O público infantil imunossuprimido atendido pelo SUS Curitibano tem sua condição registrada no prontuário eletrônico da SMS. Para a vacinação, é preciso apresentar apenas os documentos pessoais da criança e dos responsáveis.

Já as crianças imunossuprimidas atendidas na rede privada devem apresentar também documento comprobatório da sua condição para se vacinarem a partir desta sexta-feira. 

Esquema vacinal

Para as crianças de 3 e 4 anos, a posologia recomendada é de duas doses do imunizante Coronavac, com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose.

A vacina contra a covid-19 pode ser administrada concomitantemente com os demais imunizantes para toda a população elegível (a partir de 3 anos).

Orientações

No dia da vacinação, é necessário que um familiar ou responsável acompanhe a criança. Deverão ser apresentados documento pessoal com foto e CPF do pequeno e do adulto.

A criança deve ter cadastro no Aplicativo Saúde Já Curitiba – pode ser incluída como dependente no cadastro do pai, mãe ou responsável para que a vacina seja registrada na carteira vacinal.

Esse cadastro também colabora para melhor fluxo de atendimento nas unidades de aaúde, com maior agilidade no acesso aos dados e registro das doses.

Crianças que não comparecerem no dia da convocação podem ser levadas às unidades o mais breve possível. Curitiba oferta as repescagens contínuas da vacinação.

As crianças que tiveram covid-19 devem aguardar pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas para se vacinar. No caso das que tiveram outras doenças, a orientação é que aguardem o completo reestabelecimento.

A vacina para este grupo é destinada para crianças a partir de 3 anos completos até 4 anos, 11 meses e 29 dias. Crianças que completarem 5 anos após o recebimento da primeira dose deverão completar o ciclo vacinal com o mesmo imunizante. 

Cronograma da vacinação

1ª dose contra a covid-19 para crianças de 3 e 4 anos

Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h – confira os locais no site Imuniza Já Curitiba

Nesta semana

22/7 (sexta-feira) – Crianças imunossuprimidas nascidas entre 23/7/2017 a 22/7/2019

Próxima semana (25 a 29/7)

25/7 (segunda-feira) – Crianças nascidas entre julho e setembro de 2017; e repescagens

26/7 (terça-feira) – Crianças nascidas entre outubro e dezembro de 2017; w repescagens

27/7 (quarta-feira) – Crianças nascidas entre janeiro e março de 2018; e repescagens

28/7 (quinta-feira) – Crianças nascidas entre abril e agosto de 2018; e repescagens

29/7 (sexta-feira) – Crianças nascidas entre setembro e dezembro de 2018; e repescagens

Semana 1º a 5/8 

1º/8 (segunda-feira) – Crianças nascidas entre janeiro e março de 2019; e repescagens

2/8 (terça-feira) – Crianças nascidas entre abril e 2 de agosto de 2019; e repescagens

Veja a matéria no site da Prefeitura de Curitiba

Taxa de óbitos por covid-19 em Curitiba é 9,6 vezes maior entre não-imunizados

A taxa de óbitos por covid-19 em Curitiba no mês de novembro foi quase dez vezes maior entre pessoas que não estavam imunizadas contra o vírus em relação àquelas que receberam as duas doses ou a dose da única da vacina.

Com base nos dados de mortes deste último mês pelo novo coronavírus na cidade, é possível verificar que quem tomou as duas doses ou a dose única do imunizante está mais protegido contra a doença.

Das 48 mortes registradas em novembro, 24 foram de pessoas que não estavam imunizadas (vacinadas com a duas doses ou a dose única há mais de 14 dias), todas com 20 anos ou mais. Considerando que a população imunizada dentro dessa faixa etária até 30/11 era de 1,3 milhão de curitibanos, tem-se uma taxa de 1,8 mortes para cada 100 mil pessoas. Entre os que não tinham completado o esquema vacinal até essa data, a taxa é 9,6 vezes maior, de 17,2 óbitos/100 mil pessoas.

“Esses números comprovam que a cidade fez o certo em investir na vacinação, porque ela de fato salvou vidas. Queremos que os curitibanos que já foram convocados, mas ainda não tomaram a primeira, a segunda ou a dose de reforço compareçam nas nossas Unidades de Saúde e se vacinem”, diz a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak.

A efetividade do avanço da imunização em Curitiba em relação à  prevenção de mortes é vista não só nos números recentes, mas também a médio prazo: ao longo dos últimos oito meses (entre 1º/3 e 30/11), oito em cada dez óbitos (83%) foram de pessoas que não estavam imunizadas contra a covid-19

Entre as mortes das pessoas que já estavam imunizadas nesse período, 20% tinham completado a imunização há mais de cinco meses, o que enfatiza a necessidade da dose de reforço. “Nenhuma vacina é 100% efetiva. A queda da resposta do imunizante no organismo ao longo do tempo acontece para todas as vacinas. Ainda assim, a imunização contra a covid-19 tem contribuído imensamente para termos saído do momento mais crítico da pandemia”, explica o epidemiologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) Diego Spinoza.

Redução na circulação do vírus

Com o avanço da cobertura vacinal contra a covid-19 em Curitiba – a cidade ultrapassou 85% da população acima de 12 anos com as duas doses ou a dose única recebida – a vacina também passou a contribuir com a redução da circulação do vírus no município.

“Além de cumprir o papel de proteger individualmente contra os quadros mais graves, agora a vacina tem esse efeito protetor sobre a circulação do vírus”, diz Spinoza. 

A percepção de redução na circulação do novo coronavírus é notável pela diminuição no registro de novos casos: dezembro começou com uma média de e 39 novos casos da covid-19 por dia.